IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MALHAS QUE A INVEJA TECE

 

Tal como era de prever, o post anterior deu origem a alguns indignados protestos.

Começo por dizer que o autor do IRRITADO não aufere do Estado outra coisa que não seja uma pensão relativamente modesta e o célebre subsídio dos combatentes. Embora ninguém tenha nada a ver com isto, há que fazer esta declaração de não interesse pessoal no assunto, a fim de prevenir as acusações das criaturas mais rancorosas.

 

Ainda ninguém se lembrou de pôr em causa os ordenados que auferem, acompanhados de gabinetes mobilados à maneira, de secretárias, motoristas, automóveis, etc.,vitaliciamente, os ex-presidentes da república.

Porquê? Não se percebe.

O IRRITADO é a favor de tais mordomias. Poderão ser criticadas por ser altas demais (não sei se o são). Mas o princípio está certo.

Houve, há bem poucos anos, um primeiro-ministro britânico que morreu na miséria. Acham bem? O IRRITADO não acha.

A democracia tem custos. Não são esses os custos que nos arruinaram.

Os da má governação, sim.

Não fomos nós, portugueses, que pusemos o senhor Pinto de Sousa no governo a seguir a um golpe de Estado perpetrado à sua medida e no seu interesse? Não fomos nós, portugueses, que não tivemos sentido crítico perante a golpada, antes a defendemos e justificámos? Não fomos nós, portugueses, que, depois de quatro anos do mais horripilante descalabro, nos deixámos enrolar pela demagogia e voltámos a eleger o intragável fulano? Não fomos nós, portugueses, que deixámos passar seis anos até “acordar”? Não fomos nós, portugueses, que só acordámos quando a coisa bateu no fundo e os credores nos caíram em cima?

 

Agora queremos ir buscar o dinheiro aos subsídios vitalícios dos políticos. Achamos que ganhamos alguma coisa, isto é, dinheiro que se veja, com isso?

É evidente que pouco ou nada ganhamos.

 

Voltando atrás, se os ex PR’s têm o que têm, porque não hão-de os outros ter também o seu quinhão? Ou há moralidade ou comem todos, não é? Não, não é. O nacional-rancorismo não pode aceitar tal coisa.

 

Assim, postas as coisas em matéria de puros princípios, aceite-se que, dada a situação de total ruína a que nos levaram, todos devem fazer sacrifícios. Por maioria de razão, os políticos, para dar o exemplo. 

O IRRITADO acha muito bem que, tal como os dois meses que os funcionários vão perder, também os ex políticos deviam perdê-los. Como só recebem doze meses, então que fossem taxados em conformidade. O IRRITADO, sem concordar, até pode admitir que, durante a crise, os subsídios vitalícios sejam suspensos, o que corresponderia a um prejuízo ainda maior. Muito a custo, até poderia tolerar que, se os “reformados” da política continuam a exercer funções remuneradas, a partir de certo plafond, fossem obrigados a escolher, ou taxados de forma especial.

Mas o que a nacional inveja exige é muito mais. Acabem com tudo! No meio desta miserável campanha o pior é a medrosa reacção da classe política, que parece querer ir tão longe quanto lhe é exigido pelos mais rascas sentimentos “sociais”.    

O argumento que mais colhe é o daqueles que alegam que, tendo os políticos levado a sociedade inteira a endividar-se, deveriam ser todos metidos, a pão e água, num campo de concentração.

E nós? Nós, que andámos alegremente a comprar casas sem ter dinheiro para as pagar (os portugueses são proprietários de mais casas que os alemães!), a comprar carrões a bochechos, a passear nas Caraíbas com dinheiro dos bancos? A não investir um tostão? Não temos culpa de nada?

Com certeza que temos, ainda que com uma importante atenuante: fomos na conversa do “país de sucesso” do senhor Pinto de Sousa, fomos na conversa dos incentivos fiscais às compras mais malucas, fomos em muitas conversas.

Mas não estamos inocentes. Enquanto os alemães, em vez de se pôr a gastar se puseram a poupar e a emprestar ao Estado, nós não só não poupámos nada como gastámos o que não tínhamos e deixámos que o Estado, apesar dos avisos, continuasse a endividar-se no estrangeiro. Votámos nisso!

Visto isto, a culpa não é só dos políticos.

 

Se nós pagamos, os políticos também devem pagar. Se os políticos pagam, nós também devemos pagar. Certo.

Mas que os exageros fiquem por conta dos indignados e dos invejosos, e não cheguem ao poder, estupidificando-o.   

 

25.5.11

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “MALHAS QUE A INVEJA TECE”

  1. “o post anterior deu origem a alguns indignados protestos”.Bem , plagiando o IDIOTA que aqui muito comente (melhor dito, “bolsa”)..???Na verdade, não vislumbrei, dos dois comentários, algum “indignado protesto” (agora sim)!!!

  2. DEFINIÇÕES (TALVEZ) ÚTEIS AO IRRITADO inveja – s. f. 1. Desgosto pelo bem alheio. 2. Desejo de possuir o que outro tem (acompanhado de ódio pelo possuidor). Confrontar com: indignação – s. f. Agastamento em que entra repulsão e censura. ——————- responsabilidade – s. f. Obrigação de responder pelas acções próprias, ou pelas coisas confiadas. Confrontar com: impunidade – s. f. 1. Falta do castigo devido. 2. Tolerância de crimes ou desaforos.

  3. Caro IRRITADO,Na realidade o poder está estupidificado e o resultado à vista. O sistema desenhado e concebido simplesmente não funciona e não será, certamente, influência de indignados e invejosos, mas de outras criaturas.Quanto ao exemplo Alemão de empréstimos dos cidadãos ao próprio Estado, por favor, queira verificar em que condições o fizeram e, já agora, compare-as com as propostas que o nosso Estado nos fez a nós; penso que vai gostar. Quanto à habitação, queira ter em conta que até a um passado recente, era bastante mais económico comprar casa do que arrendar … pelo simples facto do mercado de arrendamento não funcionar devido a uma lei caduca e sem nexo que vigora neste país há mais de 40 anos.Por último, responsabilidade colectiva sim, mas com as maravilhosas contas públicas que continuamos a apresentar, não lhe parece que talvez tenha chegado o momento para os ex-governantes (?) em actividade na iniciativa privada abdicarem dos seus “direitos adquiridos” no Estado”?

    1. No que aos alemães diz respeito e vistas as coisas com a minha cara Mónica, dou a mão à palmatória: sei o que o socratismo fez a tais poupanças. Mas ahvia alternativas nos bancos.Também tem razão no que respeita à lei das rendas, coisa inventada pela I Repúbluca e que ninguém teve coragem para mudar a sério, bem palo contrário. Uma lei há que vai sobrepor-se às da Republica: a lei da morte (dos inquilinos velhos). Mas o mal está feito, e de forma devastadora.Quanto às “abdicações”, acho que o post responde.

      1. Claro que responde … não concordo que homens e mulheres, válidos e activos, recebam “reformas” para a vida só porque passaram 4 anos no governo ou na CGD . Especialmente numa altura de crise como esta. Tal como o IRRITADO, penso que deveríamos ter governantes bem pagos. Não concordo com a política do subsídio e, para a vida, então, fora de questão.

  4. Munidos das definições acima, vamos lá então. ———— «Ainda ninguém se lembrou de pôr em causa… [as mordomias] …dos ex-PR». Imensa gente põe em causa as mordomias dos ex-PR, imensa gente as considera indevidas, excessivas, imorais. Aliás, não conheço NINGUÉM (fora da política) que as não ponha em causa. Ah, espere, minto: conheço o Irritado. ———— O Irritado sabe de um PM britânico que morreu na miséria. Pois há dezenas de milhares de portugueses que estão a morrer, ou vão morrer, na miséria. Basta ir a qualquer bairro antigo de Lisboa: gente sem dinheiro para medicamentos, em casas decrépitas, com reformas de 300 e 400 euros. No interior, é bem pior. Não os conhece? É natural: nenhum foi PM. Também nenhum foi PR, Presidente de Governo Regional, Presidente da AR, Ministro, Deputado, ou, que eu saiba, sequer Presidente da Câmara. Talvez seja uma coincidência, não sei. O que é que o Irritado acha? ———— A democracia tem custos, mas isto não é uma democracia. É outra coisa. Bem mais cara. ———— Os culpados somos “nós todos”, porque elegemos um trafulha incompetente e ruinoso. Mas não foi o primeiro: de 1975 até hoje, já elegemos MILHARES de políticos trafulhas, incompetentes, e/ou ruinosos. É, antes de mais, uma questão de probabilidades: se temos uma saca com 100 batatas, das quais 95 estão PODRES, e 5 estão sãs, é natural que nos calhem mais batatas podres do que sãs.

  5. A solução? Sim, tenho uma solução. Já certo general romano, há milhares de anos, afirmava que somos um povo que não se governa nem se deixa governar. Hoje, ninguém duvida que o fulano tinha razão. Mas toda a gente reconhece a produtividade dos emigrantes portugueses, que se integram em qualquer país, trabalham, poupam, todas as coisas que o Irritado elogia no post. É um facto comprovado: dentro de um sistema (bem) organizado por outros, prosperamos. Eis a solução: se não nos governamos, temos de nos deixar governar. Precisamos de uma espécie de Troika permanente, não composta por agiotas, como esta, mas um autêntico GOVERNO. O primeiro digno desse nome em 35 anos, para não ir mais longe. Não nos deixamos governar, quando nos sentimos invadidos por uma força hostil (ou por espanhóis em geral), mas isto não seria uma invasão. Não abdicaríamos da soberania, da Língua, da cultura(?), da identidade nacional. Seria como um clube de futebol que vai buscar craques estrangeiros, como acontece em todo o Mundo. Pelo menos 51% do Governo e do Paralamento devia ser composto por técnicos e ex-políticos estrangeiros. Escandinávia, Bélgica, Holanda, Alemanha, Áustria, as opções são muitas, e todas melhores do que as nossas. Não tenho a ilusão de que nos tornaríamos uma “Escandinávia do sul”, ou que tal Governo fizesse milagres. Mas se não for alguém de fora a mudar certas coisas, ninguém cá dentro o fará. As suas primeiras prioridades deviam ser reformar a Constituição, e a Justiça. Em seguida, apurar RESPONSABILIDADES. Adeus, prazos ridículos de prescrição! Adeus, “comissões de inquérito” que nada inquirem! Adeus, arquivamentos compulsivos! Adeus, processos que levam sete e oito anos a chegar a lado nenhum! Deliro com a perspectiva de ver certos figurões no banco dos réus, com um tradutor ao lado, pois até o juíz seria estrangeiro. Quando surgisse a inevitável oferta de uma transferência entre offshores, isto apenas serviria como prova adicional. Já imagino o choque do réu: “Mas esta gente não é normal?!”. Aí sim, veríamos a nossa canalha política a SALTAR. De preferência, daqui para fora. E então sim, os portugueses honestos teriam lugar na política. A malha do sistema seria tão apertada, e certas regalias tão diferentes – veja-se por ex. as do Parlamento sueco – que os partidos perderiam boa parte dos seus actuais chulos e trafulhas. Sim, bem sei que é apenas um sonho. Mas o sonho comanda a vida, como dizia o António (o outro).

  6. Caro IRRITADO,Tenho um último comentário … último mesmo. O facto de pensar de forma diferente da sua relativamente a este assunto, não significa inveja; por natureza, não invejo. O meu sentido da vida passa por outros valores que não um salário, maior ou menor (tenho sorte).Considero a atribuição antecipada de pensões vitalícias a políticos e ex-governantes bastante injusta relativamente ao resto da população; temos políticos reformados para a vida aos 45 anos, benesse que não é concedida a profissões de alto desgaste (como, por exemplo, bailarinos). Penso que por questões de principio e coerência, os ex-governantes deveriam receber as respectivas reformas, na idade da reforma, como todos nós. Não entendo porque é que o IRRITADO os considera seres superiores, aparte da sociedade.O IRRITADO que gosta tanto das sociedades evoluídas, sabe que esta situação é, e seria impensável nos países nórdicos, ou na Alemanha. É digna do terceiro mundo.Continuo a defender que se revogue de imediato esta lei e, claro, o IRRITADO tem razão quanto às “abdicações”.Tenha um óptimo dia,M

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