Rezam as crónicas que quando um político importante sai de cena é assediado por um largo número de editoras que lhe fazem as mais mirabolantes propostas para a publicação das suas memórias. Paga-se milhões aos Bushes, aos Obamas, aos Blaires e quejandos para ficar com exclusivos e outras fantásticas fontes de rendimento.
Por cá não é bem assim, e chega ao extremo de se fazer tudo ao contrário. É o caso de um político que, não tendo, ao que parece, quem lhe edite as memórias, recorre à caridade pública, coisa a que há quem chame, respeitando o politicamente correcto, “mecenato cultural”. O sistema que tem a sua lógica. O autor que, para já, nem autor é, ciente de que ninguém, ou quase, gastará um cêntimo com dois desinteressantes calhamaços, trata de arranjar quem pague. É o triste caso do ex-Presidente Sampaio, personalidade que, para além de um golpe de Estado destinado a levar ao poder os seus correlegionários (sob a chefia do chamado engenheiro Sócrates!), nada mais fez que se visse ou que mereça, pela positiva ou pela negativa, atenção de maior
O sistema é interessante, mas a sua montagem é-o ainda mais. Calcule-se que os “mecenas” se juntaram numa “fundação”. Ninguém sabe quais os meios postos à disposição de tal agremiação, nem com quanto ela terá concorrido para a manufactura, a publicidade e o lançamento da obra. Tudo está escondido e há quem opine que a “fundação” terá sido criada exclusivamente para este efeito, se calhar dissolvendo-se uma vez fechadas as contas.
Interessante é também o nome escolhido: Fundação Dom Luís da Cunha. Pobre Dom Luís, ilustre diplomata e homem de grande cultura (secs. XVII/XVII), com quem o meteram! O que terá ele de parecido, que afinidade, que possível comparação que o levem à situação de patrono das façanhas de Jorge Sampaio, ou de orago dos seus protectores da Mota-Engil, do BPI, da PT et alia (uma data deles)?
Já tínhamos assitido a cenas do tipo da dos “amigos” do 44, que lhe compraram milhares de livros a fim de assegurar o êxito literário da sua – ou de outros – obra.
Sampaio vai mais longe: o êxito foi garantido mesmo que ninguém, nem os amigos, lhe adquira o produto!
13.4.17

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