IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


NÃO SE PERDEBE


Ao que se lê por aí, parece que a coligação propôs aos 3,01 partidos da oposição (0,01 é o do partido melancia) realizar um debate, primeiro público, depois parlamentar, este com os ministros de cada pasta, tudo seguido por três debates no plenário, tendo como objectivo discutir e votar propostas concretas sobre como “mudar o modelo” de Estado.

Estulto seria pensar que os partidos comunistas (2,01) aceitassem tal proposta, já que não aceitam nenhuma. Sairia do “modelo” que têm em vigor.

Já em relação ao PS, auto proclamado partido democrático, partido de diálogo, partido tolerante, partido construtivo, etc. e tal, a recusa parece estranha, isto porque não faz parte do soi disant “modelo” da organização. Da formulação da proposta, concluiu a agremiação que se trata de discutir cortes e mais nada. Também podia ter concluído que se tratava de se debruçar sobre o formidável problema da época da lampreia, questão que também se pode, com toda a lógica, extrair da proposta da maioria.

Nada disto espanta, dada a forma prestimosa como o PS, ou se queixa de não ser ouvido, ou recusa ouvir quando a maioria se propõe falar com ele. Isto, na opinião do oco e dos seus apoiantes, deve derivar da impecável postura dialogante e verdadeiramente democrática que anima as hostes. Percebe-se.

O que não se percebe é a posição assumida pela Excelentíssima Senhora Dona Doutora Presidente do Parlamento, que se opôs à iniciativa com o argumento da necessidade de consenso de todas as bancadas para andar com a coisa para a frente. Sabendo, à partida, que jamais tal consenso seria possível, foi uma forma sibilina de dar cabo do assunto, quiçá valendo-se de algum penduricalho regimental.

Assim vai o diálogo, o debate de ideias, a democracia em Portugal.

Não se diga que o IRRITADO é um entusiasta de iniciativas do tipo da da maioria. Não é. O IRRITADO prefere o exercício da autoridade e do poder, desde que legítimos, à discussão permanente e à tergiversação na tomada de decisões. Coisa que, infelizmente, é, por motivos internos e externos, pecha deste governo.

O quer não quer dizer que a posição da senhora presidente tenha algum merecimento. Afinal, o que anda ela a fazer por lá? A promover o diálogo e o debate das ideias, ou a limitá-lo e impedi-lo?

 

7.12.12

 

António Borges de Carvalho



Uma resposta a “NÃO SE PERDEBE”

  1. Quanto ao modelo do Estado, e à sua sustentabilidade, não sei se o Irritado conhece um livrinho chamado “Quem Paga o Estado Social em Portugal”, lançado há pouco tempo. Cito: Segundo a historiadora, trata-se de um estudo científico que prova, através de um modelo matemático, que os trabalhadores “pagam o suficiente para todos os gastos sociais do Estado… na maioria dos anos os trabalhadores até pagam a mais, apesar de o Governo nunca ter prestado contas”. Sendo assim, a conclusão é que nos últimos 20 anos os trabalhadores pagaram “todos os gastos sociais que o Estado tem com eles e, portanto, não têm qualquer tipo de dívida”. Entre muitos exemplos, os historiadores usam o caso da situação da saúde para concluírem que o setor está nas mãos das Parcerias Público Privadas (PPP): mais de metade do que os portugueses pagam para o serviço nacional de saúde é transferido para hospitais de gestão privada. “Isto num país em que os trabalhadores recebem o equivalente a 50% do PIB, mas da massa total de impostos que entram no Estado, 75% vem do rendimentos dos trabalhadores e não do capital”, justificam. Na opinião da especialista, “outro número que está no livro é o cálculo do ROUBO e do colapso para a segurança social que significa a transferência do fundo de pensões da BANCA e da Portugal Telecom. DEPOIS ADMIRAM-SE QUE A SS TENHA DÍVIDAS. “Outro número escandaloso são as PPP rodoviárias. Mesmo que as pessoas não andem nas autoestradas, o Estado garantiu a algumas empresas uma renda fixa. Ou seja, é um capitalismo sem risco. Não é aquela ideia do capitalista empreendedor que corre riscos para ganhar lucro. É a ideia do capitalista que não vive sem a cobertura do Estado”. “Para nós, cai por terra o mito da economia privada e empreendedora, sobretudo no que diz respeito às GRANDES EMPRESAS, porque as pequenas não são nada favorecidas nestas questões e estamos a falar de GRANDES CONGLOMERADOS ECONÓMICOS. As grandes empresas vivem à conta dos impostos do Estado. Ou seja, não sobrevivem nem têm lucros se não contabilizarmos a massa de valor que é transferida para estas empresas através de esquemas, que são muitos”, sublinha a investigadora. ——————————– Apenas para recordar ao Irritado quem é que os nossos governantes realmente servem.

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