IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


NADA DE FOSQUINHAS

 

 

Carta de um assediado a que o IRRITADO teve acesso:

 

Caro Asdrúbal

 

Venho lembrar-te que, há vinte e dois anos – estávamos a discutir política – me deste uma palmadinha num joelho. Estou a pensar pôr o assunto nos jornais. Não sei sei se eras ou és maricas, mas, bem vistas as coisas, como estás cheio de bago e isto está a dar, há duas soluções: uma é mandares-me uma boa transferênca (mando-te o NIB por SMS), outra é eu dar corda ao trombone e aproveitar da celebridade, da universal compreensão, dos elogios, dos aplausos e da fama que a minha justa denúncia não deixará de proporcionar.

Lembra-te que, por um caso do género passado com uma tipa qualquer, já caíu um ministro de Sua Majestade. Lembra-te daquele milionário americano, um tipo do cinema, que foi acusado de várias “aproximações” por um magno lote de públicas e timoratas virgens, todas elas do melhor, como é evidente. Também, entre muitos, há aquele caso de um maricas que, há trinta anos, com uma bebedeira das antigas, resolveu sugerir umas porcarias a um rapazito de 14 anos. Não chegou a fazer nada, mas o rapazito, hoje quarentão, resolveu chamar-lhe uns nomes e dar-lhe cabo da vidinha.

O assunto, por mor do politicamente correcto, ainda não chegou à zona das fufas. Dado tratar-se de fêmeas, estão ao abrigo dos ditames da filosofia triunfante e podem meter-se com rapariguinhas sem que tal tenha qualquer importância. Em rigoroso exclusivo, abusadores são os homens, o resto é conversa. O conceito de abuso tem assim a sua primeira, e única, característica conhecida: aplica-se a quem tem pilinha, seja hetero (straight, em proper English) ou homo (gay, em popular English).

De resto, não se sabe ao certo o que é isso de “assédio”. Tanto pode ser quando o patrão exige favores em troca de promoções como quando o Zé Quitolas diz à Vânia Natasha que a acha muito gira. Segundo a filosofia que está a dar, basta o segundo caso para receber tal classificação.

Continuando a universal tendência para a moral progressista, teremos em breve o total banimento dos prevaricadores. Ai de quem faça fosquinhas a uma miúda ou a uma mulher feita. Se ela não está receptiva, vai para os jornais, o caso é entregue à Judite, e o tipo vai preso, como é de inteira justiça. Se se tratar de mariquismo tem mais desculpa, mas não deixa de ser condenável, desde que a iniciativa seja de um ser humano considerado do sexo masculino. As especialidades a cargo do Bloco de Esquerda (LGBTZHUIPROQUO++) também têm direito a compreeensão. Os verdadeiros maus são os straight. Não têm perdão.

Portanto, meu caro, daqui por diante nada de elogios, nada de olhares, muito menos de gestos como a mãozinha no joelho. Nada de pedir namoro, muito menos casamento. Os pedidos de união de facto atenuam a culpa.

Esta breve descrição do estado de coisas deverá servir-te de orientação no futuro. Quem bem te avisa teu amigo é.

Para já, ou tratas da transferência ou estás feito.

 

Cumprimentos do ofendido.

 

3.11.17       



5 respostas a “NADA DE FOSQUINHAS”

  1. Caro sr. antónio, a “porcaria” deste post, merece a seguinte resposta (como comentário): «…tu lá sabes quando há vinte e dois anos – estando a discutir política – das palmadinhas que deste (ou recebeste “num joelho”). Porém, se estás “teso”, dou-te um conselho: vai trabalhar (pode ser que a “caterine deneuve” ainda necessite de trabalhadores)…»!!!

  2. Estou com o Irritado nessa do Asdrúbal. Também sou uma vítima dele. Em 1989 abriu a porta da casa-de-banho enquanto eu escovava os dentes, o tarado. Vivi com este terrível segredo até agora. Tal como outras vítimas, sou adulto há muito tempo, tenho dinheiro e advogados, mas só agora sinto confiança para contar tudo. Agora sim. Como me calei bem caladinho, e como conhecer o Asdrúbal me deu, digamos, certo jeito à carreira, temia que, sabe-se lá, me achassem algum chuleco oportunista e hipócrita. Claro que não sou nada disso. Sou uma vítima. Mereço pena. Uns cobres extra também não era mau.

    1. O “parvalhão” andou com a “caterine deneuve”?

      1. Se não “andou”, então, “trabalhou”?

        1. O Filipe, como é consabido, é um “trabalhador” nato. Daí, ter contruído a “teoria dos mamões”, que é o seu “estandarte”, como, aliás, sempre faz alarde em “hastear”!!!

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