Apesar de vivermos num país de tarados, ele há coisas que ainda nos põem os cabelos em pé.
Durante uma das habituais greves dos coitadinhos da TAP, desta feita dos planeadores de operações de voo, a companhia, para evitar conflitos entre os grevistas e os “amarelos” e, simultaneamente, para dar algum seguimento a um trabalho que, se não fosse executado, prejudicaria não só a TAP mas muito mais gente, transferiu os segundos, que concordaram, para o hotel Radisson, a dois passos do aeroporto.
Até aqui tudo parece normal. O pior é que o sindicato resolveu queixar-se. Porquê? Porque o local de trabalho foi mudado e porque os trabalhadores tinham trabalhado mais horas que as que estão no contrato.
A queixa foi apresentada à ACT (Autoridade para as condições de Trabalho, mais uma!). Outra distinta entidade, de seu nome INAC (Instituto Nacional da Aviação Civil, mais um!) tem “uma investigação a decorrer”. Uma denúncia foi também apresentada pelo PC, estando o Ministério dos Transportes intimado a esclarecer o caso.
É evidente que esta gente diz que os trabalhadores (dois) aderiram à tal greve. Isto, como é óbvio, para convencer as pessoas que os ditos foram transferidos num carro celular, obviamente depois de levar um enxerto cada, e obrigados a trabalhar por dois gorilas especialmente contratados para o efeito e munidos de chicotes e soqueiras.
O pior é que os tais trabalhadores já declararam que ninguém os obrigou e que se refugiaram de livre e soberana vontade no hotel.
Alegam os contestatários que os dois heróis (ou bandidos, consoante a apreciação de cada um) desempenharam as tarefas normalmente atribuídas a 30 mânfios, dos quais, pelos vistos, 28 estavam em greve.
Conclusões:
a) Se dois trabalhadores, ainda que com esforço acrescido e horas a mais, fazem o trabalho de 30, então a maioria dos 30 mânfios está lá a mais, devendo ser dispensada o mais depressa possível, a fim de lhes dar a possibilidade de ir fazer greves para outro lado;
b) Neste país de tarados, em que, mercê da inteligência governativa do senhor Pinto de Sousa & Cª, há gente a alimentar-se dos restos dos restaurantes, uns fulanos bem pagos decidem, por dá cá aquela palha ou aquela regalia, pôr-se em greve e exigir que o patrão deixe, por causa disso, de prestar os serviços que deve, e pode, prestar à comunidade;
c) Um caso de lana-caprina como este põe em acção pelo menos uma “autoridade”, um “instituto”, um ministério, tudo gente a quem temos que pagar ordenados e não só, e que seria legítimo supor que prestam algum serviço em vez de andar a entreter-se com leninismos de porcaria;
d) O PC e o sindicatos seus filhos não existem para defender seja que direito for, muito menos o direito a não fazer greve, ou seja, a desobedecer às ordens do PC e dos sindicatos seus filhos.
6.4.11
António Borges de Carvalho

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