IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


NEM UM RATO PARIU!

 

A espantosa vergonha política, administrativa e judicial que esta fase de “preparação” para as eleições autárquicas vem sendo vale bem a pena de algumas observações.

 

Anda por aí meio mundo a tecer as mais desabaladas críticas aos políticos, ao sistema, aos partidos, etc.. Muito bem. Será de pensar que o tal meio mundo pensa que a chamada sociedade civil está ansiosa por mostrar a sua vitalidade e de demonstrar que a democracia não se esgota nos partidos, antes precisa de ser a(pro)fundada – como dizia em tempos a camarada Pintasilgo – através de variegadas organizações espontâneas, fruto das mais puras, solidárias e desinteressadas profundezas da vontade popular.

Aqui há anos, já não sei quem decidiu acabar com o monopólio dos partidos no que ao poder autárquico diz respeito. Não haverá quem não ache bem, IRRITADO incluído.

A lei que tal determina é, porém, igual a tantas leis que por aí andam. Em vez de ir ao encontro de fenómenos sociais concretos e respeitáveis, veio querer criá-los. A sociedade respondeu como está à vista: borrifou no assunto. Escassas candidaturas há por fora dos partidos, as mais delas povoadas por dissidentes, ambiciosos, para-quedistas, vereadores saneados, capuchos cheios de dor de corno e aspirantes a políticos. Nem uma só dessas candidaturas verá a luz da vitória. Pelo que por aí se lê, nem uma tem uma ideia atraente ou original a propor. Puro e simples jogo de ambição e poder. A montanha da “sociedade civil” pariu umas formigas sem asas.

 

Mais engraçado, ou mais triste, é que tal sociedade não só pouco ligou à oportunidade que lhe era oferecida como, que seja legítimo pensar, a excepção que vai confirmar a regra do falhanço dos “independentes” – Oeiras – só logrará êxito no seguimento do que o meio mundo mais critica. A eleição é dominada por um presidiário cuja sombra protectora paira sobre as consciências dos eleitores. Estes, por muito moralistas e anti políticos que sejam, por mais condenatórios se afirmem contra a corrupção, o compadrio, a fuga aos impostos, etc., na hora da verdade estão-se nas tintas para a “moral republicana”, coisa que é brandida por aí como se fosse os dez mandamentos, mas que, se é que existe, é radicalmente imoral.

 

Como se isto não bastasse, a absurda lei da limitação de mandatos, destinada a impedir que os eleitores se exprimam como querem ou elejam quem preferem, ficou ainda mais absurda com a intervenção da dona Assumpção destinada a coonestar a repugnante cobardia nesta matéria demonstrada pelos partidos. Os oportunistas, como o Bloco de Esquerda, desataram a meter processos atrás de processos, eventualmente inspirados pela moral republicana mas destinados, não a clarificar a lei mas a criar mais politiquice e mais intrigalhada.

Desgraçadamente, temos o poder judicial que temos. Em vez de devolver ao legislador a clarificação da lei e se considerar incompetentes para fazer julgamentos meramente políticos, sem nada de judicial, os tribunais comprazem-se em dar o espectáculo que dão, com decisões contraditórias e argumentações inimagináveis. Nem sequer têm a decência de pensar que, sendo os juízes não eleitos, vitalícios e intocáveis pela sociedade, antes se fiscalizando a si próprios, não estão em posição moral ou mental para limitar ou deixar de limitar mandatos seja a quem for.

 

Só mais uma notinha, à laia de astrologia. O oco e seus amigos estiveram convencidos  que as autárquicas eram a sua grande oportunidade de esmagar o PSD. Com o triste exemplo de Guterres, que aproveitou o desastre autárquico para dar à sola, eram favas contadas que o governo ia cair, e lá vinham as legislativas antecipadas para mais uma retumbante vitória.

Mas…

Por um lado, o PM já disse que, seja qual for o resultado das autárquicas, o governo não cai nem deixa de cair por causa delas.

Por outro, a pessegada autárquica dentro do PS é de tal ordem, que não há uma só alma que preveja o almejado land sliding.

 

Boas notícias, no meio da vergonha.

 

23.8.13

 

António Borges de Carvalho         



3 respostas a “NEM UM RATO PARIU!”

  1. Leio o Irritado vai para 3 (ou 4?) anos, mas ainda não sei o que será a tal «moral republicana». Admito que a falha seja minha. Que fale de moral cristã, moral pagã, ou assim, ainda vá; mas republicana? E que moral se oporá a ela? Será a monárquica? O “pack” monárquico, além da família real e respectivos privilégios vitalícios, inclui uma moral e tudo? Talvez seja tipo um bónus: se levar este rei, oferecemos 184 parentes… e leva ainda um código moral! Mas enfim, é verdade que toca na ferida: a malta queixa-se – como eu – mas vai-se-a-ver e… batatas. Ninguém sério avança, ninguém passa da palavra à prática, ninguém muda nada. Pior ainda, a malta continua a votar nos mesmíssimos de sempre. Quanto mais trafulhas melhor. Passo por um cartaz quase todos os dias, e lá está ele a lembrar-me da realidade, a meter-ma pelos olhos dentro – «Isaltino Oeiras mais à frente»! Segundo as malditas sondagens, até deve ganhar. Que fazer a esta gente? Mudar as regras, impedi-los de votar? Já aqui tentei falar disso com o ManuelB (que será feito dele?); não concluímos, mas dificilmente se pode chegar a alguma conclusão prática. A verdade é que não sei o que fazer. Nisto sou como os comunas: falo no interesse do “povo”, mas represento apenas uma minoria, pouco ou nada relevante. Vejo a Democracia Directa como a melhor alternativa, mas a realidade mete-se de permeio (como dizia O’Neill), e com esta massa – com esta carneirada – como raio poderemos fazer uma Democracia diferente, melhor, seja directa ou não? E quando até pessoas mais esclarecidas, como o Irritado, continuam presas à lógica dos partidos, a amigalhaços e a inimigos, e não conseguem ser imparciais ou isentas, quem raio poderá apoiá-la?

  2. P.S. Por falar no ManuelB, lembrei-me do Tecelão. Já o viu em todo o seu (dele) esplendor? Está aqui: https://www.facebook.com/daniel.tecelao Cheguei a pensar que fosse apenas um nome falso, como tantos nicks que aparecem em muitos blogs e jornais online, de um lacaio qualquer do marketing xuxa. Mas parece ser mesmo real! E não é que a imagem dele é e-x-a-c-t-a-m-e-n-t-e como poderíamos imaginar?

    1. É giro! O que chamar ao “falecido” Tecelão? O retrato é esclarecedor, não é? Só o chapelinho…Às vezes pensamos que não há disto no mundo. Será que é outro mundo? Não sei responder.Obrigado pelo “esclarecimento”.

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