Desde segunda-feira em fuga por longes terras, em descanso das pátrias guerras.
Ai de mim, caí hoje na asneira de, num computador emprestado, abrir a página do “Observador”. O produto está a cair, o desemprego a aumentar, a luta pela estatização de tudo e mais alguma coisa continua, triunfante e ruinosa. Adiante.
Interessante a sério é a questão da alheira. Parece que, por unanimidade, os nossos ilustres representantes dedicam o seu precioso tempo a discutir o problema da alheira. Não percebi bem, certamente por falta de patriotismo. É que não se trata de fazer exigências quanto à qualidade do produto, a fim de nos proteger das alheiras aldrabadas que por aí andam a dar cabo do almoço de cada um. Seria, convenhamos, assunto de somenos, próprio de funcionários, indigno da alta apreciação parlamentar.
O que se passa é que os representantes do povo querem proteger, subsidiar, isentar, propagandear a alheira, na sua qualidade de “bem cultural”, “civilizacional”, joia sem preço da gastronomia universal, etc. Este nobilíssimo objectivo é pasto de discussões e desacordos, sendo de presumir que a esquerda prefira uma alheira às riscas e a direita aos quadrados.
Seja como for, os deputados que se divirtam.
Já agora, acho que deviam constituir uma comissão para a protecção do chouriço mouro, e outras para a linguiça, o pastel de bacalhau, a cabeça de pescada e tantas e tão preciosas outras contribuições da Lusitânia para o progresso da humanidade.
E porque não legislar no sentido de obrigar o governo a apresentar à ONU, devidamente instruída, a candidatura da alheira a património da humanidade, qual Taj Mahal da Beira Alta?
13.5.16

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