O exército do terrorismo mental, chefiado por galambas, porfírios e pachecos, entrou em frenética actividade contra o slogan de Passos Coelho que defende a social-democracia no âmbito das eleições partidárias. É natural. Outra solução lhes não resta senão o trauliteirismo ignorante e o fogo-fátuo de demagogia.
Anos a acusar, estúpida e gratuitamente, Passos Coelho de liberalismo, neoliberalismo e de mais não sei que invenções, fica esta gente chocada quando o homem fala em social-democracia.
– Declaração de interesses: não sou social-democrata, nem democrata-cristão, nem nada que se pareça; se quiser auto classificar-me, direi que sou um individualista, conservador e liberal, com muita honra e orgulho. Além disso, sou monárquico, com igual honra e não menos orgulho. Abomino presidentes enquanto tal. Como é evidente, não tenho partido, nem vontade de entrar em nenhum. –
Posto isto, vejamos que ideologia, se é que alguma, animou a governação de Passos Coelho. Entalado entre a dívida e os ditames da troica, qual foi a sua política? Obrigado a aumentar impostos, salvaguardou os rendimentos mais baixos (opção social-democrata). Obrigado a baixar salários, poupou os mais pobres (opção social-democrata). Obrigado a privatizar, fê-lo com moderação, ficando aquém da troica (opção social-democrata). Obrigado a diminuir drasticamente o número de funcionários públicos, rodeou-se de inúmeras cautelas e não instituiu o despedimento (opção social-democrata). Obrigado a cortar no Estado social, manteve praticamente intactos os respectivos serviços (opção social-democrata). Aturou os desmandos do comunismo alojado nos sindicatos (opção social-democrata). E muito, muito mais, sem qualquer comparação ou contacto com políticas liberais.
Uma política liberal faria as coisas muito mais no duro. Punha na rua milhares e milhares de funcionários públicos. Taxava todos, pobres, remediados e ricos. Privatizava a saúde e o ensino. Enfrentava os sindicatos, o Tribunal Constitucional, o que fosse preciso para endireitar as coisas. Seria uma espécie de tatcherismo em versão lusitana.
Nada disso. Passos Coelho enfrentou a crise e o Memorando como um verdadeiro social-democrata.
Está no pleno direito d defender a ideologia que é a sua e do seu partido. Infelizmente, direi eu, que sou um liberal.
8.2.16

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