IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ESTATISMO PIROSOTÉCNICO

Para além das múltiplas desgraças que os fogos vêm causando, outras nos assaltam, despercebidas enquanto tal. São elas as centenas de declarações de políticos, técnicos, comentadores abalizados, tipos descobertos à última da hora, todos sem excepção a abarrotar de soluções, as mesmas de sempre, de sugestões obsoletas, de velhíssimas ideias, num nunca acabar de palavreado já mil vezes repetido.

O poder também se manifesta. Desta vez, a dona não sei quê Urbano de Sousa foi encarregada da solução ideológica. Assim: se há terras abandonadas, saquem-se as terras aos proprietários, e pronto. Genial. A cartilha bolchevista tem remédios para tudo. Isso de ordenamento, que se lixe. Obrigar à prevenção, nem pensar. Castigar quem prevarica, quem não cumpre, quem aumenta os riscos por negligência, que disparate. A solução é sacar a propriedade e entregá-la à esfera pública, Estado, municípios, “comunidades”. Por outras palavras, atacar o que é privado, alargar a propriedade pública, usar a cartilha do PC e do BE, ora adoptada pelo PS, como muito bem é hoje sublinhado num artigo de António Barreto.

Talvez alguém pudesse esclarecer a senhora – ou o chamado governo – sobre o facto de as entidades públicas “salvadoras” já terem à sua conta milhares e milhares de hectares, tão maltratados como os dos mais negligentes proprietários. Talvez também pudessem fazer ver à senhora que as florestas menos atacadas pelos fogos são do domínio privado de particulares ou de empresas responsáveis e úteis.

Devo estar enganado. Bem vistas as coisas, a tal senhora, dita ministra, já sabe isto tudo melhor do que eu. A intenção não é a de prevenir fogos, é a de aproveitar a oportunidade para sacar para a esfera pública o que público não é. Todos os pretextos são bons para babar ideologia, não é, dona Constança?

 

E a procissão ainda vai no portão do adro…

 

14.8.16



5 respostas a “ESTATISMO PIROSOTÉCNICO”

  1. Pois é: mais um ano, mais Portugal a arder. Somos os orgulhosos donos de metade – METADE – da área ardida em toda a Europa. Olhe-se para um mapa da Europa, depois para Portugal: quem disse que não somos grandes?Mas os fogos recordam outras coisas interessantes.A primeira é que são transversais a todos os governos. Todos. PS, PSD, PS + PSD, PSD + CDS, PS + comunas… nada muda. Nem os fogos, nem as desgraças, nem o palavreado já mil vezes repetido, como diz o Irritado.A segunda é que todos os governos foram cúmplices. Não só nas medidas de prevenção eternamente adiadas, como sobretudo nas negociatas do combate aos fogos. E é aqui que a negligência criminosa passa a pulhice criminosa.Por exemplo, o SIRESP – uma “rede de comunicações” com um custo estimado de 100 milhões(!), que foi adjudicada pelo governo de SANTANA LOPES, já em fase de gestão, a um consórcio liderado pela SLN – repito: SLN – por… 538 milhões. O governo seguinte, do 44, decretou a nulidade da adjudicação (ufa!)… apenas para renegociar com a SLN um valor mais baixo: 485 milhões! Fantástico, não é? O Ministro responsável: António Costa.Fast forward para 2016. O mesmo António Costa anuncia hoje, com meio país já ardido, que «a Força Aérea não dispõe dos meios para ajudar». Uma pessoa até fica parva; até lê duas vezes.A Força Aérea – e o Exército, e a Marinha – esses sorvedouros de dinheiro, esses depósitos de chulos, «não dispõem de meios» para combater fogos? No país com metade da área ardida da Europa, ano após ano? O país dos submarinos, dos F-16, dos Pandur?Os fogos são mais uma demonstração dos governantes que temos, da classe política que temos.A solução: atá-los a uma árvore. Em Agosto. E dizer-lhes que não temam: caso algo comece a arder, vai certamente correr tudo bem.

  2. Os fogos lembram ainda uma terceira coisa, também querida ao Irritado: a falência do capitalismo, ou liberalismo económico.Este ano tem-se falado com certa insistência – finalmente! – de quem GANHA com os fogos. Só para os meios de combate, aviões e assim, ouvi algures que vão 200 milhões. Por ano. Há depois a malta das madeiras, etc.Pode-se prevenir, pode-se limpar, pode-se até ter governos decentes; continuarão a haver fogos. Porque é impossível vigiar toda a floresta, todo o tempo. Porque é no interesse desta gente que haja fogos. Porque ganham com isso. Ou seja, tem de ser o Estado a intervir: possuindo todos os meios de combate, eventualmente comprando a madeira queimada. Isto é, desvirtuando o mercado. Porque este NÃO PODE ser livre. Como se vê.Há, claro, muitos outros exemplos: a indústria farmacêutica (a quem convém que sejamos doentes crónicos), as prisões privadas americanas (a quem convém que haja muitos presos e por muito tempo), etc. Tal como há casos em que o mercado funciona, pelo menos até um mamão ou oligarquia de mamões tomar conta dele… Mas quem ouça o Irritado, ainda pensa que o mercado e o liberalismo têm a solução para tudo. Não têm.A indústria dos incêndios é bem a prova disso.

    1. Vozes de burro não chegam ao céu

  3. Não há festa nem dança onde não apareça a dona constança.Foi o que fez na semana mais gravosa dos fogos.Foi para a discotecaTambém não sei o que foi lá fazer.Com aquela cara de “todos lhe devem e ninguém lhe paga” deve ter estada sentada ou agarrada ao kopo o tempo todo.Esta também é daquelas que aproveita todos os pretextos para meter a pata no que é privado.

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