Pousada que está a espuma do assunto, talvez não seja inútil “apreciar” o caso do ex-deputado Nobre.
Por oportunismo ou visão política, Passos Coelho convidou-o a entrar, na mais destacada posição, nas listas do PSD. Uma demonstração de abertura à sociedade civil, um sinal a todos o que se, não reconhecendo nos limites dos partidos políticos, não querem, por isso, deixar de actuar na esfera da política. Assim, Passos Coelho foi buscar um homem que, com merecimento, tinha demonstrado, ao longo da vida, activa preocupação com os seus concidadãos e com a humanidade em geral.
É facto que Nobre, preocupado em mostrar-se “independente”, dera muitos sinais de indigência ideológica, isto é, pusera certas questões pontuais acima da sua auto-definição como ser pensante. Fora, por exemplo, adepto do Bloco de Esquerda, já não sei porquê. Declarara-se monárquico, coisa estranha para quem queria ser Presidente da República. Foi candidato ao cargo
sem explicar porquê, a não ser pela ânsia de cavalgar a onda anti-partidos que estava no auge. Fez não sei quantas mais demonstrações de um “primado das causas” que, visto de outra maneira, quer dizer ausência de espinha, inconsistência intelectual ou até oportunismo.
Pois bem, o erro de Passos Coelho foi, mais do que convidá-lo, ter feito dele o seu candidato à presidência do parlamento. Antes de tempo, não na altura própria. E tê-lo deixado desbocar-se em declarações insensatas ao “Expresso”, declarações glosadas e gozadas por todos os media.
Depois… depois não havia nada a fazer que não fosse “aguentar”. Correr com ele seria ridículo e insensato. Segurá-lo era arriscado, mas tinha a vantagem de mostrar fidelidade à palavra dada.
O homem foi corrido pelos seus pares, designadamente por muitos do próprio PSD que não seguiram as ordens do GOL, ao contrário de muitos do PS. Dir-se-á que esta é uma das habituais teorias conspiratórias do IRRITADO, mas é garantido que, não podendo ser provada, também será difícil não lhe dar algum crédito. Ninguém duvida que Nobre recorreu aos seus “irmãos” da Maçonaria para angariar votos, e que há mais maçons no PS que no PSD.
Depois, como tinha “prometido”, o homem deu à sola. Para ele, pelos vistos, ou tudo ou nada.
Os outsiders do sistema, se querem entrar nele têm que fazer cedências. Se não estão para isso, deixem-se ficar de fora, ou deixem de o condenar.
Como em tudo na vida não se pode fazer omeletas e ficar com os ovos.
Pelo que fez e, sobretudo pela forma que se saiu do imbróglio, Passos Coelho acabou por marcar pontos. À excepção dos partidos comunistas que, quase sem reticências, tinham de Nobre a ideia de um eventual compagnon de route, toda a gente assim o entendeu.
Há males que vêm por bem.
7.6.11
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário