Com altos dizeres, o senhor Pimenta, mestre escola do ministro do ambiente e poderoso industrial de moinhos de vento, veio curvar-se perante a memória do Prof. Engº. Delgado Domingos , ontem falecido.
Do currículo do finado, o senhor Pimenta destaca a sua luta contra a energia nuclear. É verdade, e é bom que se destaque. Só é pena que não se acrescente que, há para aí dez anos, o ilustre Professor deixou de falar no assunto. Não sei o que tal significa, mas deve significar alguma coisa.
Mais do que as lutas internas contra o nuclear, hoje praticamente inofensivo, Domingos tinha fama internacional por motivos bem diferentes. É que, imaginem o senhor Pimenta e o ministro do ambiente, era conhecido por negar, com argumentos de grande peso científico, que a humanidade fosse a culpada das alterações climáticas ou, por palavras menos correctas, “pelo aquecimento global”. É citado em inúmeros trabalhos, em muitas revistas científicas, como feroz adversário de tal teoria, que considerava errada e abusiva.
Mas este facto não merece menção aos pimentas da nossa praça. Não interessa o que o homem defendia ou condenava, a não ser quando convém aos moinhos de vento, ao comércio de CO2 e a outras artes mágicas destinadas a sacar uns tostões ao pessoal, sempre, é claro, sob a capa da “salvação do planeta”, astro que se está nas tintas, como é evidente, para as teorias catastrofistas da moda e do politicamente correcto.
Pequena homenagem do IRRITADO a um cientista com espinha.
7.7.14
António Borges de Carvalho

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