Octávio Teixeira, que não é mau homem, nem parvo nenhum, tem a estranha e troglodita característica de ser militante do PC. Deve, até, fazer parte das altas esferas do dito, uma vez que, em tempos, sucedeu ao Carlos Brito (hoje tão comuna como era, mas dissidente) como líder parlamentar da agremiação. Como é do conhecimento público, é figura com assento permanente numa televisão qualquer e funcionário inamovível e pensador de serviço do Banco de Portugal.
Pois bem, o homem teve um assomo de heterodoxia, e fez manchete de um jornal, ao afirmar que “ou há desvalorização da moeda ou há desvalorização salarial”. Donde se conclui aquilo que toda a gente sabe, e que tem vindo a acontecer: não havendo uma, há a outra, quer se queira quer não.
É possível que o Octávio tenha aprendido umas coisas lá no BdP, ou então que se lembre do que se passou no tempo do Bloco Central, quando oficiva o velho Soares e comandava as coisas o falecido Ernâni Lopes. Naquele tempo, os salários, as pensões e as reformas não baixaram, o que baixou foi o Escudo. O resultado foi o mesmo, como está na cara e é fácil perceber. Até houve impostos retroactivos, coisa que o Conselho da Revolução ( o TC da época) nem percebeu o que era. Uma história por escrever, talvez porque não convenha a muita gente.
Posto isto, louve-se a escorregadela do nosso Octávio. Talvez o Comité Central, perante tal manifestação de apostasia lhe faça a cama. O Comité Central sabe de ciência certa que a saída da crise se faz aumentando os salários, as pensões e as reformas, pagando a dívida como se quiser e se se quiser, vendendo as acções do Amorim e do Belmiro e, como é da cartilha, metendo-os e a mais uns milhares na prisão, por sabotagem económica. Quando toda a gente estiver de tanga, a culpa será do imperialismo dos EUA, como diz o Maduro e outros oragos do partido, tais o tipo da Coreia do Norte ou o tirano de Bielorrússia. O Castro já não é grande exemplo – até já deixa o pessoal comprar torradeiras!
A descoberta do Octávio é que não cabe no dicionário. Chapeau.
4.3.14
António Borges de Carvalho

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