IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


LUTO

 

Durante os últimos dez anos, os cidadãos de Braga tiveram à sua disposição o que foi classificado como o melhor hospital do serviço nacional de saúde.

No mesmo dia em que os portugueses são alertados para as monumentais dívidas dos serviços de sangue e para os riscos que corre quem deles precisa, o hospital de Braga passa a ser gerido pelo Estado. Pelo mesmo Estado que atrasa cirurgias e consultas por meses e anos, que deve milhões aos fabricantes de medicamentos, que está afogado em agitação social, que vê, sem comentário nem contrição, emigrar um número astronómico de profissionais, que não tem, sob a sua tutela directa, um único serviço de saúde sem graves problemas, cuja gestão é um caos, que põe os portugueses a pagar esse crime social que foi, e é, a semana de trinta e cinco horas, o melhor de todos os hospitais do SNS cai nas mãos de quem tudo isto provocou!

Porquê? Muitas “razões” poderão ser invocadas. Mas há uma que tudo resume, aliás bem expressa por uma cidadã a que chamam ministra da saúde: nas suas palavras, trata-se de uma “razão ideológica”. A mesma, aliás, que motivou o crime das trinta e cinco horas.

Donde se conclui que, se a ideologia curasse, havia bons cuidados de saúde em Portugal. Mas não cura, mata. A saúde interessa pouco, como interessa pouco uma educação sem avaliação dos professores e dos alunos, como interessam pouco os serviços públicos em geral.

Interessa a ideologia, o Estado, os eleitores da função pública, a mais desbragada propaganda de que há memória – II República incluída -, em suma, o caminho para a servidão.

É o que devemos à esquerda, cada vez mais esquerda. Como dizem as sondagens, vamos ter mais do mesmo nos anos que aí vêm. A geringonça vai continuar a sua obra de fatal desprezo por nós e pelo nosso futuro. Alguém acredita que o usurpador está zangado como o Bloco?

O meu luto não é só pelo Hospital de Braga. É pelo meu país.

 

1.9.19



6 respostas a “LUTO”

  1. O seu luto é justo, mas já vem tarde: há 40 anos que o Centrão Podre, o esgoto mais fétido do país, o escavaca alegremente em proveito próprio. Também não me lembro de estar de luto quando o seu PSD vendia o país em saldo a mamões. As aldrabices da Gerimbosta, pelo menos, não serão tão irreversíveis. Os activos do Estado, esses já não voltam.

    1. Acha que o que se passa é culpa do centrão? Não será do esquerdão?

      1. É mesmo do centrão. Percebo que só olhe aos últimos três anos. Dá-lhe jeito. Mas o saque e a bandalheira não têm três anos. Desde o 25/4 já houve uns vinte governos. Praí metade foram do PSD.

  2. Mas nem tudo é mau. Bonitas notícias dos EUA, farol do capitalismo, glorioso modelo da saúde privada: https://www.hhs.gov/opioids/about-the-epidemic/ Resumindo a coisa. No final dos anos 90, as farmacêuticas descobriram uma mina de ouro: os analgésicos opioides. Através de estudos ‘científicos’ e rios de propaganda, foram criando uma imagem de medicamentos seguros, eficazes, que não criavam dependência nem traziam riscos aos pacientes. Os médicos começaram a receitá-los em massa. Em 2012, o pico, foram passadas 250 milhões de receitas de opioides – 4/5 da população americana. Resultado: milhões ficaram viciados. As mortes por overdose dispararam, sendo hoje a maior causa de morte nos EUA abaixo dos 50 anos – quase 50.000 pessoas por ano. Muitas outras começaram a consumir drogas como a heroína. É a maior crise de saúde pública de sempre nos EUA. E é uma crise especificamente americana. Porquê? Pela sua saúde privada. Todo o sistema assenta em ganância: os seguros de saúde tendem a pagar apenas comprimidos, os medicamentos mais baratos que for possível, sobretudo às pessoas mais pobres, com seguros menos caros. É por isso que a prescrição de opioides é muito mais alta nos EUA do que em qualquer outro país; além da ganância criminosa das farmacêuticas, tudo está feito para encher o mamão e lixar o mexilhão. Médicos e hospitais, quase todos mamões e/ou mercenários, são parte do problema. Só no ano passado, receberam 9 mil milhões das farmacêuticas. A canalha política saiu mais barata: foram só mil milhões em lobbying. Aqui tem o desfecho inevitável da saúde privada. O triunfo da ganância. Regozijemo-nos: ao menos não é Estado!(E claro que as suas vítimas jamais serão atribuídas ao capitalismo; como toda a gente sabe, só o comunismo mata.)

    1. Quer dizer que, se fosse o Estado a tratar do assunto, o problema não existia? Santa ingenuidade!

      1. Não existia, porque o Estado não precisa de vender comprimidos, não tem accionistas, não se rege por lucros. V. se calhar nem leu: foi a máfia farmacêutica que criou esta crise, exclusiva dos EUA, com a colaboração da máfia médica. Foram eles que viciaram deliberadamente milhões de pessoas, para lucrar milhares de milhões. Isto ocorreu nos EUA devido a um sistema de saúde onde quase tudo depende de seguros, que procuram pagar o menos possível. O sistema impingiu as drogas às pessoas, sobretudo às mais pobres, por pura ganância. Uma das farmacêuticas, a Johnson & Jonhson, foi já condenada. Vai pagar uma indemnização de 572 milhões, meras cócegas – o estado do Oklahoma pedia 30 vezes mais – mas pode ainda ser processada pelos restantes estados. Este caso está longe de ser uma anomalia ou uma excepção: é o normal do capitalismo – vender, crescer, esmifrar a todo o custo – e vai sempre acontecer enquanto se misturar saúde com lucro. Os EUA são a prova viva disto. Apenas a sua cegueira ideológica – o mesmo que critica à esquerda – o impede de ver as evidências.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *