Em tempos que já lá vão, tive alguma experiência em jornais. Não havia computadores, nem internet, nem email, nem paginação automática, nem nada das modernices que, hoje, tornam tudo mais rápido. Diz-me a tal experiência que, naquelas condições, um jornal chegava às bancas umas seis horas após sua entrega, em mão, à tipografia. Agora, é de presumir que será muito mais rápido. Mas fiquemos pelas tais seis horas.
Nesta ordem de ideias, um matutino, para ser vendido, digamos, a partir das seis da manhã, sairá das redacções por volta da meia noite.
Ontem, o pontifex da tropa e o chamado primeiro-ministro fizeram uns discursos ao povo mais ou menos à hora do jantar, discursos a que já tive ocasião de me referir. Palvreado sem vergonha, do mais infeliz e primário que se possa imaginar.
Hoje, procurei nas manchetes visíveis na tabacaria e, mais em pormenor, nos jornais que comprei. Nada. Nem manchetes, nem comentários, nem referência alguma que se visse. O que quer isto dizer? Que não tiveram tempo nem espaço reservado? Mentira. Que tiveram vergonha de se referir a tão vergonhosas intervenções políticas? Ou que, pudicamente, acharam a coisa de tal maneira escandalosa que acharam que uma simples referência poderia prejudicar a geringonça?
Deixo ao leitor a tarefa de ajuizar das razões que terão assistido à escondidela.
12.7.17

Deixe um comentário