Deve ser difícil dar largas a tanta hipocrisia e a tão formidável cinismo como fez o nosso (deles) primeiro-ministro ao escrever uma “carta aberta” ao seu ilustre camarada, Alegre por parte da mãe, sobre o formidável problema das corridas de touros, impropriamente chamadas touradas.
Quem teria escrito tal carta, é coisa que ninguém sabe nem saberá. Se o Pinto de Sousa tinha um tipo para escrever livros, porque não há-de o seu colega e camarada ter quem lhe escreva uma cartinha? Mesmo sendo um chorrilho de filosofia barata, não me parece que o respectivo subscritor tenha inspiração para tanto.
Deve ter encarregado de tão peregrina tarefa um dos múltiplos doutores da mula russa que o cercam.
A encomenda deve ter sido deste tipo:
Eh pá, escreve aí uma coisa que não contradiga a fufosofia da Graça e que, ao mesmo tempo, dê umas de compreensão aos pacóvios das touradas. Uma no cravo outra na ferradura. Não te esqueças de dizer – a Catarina vai gostar – que não sou de faenas, que não acho piada à coisa, o que não é inteiramente verdade, mas paciência. Sabemos bem que a verdade nunca é uma evidência, é coisa que se trabalha consoante o interesse da Nação. No caso, percebes, nada de proibições – o Jerónimo não gosta -, atiramos a batata quente para as autarquias –, é a descentralização, percebes? No fundo, só tens que seguir os costumes da geringonça e dar à coisa um ar sincero, intelectual, quase diria académico. E, claro, com uma pancadinhas nas costas do Alegre. Ele fica todo contente.
Contentes também ficarão os ignaros dos media (em costês diz-se mídia), felizes se sentirão os nossos queridos parceiros, a malta em geral, o partido, e até o Pedro Nuno vai comer daquilo sem perceber que, ao virar da esquina, lhe corto a cabeça por causa das ambições. Ele que se lembre do que fiz ao Seguro.
13.11.18

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