IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


FUNDACIONAL REBALDARIA

 

Na sua irremediável ignorância, pensava o IRRITADO que uma fundação era uma instituição privada, criada a partir dos meios financeiros e funcionais postos à sua disposição para fins sociais, culturais ou outros não lucrativos ou quase. O seu ponto comum seria o de prestar serviços à sociedade a partir da gestão de tais meios. Assim, tratar-se-ia, por definição, de algo que não dependia do Estado mas, a cem por cento, da boa gestão dos meios “em caixa” e daqueles que a sua actividade pudesse gerar, mas sempre ao nível exclusivamente privado. Pelo menos é o que sucede, por exemplo, nos EUA, onde há hospitais, universidades, bibliotecas, um mar de instituições criadas por beneméritos e funcionando a partir dos meios que as criaram, no exercício, quer dizer, dentro dos limites dos fins para que foram criadas. Ao Estado compete enquadrá-las legal e fiscalmente. Mais nada.

 

Em Portugal, estas ideias são pura fantasia. As “fundações”, salvo raros casos, destinam-se a sacar dinheiros públicos para os seus “beneméritos” fins, bem como a fugir aos impostos. Além disso, inventou-se, negando o próprio conceito de fundação, uma coisa extraordinária, absurda e abusiva: as “fundações” públicas.

No tempo dos anteriores governos, este sistema atingiu o paroxismo da escandaleira. Ao ponto da haver uma fábrica de computadores que recebe, de uma “fundação” cem por cento pública, a fundo perdido, várias centenas de milhões de euros do erário público para o desenvolvimento do seu negócio.

Ponhamos de lado saber se a distribuição de computadores às criancinhas é uma coisa boa ou uma coisa má. O que nos traz, por agora, é saber como saem tais milhões, sem concurso (as “fundações” não são legalmente obrigadas a fazer concursos), sem impostos, sem outro controle que não seja o do próprio receptor dos tais milhões. Os computadores não são vendidos ao Estado, mas a uma benemérita “fundação”… do Estado.

Este exemplo, mais gritante que os demais, é seguido em inúmeros casos. Há fundações formadas para glorificar ad eternam fabulosas personalidades, tais a de Mário Soares ou a de Saramago. Aquela, além de receber umas largas massas, chega ao ponto de alugar ao Estado o gabinete do fundador na fundação, para alojar o ex-presidente, que é o presidente da fundação! Esta, para além de outros caros e excepcionais privilégios, chega ao ponto de receber a título gratuito, devidamente “adaptado” aos seus fins, um edifício emblemático de inegável importância para Lisboa e para o país, a Casa dos Bicos, onde, alegadamente, guarda preciosidades tais que a biblioteca do coronel/camarada Gonçalves, uma das mais sinistras figuras da nossa história recente.   

Depois, como tem vindo nos jornais, as trafulhices assumem dimensões oceânicas. E o Estado só fala em cortar cinquenta por cento! Devia cortar tudo!

Se o Estado chegasse a tal ponto, levantar-se-ia, da parte dos muitos que, agora, o criticam por ficar a meio caminho, um coro de indignação: é que haveria pelo menos mais uns dez mil desempregados a juntar aos que já existem.

Ninguém quer aceitar que cortar na despesa publica é, em muitos casos, quase só cortar em despesas de pessoal.

 

Tal a selva em que nos meteram.    

 

4.8.12

 

António Borges de Carvalho



7 respostas a “FUNDACIONAL REBALDARIA”

  1. “Devia cortar tudo!”Plenemente de acordo.

  2. Não gosto de me repetir, mas não foi o actual PM, antes e depois de ter sido eleito, que prometeu RESPONSABILIZAR – leia-se, CRIMINALIZAR – OS POLÍTICOS POR GESTÃO DANOSA, e acabar com a MAMA destas “Fundações”? Mais de um ano depois, tudo o que temos é um “relatório” sobre o assunto, que até classifica uma obscura fundação do PSD na Madeira como útil e meritória, embora não sirva uma única alma. Vamos supor, por optimismo ou por gozo, que metade desta mama chegue de facto ao fim: e RESPONSÁVEIS, não há? Ninguém devolve o dinheiro que mamou aos contribuintes? Ninguém lesou o erário público, as leis deste “Estado de Direito”, ninguém nos deve nada? Pelo visto, não. Eis mais um óptimo exemplo.

    1. Devolver???Está a brincar?O gamanço continua e a bom ritmo.Até as autarquias mantêm os vícios e no passa nada.Mas desde quando promessa de político é para cumprir?Querem ver que Passos Coelho chegou agora à política e não conhece os bastidores da Cosa?Um eterno Jota,nado e criado nos covis e catacumbas da democracia abrilesca ia denunciar e punir os colegas? Matar a galinha dos ovos de ouro?Alguém alguma vez vai devolver o que gamou aos portugueses e que lhes está a custar o pão da mesa?Não sejamos líricos.Isto só vai com um golpe de Estado.E depois,lá teremos a canalha da UE e da NATO a exigir a reposição do gamanço,que isto dos compadres já domina a cena internacional.

      1. Pois. Ainda hoje, o Ministério Público teve a amabilidade de nos informar que «desapareceram» os documentos do negócio dos SUBMARINOS. Sim, os do Portas. Tal como há dias soubemos que o Estado pagou 120 milhões a mais por uns helicópteros, desta vez no Governo rosa. É normal? Deve ser, pois as consequências são nulas. Os responsáveis são hoje ministros, deputados, altos quadros em mega-empresas, ou estudantes-turistas. Não sei se um golpe de estado é a solução. Não vejo quem o possa fazer. A carneirada está a banhos, e as suas prioridades vão do boletim meteorológico à próxima telenovela da TVI. Ocorre-me outra solução: sentar os nossos governantes e ex-governantes numa sala, um de cada vez, e fazer-lhes certas perguntas. Bastaria depois cruzar as respostas, e eventualmente chegaríamos a algumas verdades. A sala seria numa cave, de preferência num sítio ermo. As perguntas iriam de adjudicações a offshores. Deixo os métodos à imaginação de quem lê.

  3. What your country needs is a Nigel Farage (UKIP MEP) to denounce the rotten “chop” politics and politicians.Unfortunately, no one has the balls to do it.You are doomed !!!!

  4. Avatar de XXII (mais um, por causa das coisas...
    XXII (mais um, por causa das coisas…

    Globalização deste “sitio”?Porra…

  5. Quando o “POTE” encher,a saida possivel desgraçadamente é a revolução.Talvez um revolução global!!!

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