IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MOEDA PÉSSIMA

O IRRITADO, por razões que pede escusa de referir, tem andado numa pausa, não diria moribunda, mas certamente preguiçosa, ou paspalhona. Desculpas são devidas aos poucos que o têm seguido pelos anos fora.

Então, meu palerma, mergulhados que estamos, e cada vez mais, na polcilga da nossa política, não há nada que te irrite? A resposta é: há, talvez mais do nunca. Mas é tanto, que, visto o que se vê, por onde começar? Por que ponta pegar?

O livro do Cavaco excitou o IRRITADO até mais do que os comentários ao silêncio do Costa no Conselho de Estado, coisa que fez correr rios de tinta, mas que tem a mais simples das explições: o fulano deu largas à sua natureza de labrego, e pronto. Não é novidade. Tinha escrito umas coisas sobre o assunto, mas achei que o blog não merecia entrar em tal esterco.

Já a cavacal literatura merece umas bocas. Não pelo que lá está mas pelo que motivou.

Porque será que as hostes das ratazanas do Rato e os seus muchachos opinativos entraram em histeria colectiva? Porque é que um político, por sinal o maior triunfador eleitoral da história da III República, anos e anos depois de retirado provoca tamanha e tão tremebunda onda de declarações, qual delas mais estúpida? Será que a estupidez é a mais importante característica do poder em vigor? Talvez. Olhem, por exemplo, o “pacote da habitação”: haverá maior prova?

A tremebunda excitação tem sido oceânica. Não há bicho-careta que não se erga, ou baixe, em condenações. Porquê? direi que por compração. Olham-se ao espelho, veem o que aconteceu, e não aguentam. Gente que não foi capaz de uma só reforma, de uma decisão com pés e cabeça, de um resultado positivo com alguma profundidade, de cumprir uma promessa, de dizer uma verdade consequente, gente que vive isolada em si própria com o único objectivo de conservar o poder, por podre que se revele, que engana sem escrúpulos, não aguenta que Cavaco lhes esfregue nas fuças os seus anos de governo.

Permitam-me duas franquezas. Nunca fui simpatizante da pessoa de Cavaco, nunca lhe achei graça, e até testemunhei não poucas atitudes suas pouco dignas da elogio. Mas testemunhei também que os dez anos de governo do homem foram os melhores, em termos de avanço social, da democracia portuguesa. É sabido que a democracia liberal não é garantia de riqueza ou de progresso social e económico. Mas também é verdade que o ideal será juntar as duas coisas. Cavaco fê-lo, e teve tempo para tal. O país de 1985, dez anos depois, tinha mudado de cara, tinha progredido, era outra coisa, bem melhor, e sustentável, como ora se diz. Não é preciso grandes estudos, nem números, nem opinões “abalizadas” para o provar. Via-se. Viu-se. Para o caso, é o que interessa.

A cáfila de hoje, carregada de dinheiro que mete num chinelo o que Cavaco foi buscar, o que fez foi empobrecer o país, dar cabo dos serviços sociais (sem excepção!), do funcionamento da administração pública, da esperança colectiva, tornou os portugueses apáticos, à espera de mais uma esmolinha. À semelhança do governo, diga-se.

Quando Cavaco, com todos os seus defeitos, apesar da sua antipatia socio-cultural, diz o que pensa, com todo o direito a fazê-lo, as hostes poderosas entram num frenesim cretino, condenam o que deviam elogiar, dedicam-se a anatemizam um passado que as envergonha, no fundo pondo a nu a sua própria e tão contraproducente inutilidade.

Os fiéis herdeiros de Sócrates, em vez de vergonha do seu passado recente, e indecente, dedicam-se a condenar outro passado, mais logínquo, mas decente. Juntam à estupidez a arrogância. Se a “má moeda” (é pena) era do Cavaco, esta, péssima, é do Costa.

 

17.9.23  



6 respostas a “MOEDA PÉSSIMA”

  1. Continua, portanto, a decadência e o circo político não tem férias(seja com palhaçada ou com malabarismos).

  2. “….É sabido que a democracia liberal não é garantia de riqueza ou de progresso social e económico. …”Ah ganda Irritado !!

  3. Não conhecia Aborca [não é aborca do verbo aborcar, …e daí, não sei! É termo que acabo de criar, só para mim]. Um amigo mandou-me. Li. Fui ver. Eu ando cá desde tempo anterior ao eclodir da IIGM; velho com os neurónios a produzirem bem e diariamente, para o caruncho, quero dizer, o alzeimer, não entrar. Já vi muito, vivi muito, fui à guerra [à nossa, na Costa (a Sul e a Norte do Equador terrestre) e na Contra-Costa da rota da Índia; e fui à cortina de ferro; e ao Brasil, desde Manaus a Iguaçu, não a passear, mas a trabalhar e aprender para depois ensinar; e ao Magreb Mauritano da nossa História de tanta grandeza; e a muita Europa de antes e de depois de 1985 e até de antes de 1974. Eu sei ler o seu texto e sei ver que o senhor Aborca (abreviatura de nome, para meu uso, nada de mal) é de facto um irritado, mas faz um mau trabalho. Diz que o país é “aquilo que lá diz”, aponta os dedos todos e não apenas um, só diz o que quer, irritado (para disfarçar); e faria bem, em vez de socialismo (o socialismo português, nome de um Partido Social-Democrata, da família Social-democrata Europeia, a quem Sá Carneiro toldou a imagem, indo a correr, a Cascais, dar ao seu PPD o nome de PSD, com medo de que Soares [o pai da Democracia Portuguesa, …quero dizer, da Social-democracia em Portugal], o fizesse, para tornar mais clara e enterrada a realidade do socialismo (Socialismo de inspiração de Leste, ou comunismo) metido na gaveta. Há que ler a História, para entender o presente e bem trabalhar para o futuro. Contrariamente à sua tese de irritado, sobre a obra de salvação nacional do herói senhor professor Cavaco Silva [em terra de cegos e de pobres, quem tem uns tostões vindos duma lotaria europeia, é herói regenerador!] eu poderia apresentar antítese, com factos e não com palavreado oco da luta político-partidária corrente, de 85 para cá, em que se construiu por um lado e se destruiu por outro [destruiu, destruíram-se pilares fortes de economia produtiva, que agora compra-se tudo fora e andamos de bandeja na mão, criados ou bobos a fazer festanças e a vergar a espinha a turistas e a capitalistas estrangeiros que nos vão comprando e fazendo-se patrões de tudo o que é bom, …e pior que isso, estratégico]. Olhe que eu sou social-democrata convicto, desde o meu tempo de liceu, anos 50 (! não se admire, tive um bom amigo e mestre, dinamarquês, o Nassau). Já vou longe e até parece que fiquei irritado com o seu texto. Porra! Sejamos decentes.

  4. Qualquer ***cracia liberal nao passa de uma treta. Nao existe. A autoridade ou e autoritaria ou e so para alguns – os mais fracos e desprotegidos. Infelismente a sua democracia nao passa de uma tirania cleptocratica reles.

  5. Quem se meteu logo levouEra dos jacobinos o moteEste leva habitação no pacoteCavaco vírgulas degustou.Era moeda boa e forteNão era reles patacoQue Sócrates reduziu a cacoFicando em total desnorte.É que aquela AssembleiaEra de delinquentes sem asaIam todos para casaE livrava-se daquela teia.

  6. A elogiar a Múmia Cavaca… quão baixo chega o seu ‘mal menor’, hã, Irritado? Nem só os comunas engolem sapos. “Os dez anos de governo do homem foram os melhores, em termos de avanço social, da democracia portuguesa”. Qual avanço social? E qual democracia?? Foram dez anos de estouranço de esmolas, de faroeste empreendedor-mamador-sacador-de-subsídios, de patos bravos, montes no Alentejo, apartamentos no Algarve e bólides alemães – os anos de ouro da Audi, BMW e Mercedes. E foram dez anos de cavaquismo mumificado e autoritário, de ministros trafulhas, de enterro definitivo da capacidade produtiva do país, como já constatou acima o Victorino, de monstro público para ganhar botinhos, de privatização e mama público-privada. Foi a Múmia que abriu o caminho ao pântano Guterrista, à mediocridade Burroso-Santanista e até à ruína Pinto-Sousista; a sua herança podre perdura até hoje. O cavaquistão explica parte do nosso atraso e atavismo. Cavaco foi e ainda é o Salazar da loja dos trezentos de muita gente: o paizinho austero, ‘rigoroso’ e sabe-tudo por que muita carneirada suspira. É deprimente mas é verdade. Cavaco é uma vergonha, é sim senhor. É uma vergonha nacional termos tido tal espantalho, tal múmia paralítica, de vassoura espetada no rabo e a bater no peito enquanto mamava na SLN, dez anos como PM e outros dez como chulo presidencial. Vieram depois vergonhas ainda maiores – Gutteres, o 44, o Bosta? Talvez, mas uma coisa não apaga a outra.

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