IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MEXERICOS

 

O IRRITADO sabe que vai ser muito criticado por escrever o que a seguir escreve. Mas é o que pensa, e este blogue é feito com o que pensa.

 

Ontem e hoje vimos assistindo, em infernal berraria, à devassa pública dos rendimentos e posses dos políticos: o que ganharam, o que possuem, o que declararam. É o que as almas correctas pensam dever ser posto a nu. Em nome da transparência. Em nome da vigilância democrática.

O IRRITADO, talvez por desactualização mental, acha que se trata da mais repugnante bisbilhotice.

Se é verdade, e muito bem, que os políticos devem, enquanto cidadãos, ter os mesmos direitos que os demais, nem mais nem menos, e que, em matéria de obrigações, enquanto políticos, mais que os outros, como se justifica, de um ponto de vista moral, que lhes seja cortado todo e qualquer direito a ter o que têm ou ganhar o que ganharam, direito que os demais cidadãos prezam e exigem.

Que declarem o que são coagidos a declarar, vá que não vá. Que tais declarações sejam tornadas públicas é um crime contra a privacidade da vida de cada um e contra a própria natureza do estado de direito.

Todos os mais importantes princípios da vida em sociedade, para não falar de certos direitos evidentes e até constitucionais, são espezinhados pela exposição pública de tais dados.

Como qualquer cidadão, os políticos devem ser investigados no seu património e rendimentos se sinais claros ou fundadas suspeitas houver de que se locupletaram com o que não lhes pertencia ou que cometeram ilícitos patrimoniais, fiscais ou de qualquer outra natureza. Negar-lhes o direito ao sossego e à discrição da sua vida pessoal se nada se tiver a apontar-lhes é o mesmo que inverter todos os ónus morais e jurídicos que dão alguma dignidade à cidadania.

Confundir a transparência democrática com devassa sem suspeita é criar um ambiente policial. Pior, é transformar todos os cidadãos em polícias políticos, em agentes de perseguição sem causa.

 

24.8.11

 

António Borges de Carvalho



7 respostas a “MEXERICOS”

  1. Avatar de daniel tecelão
    daniel tecelão

    O que teme o IRRITADO?Que se descubra que ninguém é capaz de exercer CONVENIENTEMENTE 2 (dois) empregos?Que se descubra que ninguém é capaz de exercer CONVENIENTEMENTE 17 (DEZASSETE) empregos?Que se descubram os “ganhos” actuais de muitos políticos “reformados” no “activo”?Afinal, de que tem medo? De se descobrir que (maioritariamente) os políticos (REFORMADOS OU ACTIVOS) auferem rendimentos rendimentos anuais superiores a 100.000 Euros?

    1. Não tenho medo nenhum.Mas, como cidadão, não tenho nada com isso. E, como não sou polícia político, não tenho nada com isso.Se não cometeram crimes nem usaram ilegitimamente o seu poder, fico muito contente se estão bem na vida.

      1. Nem Pilatos responderia melhor!

  2. Num tempo em que: – o Governo se afadiga com novas e excitantes maneiras de nos aliviar do nosso dinheiro; – certamente devido a essa fadiga, pouco ou nada faz para diminuir o buraco negro estatal; – o Pinóquio, tal como todo o executivo anterior, continua alegremente desresponsabilizado; – a simpática Troika elogia o SAQUE deste Governo, e vai lembrando que os juros são para pagar na íntegra; – o simpático Alberto João clama por mais subsídios; – etc, etc; …o Irritado vem, em boa hora, lembrar a devassa dos rendimentos dos nossos políticos. Acho muito bem. Já era tempo de alguém defender esta classe, tão injustamente atacada, que trabalha quase de borla em prol do nosso futuro. Em virtude disso, prejudica quase sempre o seu próprio futuro. Os rendimentos dos políticos só interessam às autoridades competentes, que, como sabemos, são mesmo competentes. Como diria o autarca Isaltino, esta bisbilhotice não pode continuar. Além de violar os seus direitos constitucionais – e várias vezes o Irritado aqui elogiou a nossa sagaz Constituição – incentiva certos invejosos a questionarem certas justas remunerações, e regalias. Ninguém tem nada a ver com o que ganha o Sr. Relvas, ou o Sr. Aguiar Branco, ou o Sr. Nogueira Leite. Tal como disse o Sr. Alegre, quando questionado sobre a sua reforma de 3000 euros na RDP, onde esteve um par de meses, «só sei que é tudo LEGAL». E se é legal, não se fala mais nisso! Que raio de mania deste povo, de se meter na vida dos que gerem dinheiros públicos, e acumulam dezenas de altos cargos… O papel do povo, é votar e pagar impostos. A vida destes senhores não é para o seu bico.

  3. Este tema lembrou-me um episódio curioso, que não resisto a partilhar. Há meses, reencontrei um amigo que já não via há uns 10 anos. Filho de um merceeiro, licenciou-se em Filosofia (na Católica), trabalhando sempre para pagar os estudos. O negócio do pai faliu, este emigrou para os EUA, e o meu amigo seguiu-lhe o exemplo. Entretanto, tirou lá um mestrado, e dá lá aulas. Sempre manteve um discurso elevado, é pessoa culta e bem educada. Ora estávamos a falar, e eu comentei qualquer coisa sobre a política nacional. Ele ficou pensativo por uns segundos, e “out of the blue” disse alto: “temos é que fod** os cornos a esta corja política”. E calou-se. Não me lembro do que lhe respondi, mas a frase ficou comigo. É claro que me parece injusta, e desproporcionada: há políticos e políticos. Aos mais velhos e às mulheres, em particular, seria desonroso aplicar tal medida. Não, não era preciso tanto. Bastaria conhecer cada movimento das suas contas bancárias, cada bem dos seus familiares directos, cada viagem suspeita a um paraíso fiscal. Aos que não tolerem este escrutínio, a porta da rua é a serventia da casa. Que eu saiba, ninguém é forçado a candidatar-se. Além disso, pessoalmente prefiro o termo “canalha política”. Soa-me melhor.

    1. Comecei o post por prever os comentários que o honrariam.Como vêm, não me enganei.Mesmo dando alguma razão ao que está por trás dos comentários, reafirmo o prncípio de que os fins não justificam os meios.E, com rasgadas desculpas, mais não digo.

      1. O problema é que no caso em concreto “os meios (instrumentos) justificam os fins (resultados)”!Ou seja, nos resultados (rendimentos e posses dos políticos) maioritariamente são desconhecidos os meios (“lei” feita pelos “próprios”)!

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