IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


FRASES

 

Em brilhante sessão, várias altas figuras do nacional-jornalismo e da nacional-politiquice encontraram-se para, dizem, discutir o “jornalismo”. Tudo em solene comemoração dos 40 anos do “Expresso”.

A coisa veio prolixamente referida em várias páginas referido semanário. Coisa que não haverá muito quem tenha a pachorra de ler, IRRITADO incluído.


Mas os leads são esclarecedores.


Diz o invejoso Pacheco que “os jornalistas interiorizaram o discurso e a linguagem do poder, sem uma reflexão e distanciamentro críticos”. Notável. Qual poder? O actual não, com certeza. Conta-se pelos dedos tal “interiorização”. Se os jornalistas interiorizaram algum discurso foi o da oposição, como é mais que evidente.


O “candidato avant la lettre” Rui Rio diz-nos que “o jornalismo é um dos responsáveis pela degradação do regime democrático”. Carradas de razão.


O ex-chefe de ERC (coisa execrável!) Azeredo Lopes informa-nos: “em Portugal não há uma prática de sanção dos jornalistas”. Se acha que devia haver, porque não fez nada quando andava a ganhar o dele na tal ERC?


O storyteller Tavares afirma que “O discurso de Pacheco Pereira é exactamente o contrário do que dizia há vinte anos”. Certo, mas não novo. Toda a gente sabe que a maior inspiração intelectual do Pacheco é a dor de cotovelo, o que o leva, e levará, a dizer o que for preciso para a aliviar.


O inteligente Henrique Monteiro opina: “Abomino o jornalismo como quarto poder. O jornalismo deve ser um contrapoder”. É evidente que ninguém elegeu os jornalistas para que tenham poder. Mas, como os juízes, têm-no. O problema é como o usam. Deve ser por isso que Monteiro esclarece logo a seguir: devem ser um contrapoder. O que, a contrario sensu, quer dizer o mesmo. Para além da asneira conceptual, não se sabe onde ficamos.

 

Ernfim, não é mau dar uma olhada ao que diz tão distinto escol.

 

9.12.13

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “FRASES”

  1. Tem piada ler o Irritado sobre a falta de isenção dos media, quando para si a isenção é quase uma palavra feia. A bem dizer, é verdade que os governos PS tendem a ser (ainda) mais branqueados do que os PSD; é verdade que levamos com os comunas todos os dias, muito além da sua representatividade real; é verdade que boa parte dos cronistas e comentadeiros são de esquerda; etc. Ou seja, é verdade que os media em Portugal tendem mais para a esquerda; e também é assim que boa parte da clientela – quem lê, ouve ou vê os media – gosta. Ou não é? Mas esta é toda a sua irritação com o assunto; a ser ao contrário, já está tudo bem. Por exemplo, acha lindamente que o Sr. Saraiva, ex-director do Expresso e actual director do Sol, cante loas semanais ao Passos e ao regime angolano. E nada diz sobre o facto de os media estarem reféns do poder económico, directamente ou indirectamente, através da sua publicidade. Para alguém ISENTO (outra vez a palavra feia), isto também não serve. É que o jornalismo, não sendo isento, não é jornalismo – é opinião, propaganda, entretenimento, ou outra coisa qualquer.

    1. Nada de confusões. O IRRITADO nunca atribuiu a si próprio qualquer “isenção”. Nem acha bem que se tenha opiniões insípidas incolores e inodoras. Diferente é que se trate as noticias de forma não isenta. Notícias, essas, deviam sê-lo. Todos os dias as vemos escolhidas, manipuladas, com destaque as que não o merecem, sem destaque outras, que o mereceriam. A “fabricação” de títulos de notícias é outra pecha. As notícias “encomendadas” também. E não é tudo. Enfim, ninguém é perfeito, mas, que diabo, às vezes é demais.Outra coisa é a opinião que, como tal, deve ser livre. O que não quer dizer que os jornais se auto considerem pluralistas e, a partir daí, escolham a opinião “a dedo”. Esta é outra pecha. Sou adepto de jornais com opinião própria. Considero mais escandaloso que um jornal – como o Sol – tenha colaboradores “ao contrário”, como, no caso, o Vicente J. Silva, por exemplo, sendo outra a linha do jornal. Ter opinião editorial não quer dizer que se torne legítimo manipular as notícias. Quer dizer que o jornal pode, e deve, se for o caso, opinar sobre elas de forma séria e coerente com o seu estatuto, não devendo este, ser ausente de critério… Enfim, tudo isto será um bocado confuso, mas é o que penso. Não sou jornalista. A isenção faz, ou devia fazer, parte da deontologia de tais profissionais, bem separado e identificado o que é notícia e o que é opinião. É isso, a confusão, o que, das mais sibilinas formas, acontece por aí com fartura. Por muito que se filosofe, nunca será a mesma coisa titular que o copo está meio cheio ou que está meio vazio.

      1. A função do jornalismo não é mostrar o copo meio cheio nem meio vazio: é dizer-nos exactamente quanto lá está. Ou seja, deve descobrir e apresentar-nos FACTOS. Quaisquer ilações devem ser nossas. A tal “linha editorial” é, para mim, abusiva. Afecta inevitavelmente o rigor informativo, e a nossa visão deste. Acho absurdo ler o Sol e ter de me lembrar “ah, é verdade, este jornal é laranjinha!”. Ou ler o Público, e volta e meia entrever propaganda rosinha. Bem sei que é comum noutros países; não deixa de ser uma perversão do jornalismo. Se quiser informação filtrada e parcial, leio a “Acção Socialista”, o “Avante”, o “Povo Livre”, ou um blog como este. De meios de comunicação imparciais, espero precisamente isso: imparcialidade. Não de vez em quando, mas sempre e sem excepções. Se experimentar ver a coisa por este lado, garanto-lhe que parecerá bem menos confusa.

      2. Avatar de XXI (militante PSD)
        XXI (militante PSD)

        A isenção devia fazer parte da deontologia de qualquer bloguista e, sobretudo, de quem foi “representante do Povo”, como António Borges de Carvalho. No entanto, o IRRITADO faz parte do “grupelho de artistas” especialistas em “burlar” (politicamente) eleitores.

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