A abertura do ano judicial, que já abriu há sete meses(!), saldou-se numa desgraçada peixeirice.
As mais altas figuras do Estado dedicaram-se a lavar roupa suja em público, a acusar-se umas às outras das mais diversas malfeitorias, preguiças e incompetências.
O Presidente da República, coitado, fez mais um dos seus tão sensatos quanto inúteis apelos ao trabalho, à dignidade e a outras qualidades há muito esquecidas no caixote do lixo do “fascismo”.
O bastonário dos advogados, esse, disse as costumeiras barbaridades acerca de juízes, procuradores e quejandos, todos, com os políticos, mais que culpados de tudo e mais alguma coisa.
Os distintos representantes das magistraturas, bem conhecidos pela forma abnegada como têm sabido proteger o senhor Pinto de Sousa e por produzir inqualificáveis entrevistas e comunicados, trataram de pôr as culpas para os legisladores, os advogados, os funcionários, o diabo a quatro.
Em resumo, nenhum daqueles senhores deu à Nação qualquer sombra de esperança. O que, espremida esta laranja azeda, fica, é que todos se culpam uns aos outros, ninguém, nenhuma corporação, nenhuma entidade, nenhum destes cidadãos procurou abrir caminhos para transformar a nossa justiça numa coisa menos indigente e menos injusta.
Como querem que a sociedade resolva seja que problema for se são as entidades que se desejaria mais “de cima” a vogar em águas tão “de baixo”?
22.3.11
António Borges de Carvalho

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