Em 23 de Dezembro, os grandes dirigentes e educadores das massas ferroviárias confirmaram a greve que vão fazer no Natal e Ano Novo.
O IRRITADO já teve ocasião de classificar esta gente como pura trampa em figura humana.
Especificados os motivos que levam a tal greve, passa o IRRITADO a considerar a classificação com que os brindou como uma infame ofensa à trampa, coisa que todos os humanos produzem em maior ou menor quantidade e que, mau grado os odores que produz, tem com certeza mais dignidade e humanidade que os maquinistas da CP.
As repugnantes criaturas privam os seus concidadãos de transportes no Natal e Ano Novo porque… a empresa moveu processos disciplinares a alguns deles… e se propõe anular apenas os que sofram de vícios formais ou materiais.
Isto é, os criminosos recusam todo e qualquer processo disciplinar contra algum deles instaurado. Consideram-se acima dessas coisas. Recusam integrar o comum dos mortais. Têm poder sobre os outros e exercem-no sem quaisquer limites.
Eles, grandes e bem pagos heróis, de quem depende o transporte de gente a quem não devem consideração nem respeito – meros animaizinhos sobre os quais exercem um poder discricionário – são, por definição, anjos puros insusceptíveis de qualquer recriminação, o que significa que o poder de que, de facto, dispõem, lhes permite actuar como muito bem entendam, sem que seja quem for os possa recriminar. Por isso exigem, inchados de razão, estar acima e para além de qualquer processo que não dependa da sua própria autoridade. Processos disciplinares contra eles, nem pensar! Eles proíbem!
A greve dos maquinistas da CP no Natal e Ano Novo nada tem a ver com o exercício legítimo do direito à greve, não só porque o motivo alegado é totalmente improcedente como porque, ofendendo com a mais impiedosa brutalidade os direitos dos demais, constitui um desbragado desrespeito pela democracia, pela legitimidade, pela legalidade, pelos direitos humanos, exercido em plena consciência e total ausência de escrúpulo.
Tratando-se de adjectivar esta gente, chamar-lhes trampa é um elogio.
27.12.11
António Borges de Carvalho

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