Na Bolívia impera um índio que, para além de outros profundos pensamentos, foi capaz de, cientificamente, concluir que o número de deficientes sexuais, vulgo maricas, cresce na razão directa do consumo de frangos de aviário.
O IRRITADO já se referiu a esta douta asserção. Quando se fala deste poderoso senhor, vale sempre a pena repeti-la a fim de posicionar os leitores de forma a melhor apreciar a qualidade intelectual do fulano.
O senhor Morales:
– É, a título pessoal, cultivador de folha de coca;
– É presidente, há vinte anos, da associação da união dos sindicatos de cultivadores de coca do Chaparé;
– Na constituição que fabricou, o cultivo (tradicional!), pelos índios, da folha de coca foi classificado como património cultural da nação;
– Na mesma constituição, o senhor Morales criou o estado plurinacional da Bolívia, não porque haja duas nações, mas porque institui o “apartheid” entre índios e brancos;
– Instituiu a cultura “oficial” de coca em 12.000 hectares;
– Fechou os olhos ao aumento “ilegal” desta área, que hoje cobre cerca de 39.000 hectares;
– Transformou a Bolívia no terceiro maior produtor mundial da folha de coca;
– Expulsou a agência americana para a luta contra o tráfico de droga;
– Deixou que se instalassem no país cartéis de droga mexicanos e brasileiros.
Posto isto, o senhor Morales, em mais uma manifestação dos seus altos critérios intelectuais e políticos, exprimiu este fabuloso pensamento: “dei-me conta que o narcotráfico não é assim tão pequeno. (…) É uma enorme delinquência.”
Posto isto, o senhor Morales encarregou a Miss Bolívia de chefiar a luta contra o tráfico de droga.
A comunidade internacional pode ficar descansada. O presidente Morales, assessorado pela Miss, vai, com certeza, ser um dos mais fiáveis lutadores contra o comércio de cocaína, comércio para o qual o seu país contribui, por ano, com cerca de 500 milhões de dólares.
Se o nosso governo quiser aprofundar e alargar o seu leque de relações internacionais privilegiadas, aí tem um homem que, na senda do amigo Chávez, pode proporcionar um relacionamento sério, prestigiante e proveitoso. Para além, é claro, de um bom mercado para a expansão do “Magalhães”.
19.8.10
António Borges de Carvalho

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