IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


NÓS E OS OUTROS

 

Andamos há meses a ouvir os partidos comunistas, acompanhados por inúmeras luminescências da Pátria, dizer que as medidas de austeridade vão arruinar a economia, acabar com a saúde e com a educação e precipitar o país na maior das misérias. Até que venha – não é o que diz o Jerónimo? – “uma política de esquerda” salvar a situação, mandando o FMI àquela parte, fechando o BCE, fazendo manguitos à UE, etc. Tudo então será um mar de rosas.

Esta malta tem tido um argumento de peso: a Irlanda, que foi a primeira a alinhar no tenebroso esquema “neoliberal”, ajudando os bancos, baixando 15% dos salários, etc. e tal, está de rastos!

O pior para esta malta já não é assim. Passados dois anos de austeridade, a economia irlandesa, segundo os dados do Governo, do Banco Central da Irlanda, do FMI, da Reuters e da ESRI, cresceu em média 1,2% em 2011 e vai crescer 2% em 2012!

É claro, dirão os mesmos, que nós não somos a Irlanda (só éramos enquanto a Irlanda não crescia), pelo contrário, o nosso termo de comparação é a Grécia, que está de rastos.

Têm alguma razão. É que, enquanto os irlandeses perceberam o que se passava e apertaram – continuam a apertar – o cinto, os gregos andam entretidos a fazer greves e a partir a mobília. Nós, neste aspecto, vamos ser mais parecidos com a Grécia do que com a Irlanda. Os camaradas da UGT e da CGTP já andam a pensar em greves gerais, manifestações e outras macacadas, ou seja, no quanto pior melhor, a fim de comprovar as suas teses.

Ou o bom senso das pessoas resiste a esta gente, ou então como na Grécia é que vai ser.

 

O IRRITADO não sabe se as medidas do governo são as melhores. Sabe, sim, que, se não fossem as que são seriam outras com os mesmos efeitos.

O IRRITADO não sabe se as medidas do governo vão dar bom resultado. Mas sabe que o parlapaté desta gente dará, garantidamente, um resultado bem pior.

 

17.10.11

 

António Borges de Carvalho



13 respostas a “NÓS E OS OUTROS”

  1. «Andamos há meses a ouvir os partidos comunistas»… Os partidos comunistas? Será preciso ser comunista, para pensar que esta carga fiscal draconiana – até os subsídios tirados à FP, acabam por ser um mero imposto suplementar – irá agravar a recessão? O mundo anda mesmo ao contrário: então um LIBERAL como o Irritado, não devia ser o primeiro a condenar este roubo do Estado à Economia? Não devia ser o primeiro a objectar à ganância governamental, e às suas garras no nosso dinheirinho? Mas não: o inimigo do Irritado não é o Estado, por ganancioso e prepotente que este seja. Os seus moinhos, perdão, inimigos, continuam à esquerda, sempre à esquerda. O “seu” Governo de direita saca-nos tudo o que pode, para encher os insaciáveis “mercados”, mas o verdadeiro problema está no Jerónimo e no Loucinhas, esses colossos de poder e influência. No fundo, é uma certa maneira de ver a vida. Se a esquerda diz que está a chover, então só pode estar a fazer Sol. E se o PSD/CDS diz que temos de arruinar o que resta, porque os mercados não podem esperar, então só pode ser verdade.

    1. Chegou a altura de pagar contas e, como todos sabemos, não há dinheiro. Durante os últimos 20 anos gastámos o que não tínhamos, pedimos emprestado quantias que não poderíamos pagar com o resultado da nossa produção; a somar, destruímos grande parte das estruturas produtivas em nome do betão. O endividamento externo é gigantesco e esta é a consequência de nos termos colocado nas mãos de mercados carnívoros, com fracas cabeças como lideres. Claro que serão os trabalhadores e as pequenas poupanças a pagar o despautério que foram os últimos anos de “investimento” deste país. É mais que injusto, concordo consigo e penso que deveríamos criminalizar quem nos colocou nesta situação. Fica a sugestão para iniciar uma lista de nomes.

      1. Mas aí é que está, cara Monica: eu não gastei o que não tinha. Você, provavelmente, também não. Alguém endividou o país. E é esse alguém que tem de pagar. Poderá objectar: então e o endividamento privado? Só que aí, HÁ responsabilização: não só perde os seus bens e parte dos seus rendimentos, como a impedem de repetir a proeza, durante muito tempo. Poderá ainda objectar: pois, mas os bancos também se endividaram, para sustentar tanto crédito. E eu digo: coitadinhos! Não será precisamente o ponto anterior, numa escala maior? Se foram gananciosos, a culpa será nossa? E os seus lucros obscenos, e balcões em offshores, serão intocáveis? No limite, se o caldo realmente entornou, então que se nacionalize o que tem valor, que se vá ao património de uns magotes de responsáveis, de mamões e de trafulhas, e que se comece de novo. Isto não tem nada a ver com os pesadelos comunas do Irritado. Até se pode manter uma versão do regime capitalista actual, e da partidocracia actual. É apenas deixar de ser OTÁRIO, e de pagar calotes alheios.

        1. Defendo a criminalização dos grandes responsáveis deste despautério medonho, desta falta de equilíbrio e consequente brutalidade sobre os contribuintes. Defendo absolutamente que grande parte dos ex-governantes, do PS ao PSD passando pelo PP, deveriam ser julgados por gestão danosa, abuso de poder e roubo. Defendo a publicação de uma lista de nomes … e uma investigação séria (antónimo de investigação à portuguesa), seguir contas bancárias aonde elas levassem, offshore ou não, património imobiliário, etc. Independentemente de quaisquer consequências, à margem de regras bacocas que só protegem os grandes marginais. E confiscar os bens na sua totalidade. Fazer desta gente exemplo para memória futura.Muito se escreve, muito se diz mas, na realidade, estamos vencidos à partida pela falta de coragem, atitude e objectividade.Também os bancos e os respectivos banqueiros não são inocentes; a banca foi e é promíscua com o poder político. Uns mais, outros menos. Há bancos que têm sempre um lugar guardado (leia-se emprego guardado) para ex-ministros. Digo isto e acredito na banca como um grande motor da economia, mas não desta forma invertebrada e nojenta. O Dr. Victor Constâncio deveria estar em prisão preventiva, bem como o Dr. Dias Loureiro … etc, etc. Fico nauseada com a impunidade desta corja e com a placidez e estupidez da nossa justiça. O Estado deixou de ser “pessoa de bem” para, em 20 anos, aglutinar o maior bando de delinquentes de que há memória. A Justiça ficou algures entre a anedota de mau gosto e o cuspo.Colossal falácia que todos vamos pagar…

  2. Há uma incoerência que jamais perdoei ao Irritado. Como escrevi acima, não creio que o Irritado seja um liberal, como afirma. O Irritado é sobretudo um simpatizante de certa facção partidária, colocando a respectiva realpolitik acima dos outros valores. Falo deste blog, claro, não faço ideia se será assim realmente. Neste sentido, por vezes dou comigo a compará-lo a outro autor de direita: o Sr. Alberto Gonçalves. Sim, o tal que o Irritado só aqui citou uma vez, e prometeu não mencionar mais. Lá saberá porquê. O Sr. Gonçalves escreve no DN, e publica uns vídeos na Sábado. Geralmente escreve bem, e acerta muitas vezes, mas está para a malta “neoliberal” como o alucinado Rangel está para a malta xuxa: chega a ser uma espécie de caricatura. Para o Sr. Gonçalves, somos todos uns preguiçosos caloteiros, e os “mercados” são templos de justiça e equidade. Estado, nem vê-lo – quanto menos, melhor. O clã Bush foi fantástico. O Obama é um esquerdalho nocivo. Israel é uma vítima sem mácula. Os EUA são o farol da Humanidade. A esquerda, qualquer esquerda, é o cancro. Etc, etc. Mas entre os seus dogmas “neoliberais”, ele tem uma virtude: é coerente. Malha na Múmia Cavaca, malha no caloteiro Jardim, e malha neste Governo, por não ser liberal o bastante. Aliás, vendo bem, o Sr. Gonçalves ganha a vida a malhar. Seja em quem for. O Irritado não vai por aí, e terá as suas razões. Só que, se de todo não pode ser sempre isento, pelo menos podia ser mais coerente.

    1. Você está a pedir ao irritado algo que ele não tem para dar.Isenção e coerência!!!

      1. Claro, nem todos podemos ser Tecelões… Mudando de assunto: como vai o seu filósofo preferido? Lá irá pregando o Socialismo, certamente entre bairros desfavorecidos – Marais, Trocadéro, etc.? Olhe, se lhe faltarem uns cobres para a sopa, ou para a renda do quarto, diga-lhe para contar comigo. Admiro a coragem de quem abandona um país rico, aliás, muito por culpa dele, e vai para um lugarejo tão pouco aprazível, sem sequer ter profissão. Tudo em nome das suas convicções, e da sua notável carreira académica. Em cada época, cada povo tem o grande estadista que merece – Kadhafi, Saddam, Pol Pot, Átila o Huno – e Portugal também tem o seu.

        1. O que Portugal tem para a troca são opinadores!!!

    2. Aqui vai uma resposta, não especificamente para este comentário, mas para a generalidade das “acusações” com que me tem brindado ao longo do blog. Agradeço sobremaneira a forma como tem dedicado algum do seu tempo ao irritado, e o muito tem contribuído para o nível que desejaria ver em tudo o que aqui aparece.É verdade. Sou um liberal, ou um liberal conservador, se quiser. Confesso o crime, cumprindo os desafios que as suas diatribes exprimem. Não sou independente, tenho ideias, convicções e valores que vou exprimindo neste blogue, na esperança de os ajudar a fazer caminho.Posto isto, devo dizer que não sou filiado em partido algum. Sou fundador do PPM, do qual fui expulso em 1985, por “desviacionismo liberal”. Já vê que os meus crimes vêm de longe…Não há partidos liberais em Portugal. O PSD tem a mania que é social-democrata, o CDS é adepto da democracia cristã, coisa que nada tem a ver com o liberalismo, antes pelo contrário. De qualquer maneira, à falta de melhor, são o que tenho para apoiar. Poderá dizer que o PS não anda muito fora disto. Compreendendo, mas acho que não. O PS, desde a mais tenra idade, tem defeitos morais insuportáveis. E é estatista e burocratista como poucos, incluindo os seus irmãos europeus. Da outra esquerda não vale a pena falar.No fundo, o que se passa no mundo, e também entre nós, é fruto da falta de respeito pelas regras de ouro do capitalismo liberal, corrompido por políticas “sociais” que fabricaram o sub prime, por exemplo, que puseram os portugueses a comprar tudo e mais alguma coisa, que puseram os estados a financiar o infinanciável, etc. Dirá, com toda a razão, que os especuladores aproveitaram a maré e entraram em roda livre. É verdade. Mas é verdade porque as regras de ouro do capitalismo liberal foram vítimas dos desvios “sociais” que grassaram no pós-guerra e que, esses também, entraram nos mais insensatos exageros. Como diz, a política do governo pouco ou nada terá de liberal. Podia tê-lo? Duvido. Portugal chegou a uma situação de tal ordem que não há outra alternativa senão pagar o que deve, nas condições que os credores impuserem. O resto é conversa e demagogia. Como já disse algures, a política do governo podia ser outra, mas as consequências seriam piores que as que podemos ter uma ténue esperança que sejam. Tirar o dinheiro à malta é mau? Claro que é. Pode discutir-se se este orçamento, em vez de ir buscar o dinheiro com os instrumentos que usa o poderia fazer de outra forma. Mas iríamos dar no mesmo. O Estado que os exageros criaram tem que ir buscar o dinheiro onde ele está, de uma forma ou de outra. Depois, tem que ser transformado noutra coisa, coisa que ninguém saberá ao certo o que seja mas que, ou se funda na economia real ou sofrerá as consequências. Se a Fénix da crise for um Estado alheio à economia real (não é possível regular aquilo de que se é parte interessada), se o choque de que as pessoas estão a ser vítimas servir para que cada um perceba que o melhor é tratar da vida sem contar com o Estado para outras funções que não sejam as que, clássicamente, lhe são próprias, já não será nada mau. Em qualquer circunstância, e ainda que possa doer a muita gente, preciso é extirpar o socialismo estatista que vem campeando há décadas, igual ao do Dr. Salazar, mas legitimado. No fundo, a prazo, levou-nos à mesma vil tristeza.Não colhe, como v. defende, ter a ilusão de que perseguir os corruptos, os canalhas, os. exportadores de dinheiro, os ricos, os “maus”, resolvia fosse que problema fosse, no que se refere à falta de dinheiro. Não quer dizer que não se persiga os que, em face da lei vigente, trafulhem, roubem ou mal giram. Pelo contrário. Quer dizer que só quando a “cultura” do Estado, a filosofia do Estado, mudar radicalmente, deixará de haver lugar para tal gente. Enquanto o Estado – de esquerda o de direita – for parte, a maior parte do jogo que quer arbitrar, isto é, socialista, não haverá direito nem moral que nos valha. Por tudo isto, julgo que não estranhará que vá defendendo o, ou os que vou defendendo. Sem prejuízo dos meus “objectivos finais”, acho-me no direito de apoiar o que, pelo menos, tende a ser menos socialista que o resto. Para já, a coerência possível é isso.E mais não digo. Acabou-se o espaço. Desculpe a maçada.ABC

      1. Caro ABC, agradeço-lhe a atenção, e o texto. Ficou, ainda assim, muito pano para mangas. Por exemplo, não concebo falar dos «desvios sociais do pós-guerra», e não chegar à “Reaganomics” ou ao “Thatcherism” que lançaram a Banca e os “mercados” na tal roda livre, em aceleração contínua nos últimos 20-30 anos. São bonitas, essas «regras de ouro do capitalismo liberal». Parece que nos trariam prosperidade, responsabilidade (accountability), qualidade de vida, e tal. Foi pena a natureza humana: se posso ganhar 10 milhões depressa, sem trabalhar, porque hei-de ganhar 1 milhão a trabalhar? O socialismo também tinha bonitos conceitos. Parece que seríamos todos iguais e felizes e prósperos e assim. Foi pena a natureza humana. Nota aqui um padrão? A distribuição da riqueza está como sabemos. E já lá vão 10 anos desde o espectacular espetanço da Enron. Pouco depois, foi a Worldcom. Depois, a Lehman Brothers. Depois… e nunca mais se aprende? Vamos batendo com a cabeça na parede… este capitalismo há-de funcionar!

  3. Dois posts de um blog que aqui cito de vez em quando, certamente muito do agrado do Irritado: http://citadino.blogspot.com/2011/09/o-banco-central-europeu-bce-explicado.html http://citadino.blogspot.com/2011/10/o-colossal-roubo-perpetrado-pelos.html É simplista? Será. Mas é também um resumo admirável, que nunca ouviremos da boca de nenhum comentadeiro economista dos que se arrastam pelas TVs. Recomendo a leitura, nem que seja para passar o tempo.

    1. Obrigado pelas sugestões.São simples, directas e, em parte, têm alguma razão. Esquecem-se, porém, de dizer o que, e como, mudar. Quanto a mim, é onde bate o ponto. Não sei se tenha mais medo da emenda que do soneto…

  4. Entre os vários istas sei que não sou alpista. Chegar a um acordo e fazer uma regra desse acordo, para cumprimento geral, essa é a grande tarefa. Em Portugal temos: girondinos , jacobinos, estalinistas, trotkistas , etc.. Tudo ideologias passadas, associados ao arbítrio paleolítico. Perguntas de um aldeão pasmado com tanta cidadania e enjoado com tanta indigência exibida: Como pretende um soberano (povo ou outro qualquer) fazer justiça não tendo tribunais judiciais soberanos para exercê-la? O SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA é uma ficção. Chama-se supremo, mas tem um tribunal superior! Diz-se de justiça, mas esta está capturada pelo poder político. É uma impossibilidade! Como consegue um povo ter direitos, quando a soberania os não protege e garante? Pelo contrário, os seus órgãos sacrificam de forma arbitrária os direitos de uns a favor de interesses e delitos de outros. A soberania alega e proclama que os direitos estão em conflito e confronto uns com os outros. Rouba a uns para benefício de outros. Proclama-se o direito de roubar! De que serve a uma sociedade criar direitos para lhes atribuir as características do arbítrio? Nos conflitos e confrontos, os direitos dos mais fracos serão sempre destruídos. Como quer um povo uma democracia assente num estado de direito, se não tem juristas capazes de lidar com o direito sem arbitrar (entortar)? Descaracterizam o direito, introduzindo a conflitualidade no seu seio. Depois, relativizam e arbitram. Como aspira um povo progresso e modernidade se apenas tem como alternativas escolher entre bandos de delinquentes contumazes que o tiraniza e rouba? Violam a Constituição e proclamam a sua delinquência como sendo um acto normal assumindo um ar sério e ingénuo! Como pode um povo trabalhar com estabilidade e paz social, se a sua República se constitui todos os dias como uma tirania e império de ladrões, sob o arbítrio de alguns, ao serviço de interesses particulares, onde os juízes são acossados, perseguidos e se refugiam em seguradoras, enquanto são vilipendiadas por um poder político delinquente? A justiça é considerada espionagem e os juízes qualificados de espiões pelos políticos! Como quer um povo constituir e construir um estado de direito, suporte da democracia e condição necessária para alcançá-la, quando os neurónios dos cidadãos que preenchem as elites do poder político e da opinião pública não conseguem funcionar e pensar direito? Só se ouvem imbecilidades. Com estas propostas de revisão constitucional nenhuma justiça será possível. Se um povo é ladrão enquanto soberano e é roubado enquanto súbdito, então é ignorante e estúpido enquanto cidadão. A sua cidadania está infiltrada de vilões que o tiranizam e roubam e a sua opinião pública é composta por aleijados mentais.

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