IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ESTE PAÍS

Dos jornais:

– Há vinte anos que os engenheiros alertavam informalmente (“em conversa…”) para os perigos da estrada Borba/Vila Viçosa.

– Durante os últimos quatro anos as autoridades foram, pelo menos cinco vezes, formalmente alertadas para os perigos de derrocada daquela estrada.

– A Câmara de Borba tinha pensado vir a incluir a reparação da estrada em 2022.

 

De todas as “desculpas”, sacudidelas de capote ou opiniões já lidas e ouvidas, uma há que está rigorosamente certa. É a de um fulano que disse que, no que respeita ao assunto, há 16 entidades competentes ou cuja opinião é necessária.

Portugal no seu pior. Para qualquer porcaria, é necessária a intervenção de vários batalhões de burocratas, ou de técnicos burocratizados. Resultado: no caso em apreço, como em muitos outros, ninguém é nem será responsável, nem culpado, nem terá nada a ver com o assunto. O mais que, eventualmente, se pode fazer, é arranjar um bode expiatório. Ou então, melhor ainda, deixa-se passar o tempo a ver se a coisa passa, tarefa em que a geringonça é praticante especializada, como a experiência dos últimos anos demonstra à saciedade e como o espantoso ministro já veio confirmar no caso da Borba: “a estrada em causa é de responsabilidade municipal”, disse ele. Tirado o cavalinho da chuva, é altura de anunciar solenemente a abertura de 456 processos de averiguações técnicas, civis, administrativas e judiciais. Na certeza de que a rã continuará de perna encanada e de que, oficialmente e no cumprimento estrito da Lei, se voltará a falar na história quando acabar o segredo de Justiça.

Sinal claro disto é que o chamado primeiro-ministro aproveitou a oportunidade para ir à bola no dia do desastre. Desta vez não estava de férias, a desculpa está no nacional-futebolismo.

 

21.11.18



2 respostas a “ESTE PAÍS”

  1. Em 1989, ano do licenciamento, era Cavaco Silva primeiro-ministro, em 1994, ano do alerta dado pelo Parlamento, era também primeiro-ministro Cavaco Silva, logo foi “o Estado”, se fosse um Governo PS, um primeiro-ministro do PS, era “o Governo” ou, melhor ainda, “o Governo socialista”, assim é o Estado, aquela entidade etérea e abstracta que, para o caso, assenta que nem uma luva no Governo em funções, já com um “cadastro de culpabilidade” que vem desde os incêndios de Pedrógão aos de Monchique, passando pelos paióis de Tancos e outras ocorrências que até 2109, ano eleitoral, se vão descobrir.

    1. Tem alguma razão. Deve ser por acaso que a municipalização da estrada foi feita pelo PS, o que lhe permite, com toda a justiça, alijar qualquer responsabilidade: é a descentralização! Quanto à Câmara de Borba, não consta que seja do Cavaco ou de seus adeptos. E é, evidentemente, por acaso que as ocorrências de que fala aconteçam durante o poder da geringonça. Injustiças do destino.

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