IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MÁSCARAS

 

Ontem, uma data de figuras gradas da nossa pobre política dedicaram o dia a inúmeros exercícios de pancadaria verbal contra o discurso do PR. Talvez por engano, o Presidente fez uma prelecção realista, equidistante, democrática. Apelou ao bom senso e ao consenso, isto é, àquilo que toda a gente sabe: seria útil que o PS tivesse uma atitude patriótica e se dispusesse a concertar algumas coisas essenciais em termos de estabilidade, de futuro de médio e longo prazo, de compromisso histórico, de respeito pelas instituições democráticas e de credibilidade e capacidade de negociação com os credores.

Em vão, como era de esperar. Ao PS, o que interessa para contentar o oco e os seus santos de estimação, Soares, Alegre (Melo Duarte, de seu renegado nome) et alia, e dos seus poderosos demónios, Pinto de Sousa, Costa e outros pífios, é voltar ao poder a todo o custo. Deviam ter esperança de poder contar com um Presidente do tipo do sinistro Sampaio, que não hesitou em dar uma golpada totalmente ilegítima (para que serve, afinal, o Tribunal Constitucional?) quando apeou os que não eram da sua cor e atirou para o galarim os camaradas que viriam a dar cabo do país. Que interessa o país se não como trampolim?

O PR foi acusado de tudo: caiu-lhe a máscara, uma crítica que sumariza todas as outras, saída da boca dessa besta redonda que se chama Vasco Lourenço. Ou seja, quando um PR faz um discurso em que apela ao patriotismo dessa gente, em que defende a estabilidade dos mandatos – coisa de pouca estima entre nós -, em que apela à arduamente conquistada credibilidade externa que é o que nos mantém, apesar de tudo, a boiar na borrasca, há que Deus que está a apoiar o governo – como se o Presidente, à imagem de Eanes, Soares e Sampaio, tivesse o dever de ser contra o governo! – que não é independente, que lhe caiu a máscara!

Facto é que a máscara caiu do focinho de uma data de gente, a começar pelo bando de ignorantes e de esquerdistas primários que dá pelo nome de “capitães de Abril”. Caiu a máscara a toda a esquerda dita democrática. Neste 25, ficou mais claro que nunca que, para esta gente, o que se pretendia com o golpe militar era, sim, a democracia, mas desde que a democracia fosse socialista. Ou seja, o que eles queriam e, pobres, obsoletos e vesgos, ainda querem, é voltar aos tempos de antanho, em que a democracia propriamente dita era arrastada pela rua às mãos, armadas ou não, dos exércitos do socialismo. A unânime vozearia desta malta tem o claríssimo significado da defesa da democracia limitada, anquilosada, confundidos os conceitos de direito com os da absurda ideologia constitucional, confundida a Nação e a Pátria com a República, confundida a liberdade política com a obrigatoriedade de se ser socialista.

A liberdade prometida pelos capitães era, afinal, nas suas próprias palavras, uma ficção que encobria o desejo do exercício do poder por uma fracção da sociedade, integrada por socialistas e por enganados pelo socialismo.

Máscaras há muitas. A mais perigosa, a mais sinistra, a mais contraproducente, é a máscara de democrata ostentada pelo socialismo nacional.

 

26.4.13

 

António Borges de Carvalho   



5 respostas a “MÁSCARAS”

  1. Excellent as usual.Your post is the picture perfect of your society. SPOT LIGHT, POWER and ENTITLEMENTS are what all the NFG politicians aspire. Your flat footed ex-PM wants Europe to “get inspiration from the April 25”. What a load of crap. Enjoy your day.

    1. Ó “pázinho”, regressa á África do Sul!

  2. Que grande falácia, quando se afirma “…o Presidente … apelou ao bom senso e ao consenso …”, depois de dizer que (enorme disparate) “…fez uma prelecção realista, equidistante, democrática…”.Na verdade, o consenso (baseado no BOM SENSO) é que este (des)Governo é uma FRAUDE ELEITORAL.Assim sendo, deveria (não apelar), outrossim exercer os seus Poderes: expurgar o País desta fraude.

  3. «Atitude patriótica», «compromisso histórico», «respeito pelas instituições democráticas»… às vezes o Irritado parece viver noutro planeta, ou pelo menos noutro país. Qual foi a última vez que viu um partido dar, publicamente, razão a outro? Ou reconhecer que certa medida ou proposta é boa? Ou assumir que errou? Ou admitir, por um momento que seja, que não tem a melhor solução para tudo? Em Portugal, eu nunca vi. A razão é simples. Os nossos partidos (e políticos) têm um único objectivo: O PODER. Para atingi-lo, assumem uma postura maniqueísta, martelando-nos diariamente nos jornais e TVs, até que mesmo o eleitor mais alheado da política saiba que 1) eles são bons; 2) os outros são maus. A exemplo do nosso cavacal Presidente, jamais se enganam, jamais têm dúvidas, e são – cada um – o centro do Universo. Como eles têm a razão toda, os outros não podem ter nenhuma. Se amanhã o PSD apresentasse uma solução genial que resolvesse todos os problemas do país e da Humanidade, incluindo a cura do cancro e da fome em África, o PS diria imediatamente que era uma porcaria; e a haver algo de positivo, era porque o PS já o tinha dito há muito tempo – “finalmente o PSD deu-nos ouvidos”, etc. E vice-versa. Da mesma forma, é fácil saber quem é quem nas eleições autárquicas, só pelos cartazes e slogans: os que estão no poleiro dizem invariavelmente que “é preciso continuar”, como se 4, 10, ou 30 anos nunca chegassem; e os que querem poleiro dizem invariavelmente que “é preciso mudar”, como se não estivéssemos carecas de saber que serão mais do mesmo. Lá chegados, passa a “ser preciso continuar”. É sempre assim em tudo, e em todos os partidos. Sempre assim. ————————– Assim sendo: Falar em «patriotismo», neste regime, é como falar em fadas e unicórnios. O «respeito pelas instituições democráticas» é um duplo contrasenso, primeiro porque estas não o merecem, considerando a bandalheira, o compadrio, e a corrupção que por lá grassa, e segundo porque são democráticas apenas de nome. Há, no entanto, um «compromisso histórico» inegável: todos os partidos querem que tudo continue exactamente assim. Tal como o Irritado.

    1. Toda a razão, meu caro, excepto, parcialmente, nas conclusões. A última está completamente errada…

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