IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


HÁ-DE SER O QUE CALHAR

 

Em matéria de política, há especialistas de futurologia com fartura. Já li que o vírus causará uma vaga de nacionalismo, como li que será uma oportunidade para que as nações aprendam a presar o multilateralismo, a união da Europa, a colaboração internacional.

Quem terá razão? Se calhar, ninguém. Depois da tempestade a bonança, tudo voltará a ser como era.

Uma coisa é certa: o vírus pôs à solta um oceano de oportunidades para opinar. O IRRITADO aproveita, faz o mesmo, dirão com alguma razão. Só que o IRRITADO não vem declarar a última e a mais certa das opiniões, vem dizer que não tem opinião nenhuma. Nem que o vírus vai unir, nem que vai desunir, nem que nem uma coisa nem outra.

É certo que, pelo menos na UE, a “solidariedade fundacional” funciona pouco, e mal. Cada um está entregue a si próprio, salve-se quem puder. Daí, há quem veja o fim da União, a somar à “razão” dos britânicos, dos catalães, dos populistas “nacionais”. A UE, dada a urgência, não trata nada com urgência. Eurobonds? Pois, mas. União bancária? Pois, mas. E por aí fora. Quem vai triunfar, os que se fecham ou os que querem unir-se mais ainda? Uma sociedade que se rege pelo critério da unanimidade pouco mais pode para além de encanar a perna à rã. Será que anda por aí algum líder capaz de tomar as rédeas? Se há, está escondido a mau recato. Parece que os pessimistas têm razão.

Mas há os outros, os que dizem exactamente o contrário, que o vírus, mais cedo que mais tarde, motivará uma onda de solidariedade europeia e universal que fará com que as pessoas prezem mais a concórdia e se tornem capazes de cerrar fileiras em face de um inimigo comum. O pior é que, sinais disto, para já, quem os dá são os chineses, sendo legítimo perguntar com que veladas intenções.

Enfim, esperemos, é o que há a fazer. Há-de ser o que calhar. Até lá, analistas não faltam, o que falta é juízo.

 

23.3.20



5 respostas a “HÁ-DE SER O QUE CALHAR”

  1. «analistas não faltam» É bem verdade mas serão os mesmos de sempre? Terão uns quantos migrado do futebol adaptando-se ao novo ecossistema noticioso? Ou serão outros que se ficavam pelo sofá mas andam agora em busca das suas oportunidades? E quem terá razão, os velhos analistas ou esses novos? Nenhum ou todos… um pouco cada um? Ou, no fundo, são todos iguais? Se calhar o problema não está na variedade mas na dificuldade em conciliar pontos de vista. Ou talvez o problema esteja mesmo em desmascarar os maus pontos de vista dessa variedade. Os pensamentos e ideias são muitos e realmente variados apesar de nem sempre fazerem sentido mas suponho que isto dependa apenas do sofá onde habitualmente cada um se senta. Eu mesmo sou um óptimo analista de sofá (modéstia à parte) com os mais triviais, mundanos e respeitáveis pensamentos e análises se bem que compreendendo cada vez menos daquilo que julgava começar a entender. Se calhar são é todos parecidos comigo que já vou num monte de linhas escritas e ainda não disse nada de jeito. Aqui ficam mais algumas linhas minhas para satisfação minha e certamente aborrecimento de quem as ler: – – – – – O Governo já anda a dizer que o pico será a meio de Abril. Teremos quarentena para um mês? – – – – – Fechando as barbearias, como ninguém quererá ir novamente para o emprego com aspecto de vagabundo, daqui por um mês veremos filas intermináveis de homens horas e horas à espera para o corte de cabelo, isto é, em tudo semelhante ao que já acontece agora a quem vai às compras abastecer a despensa. Proponho assim uma alteração aos decretos de estado de emergência para que, uma vez terminados, ninguém seja forçado a ir para o trabalho todo guedelhudo e com piolhos escondidos. É assim essencial que seja permitida a antecipação em uma semana da abertura das barbearias! Parece-me lógico! – – – – – Abastecer a despensa não está fácil. Está a ter severas consequências o limite de 1 pessoa por cada 25 m2… ao ponto de, como já se previa, se formarem filas de gente à espera de poder entrar. O que não se previa é que, para ajudar à festa, houvesse cadeias de supermercados a nem esperaram um dia ou dois para ver como as coisas corriam, simplesmente anunciaram logo uma redução significativa do horário de abertura, o que é deveras fantástico! Quem se lembrou de tal coisa, ainda por cima alegando maior segurança para os clientes, só pode ser um génio… daqueles mesmo espertalhões! Consequência? Há filas a dobrarem a esquina do quarteirão e esperas tão longas como duas a três horas já da parte da manhã, pelo menos na minha zona que até está bem servida de super e hipermercados. Felizmente (quem diria), o tempo está fresco e ainda ninguém desmaiou a meio da espera, que eu saiba (mas ainda estamos no início). Há assim quem tenha cabecinhas pensadoras a funcionarem exactamente ao contrário. Com a imposição de um limite de clientes no interior das lojas, em vez de diminuírem o horário de abertura… muito mais sensato seria alargarem-no consideravelmente de modo a que as pessoas se pudessem espalhar mais ao longo do dia e também da noite prevenindo assim que as filas e tempo de espera aumentassem demasiado. Em vez de passarem a fechar às 5 da tarde, deviam ter passado a fechar às 11 da noite ou mesmo à meia-noite. Isto sim, seria terem alguma consideração pelos seus clientes. – – – Conselhos contra o açambarcamento não faltam mas a alternativa ao carrinho bem cheio seria ter de esperar as tais duas ou três horas de cada vez que começassem a faltar umas coisitas na despensa. E alguém dirigir-se para as caixas de pagamento com o carrinho bem cheio nem sequer é garantia de estar a açambarcar… por mais que haja quem olhe de lado, aquele olhar de lado reprovador! Muitas pessoas passaram a ir sozinhas às compras mas não estão a fazer compras só para si. O que se vê nos seus carrinhos bem cheios pode até ser para abastecer mais do que uma casa. Podem estar a abastecer-se a si e à sua família mas também a abastecer os seus pais, avós ou até o idoso (ou idosa) que vive sozinho no prédio.

  2. (continuação…) – – – Há ainda supermercados benevolentemente a informarem através do seu “site” que, entre outras pessoas, também os idosos têm prioridade no atendimento… mas quantos idosos saberão deste privilégio? Ainda não vi nenhum empregado a percorrer a fila de espera em busca de idosos para os informar e fazê-los passar à frente. E que giro seria giro um empregado percorrer a fila em busca de maiores de 70 (idade que vi num dos “sites”) mas dirigir-se a quem ainda nem 60 tenha! A pessoa já farta de estar à espera e, assim do nada, receber um elogio destes… até caía mal! – – – Foram detidas 7 pessoas por alegado crime de desobediência.. Uma estaria sozinha mas as outras aparentemente estavam em grupo, possivelmente a confraternizar… Pessoas bem dispostos a rirem e a divertirem-se no meio de uma qualquer rua? Não, nem pensar… prisão com elas! Parece que, entretanto, já mais tiveram o mesmo destino. – – – – – BCE aprova pacote de ajuda de 750 000 milhões. Supõe-se que outros se seguirão nos próximos meses… Isto de mandar imprimir dinheiro sem que haja um mínimo de criação de riqueza ou mesmo criação de seja do que for, e sem que se permita que a inflação aumente… deve dar uma bela receita! A ver vamos se este cozinhado não sai queimado!!! – – – – – A população está em decréscimo, envelhecida e há problemas de sustentabilidade na Segurança Social e sistemas de pensões? Ora, basta que, de vez em quando, se criem umas quarentenazinhas com os casais obrigados a ficarem em casa sem mais nada que fazer. Não falha! – – – Se até final do ano, daqui a curtos 9 meses, não tivermos vacinas para este novo vírus, lá estaremos nós outra vez no habitual pico da gripe sazonal. em pleno Inverno, quem sabe se sob nova quarentena mas agora com as maternidades a rebentar pelas costuras com tanta grávida a querer desembarrigar! – – – – – O pessoal das alterações climáticas deve estar radiante com a quarentena por essa Europa fora e consequente falta de carros nas ruas! O Impacto deve ser tão grande, tão grande que o Aquecimento Global por certo irá desaparecer. Teremos para sempre o ambicionado tempo fresquinho, por sinal, frequentemente seco mas ideal para os vírus se propagarem. Basta aplicar a seguinte lógica: quarentena, poucas pessoas trabalham, indústrias paradas, poucos carros na rua, menos CO2 libertado, menos efeito de estufa, tempo mais frio e seco, mais vírus, mais quarentenas, ainda menos pessoas a trabalhar, ainda menos carros nas ruas, ainda menos CO2 libertado, ainda menos efeito de estufa, tempo ainda mais frio e seco, ainda mais vírus, ainda mais quarentenas, começam a dar nomes às quarentenas tal como já dão às tempestades, os novos bebés passam a ser conhecidos como os bebés das respectivas quarentenas, entraremos todos em teletrabalho, já não há indústria, já não há electricidade, já não há teletrabalho, os carros enferrujam, as estradas ganham buracos na mesma, já não há alcatrão para tapar buracos, pessoas autorizadas fazem canteiros de flores nesses buracos, a quantidade de CO2 na atmosfera decresce tão aceleradamente que as plantas crescem meio mirradas, menos comida disponível, cultivam-se batatas nas varandas, efeito de estufa desaparece, tempo cada cada vez mais frio e seco, cada vez mais vírus de Inverno, improvisam-se lareiras em casa, as pessoas vão às escondidas a meio da noite com carrinhos de mão ou malas com rodas à procura de lenha, os bebés vão crescendo pálidos sem conhecer o mar e a areia… (alguém quer continuar?) – – – Coisa curiosa é andarem por aí a dizer (e, pelos vistos. agora também eu) que o tempo frio é mais seco do que o tempo quente. Ora, talvez nos seus países isso seja verdade ou talvez em suas casas… já aqui em minha casa não há porta que não inche com a humidade durante o Inverno. Não apenas a da cozinha ou da casa de banho (o que até seria normal) mas também as restantes mesmo quando passa bastante tempo sem que a chuva dê qualquer sinal. Se esta sabedoria das portas vale de alguma coisa então o nosso Inverno não é assim tão seco nem o nosso Verão é assim tão húmido, estatisticamente falando, é claro. Terminei!

    1. Muito interessante, inteligente e razoável!

      1. Obrigado!

    2. Quem quer fazer reparos/comentários até descobre teias de aranha nos sovacos dos bebés. E, depois, entra em ridículo.Então o cabelo comprido cria piolhos? Parece que tomando banho regularmente resolve esse problema e não o corte do cabelo. Vá lá que deu uma ideia para a compra daquela máquina da treta anunciada na tv que corta e barbeia.Então os donos dos supermercados fazem as coisas sem pensar? Até há quinze dias eram os homens mais extraordinários do país com pensamentos e ideias geniais, com a criação de milhares de postos de trabalho e pôr a sede da empresa na Holanda para pagar menos impostos. Vá lá que com horários de atendimento reduzido aindaarranjam os tostões para o petróleo.De resto é o costume: ir a Nova Iorque e só ver mendigos ou ir a Nova Deli e só ver aranha-céus.Evidentemente que estamos atravessar tempos complicados, mas a história do velho, o rapaz e o burro dá para todas as escolhas de critica.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *