Toda a gente sabe que o investimento público no primeiro ano da geringonça (2016) foi zero, ou quase. Toda a gente sabe que qualquer percentagem de zero é igual a zero.
Vem isto a propósito de mais uma triunfal declaração do chamado primeiro-ministro: “em 2017 o investimento público subiu 20%, em 2018 vai subir 40%!” Eis como se transforma zero num extraordinário feito.
É assim a vida. Outro exemplo: em matéria de crescimento económico, Portugal é 31º em 34 (OCDE); entre os países do euro, é 14º em 17; nos países intervencionados, é 3º em 4, a larga distância dos outros 2. Mais um milagre da geringonça: transformar um crescimento miserável, decpcionante, num espantoso feito das suas políticas. Isto, num cenário de generosidade do BCE, de petróleo barato, de turismo em alta, de mais forte crescimento europeu.
Pior é difícil.
A propaganda do poder é avassaladora, isenta de escrúpulos, avessa à verdade. Parece ter anestesiado os portugueses que, maioritariamente, a compram como boa. Até o maior partido da oposição se mostra cordato em vez de contar a verdade às pessoas, denunciando as mentiras e o desastre que é a política económica do chamado governo.
A saúde já afundou o buraco em bem mais de mil milhões. E não funciona! A educação mostra resultados catastróficos, não se sabendo, além disso, a profundidade do buraco. Poupança privada, não há. Os portugueses continuam a ser incentivados a contrair dívidas de longo prazo. O Estado aumenta as sua colossal dívida à banca. Reformas estruturais, zero. Crescimento da produtividade, zero. O desemprego jóvem e a baixa dos salários são mais que evidentes. A segurança social não tem solução à vista.
Tudo se sacrifica ao contentamento das clientelas. É o triunfo de uma esquerda hipócrita, propagandística e demagoga. Ou, simplesmente, da esquerda, seja ela qual for.
Não se percebe a cegueira de Bruxelas em relação ao que, de estrutural, se passa nesta terra. O défice orçamental diminui, e parece que chega. O senhor Centeno cativa, cativa, e empurra o futuro com a barriga.
Óptimo! A floresta de enganos nunca esteve tão viçosa.
6.3.18

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