Subitamente esquecida a pátria albanesa e o grande Hoxa, postos de lado os ensinamentos de Marx, Trotsky e Mao, eis que surge o novo Bloco de Esquerda, rejuvenescido, aggiornato, democratizado, quem sabe se social-democrata.
De extrema-esquerda, nós? Que ideia, disse aos jornais, indignada, a dona Catarina. São calúnias, manobras da direita, do fascismo, do trumpismo, gente que nos quer empurrar, fazer sair do quadro da democracia pluralista, do institucionalismo que nos move, nós, socialistas democráticos como o PS. Onde pode chegar a lata dessa gente!
Populistas, nós? Que ideia, disse aos jornais, indignada, a dona Marisa. Eu até costumo votar no PE lado a lado com a minha querida Marine, como toda a gente sabe. É uma questão de sentimentos democráticos, não de irmandade ideológica. Não, não somos populistas, isso são atoardas de fascistas, falocratas, dos salvinis deste mundo, nós somos democratas da mais fina estirpe, nós dizemos que é preciso aumentar a despeza, porque, como muito bem disse a camarada Mortágua, sabemos onde está o dinheiro, é só ir lá buscá-lo, e pronto. Populismo, isto? Só na mente arrevesada de ultramontanos ignorantes e mal intencionados!
Pois, dizia Solnado da sua prima Irene, que gostava muito de dizer coisas. O que leva tais e tão sinistras criaturas, sem mais nem menos, a dizer estas aldrabices? É fácil. São exercícios de aquecimento para a grande jornada da entrada no governo do camarada Costa depois das eleições. Não, não vai haver acordos como os da geringonça, o que vai é o camarada Costa pôr as senhoras no poder! Para tal, dadas as tendências de direita de tal senhor, o que é preciso é convencê-lo que o BE nada tem a ver com a extrema esquerda nem com populismo. Assim, será muito mais fácil levar a Catarina a ministra dos costumes (ela é que tem o catecismo), e a Marisa aos negócos estrangeiros, que disso sabe ela.
Interessante, esta jogada. O padrinho Nunes já disse que até as deixa dar uma voltinha no Porsche.
20.1019

Deixe um comentário