Hoje apetecia-me chamar a este blog algo diferente. IRRITADO é pouco. Talvez ESTUPEFACTO, INDIGNADO, RAIVOSO, COM-VONTADE-DE-DESATAR-AOS-TIROS, ou coisa do estilo. Era pouco, mas faltam-me os adjectivos. Imagine-se porquê: um comentador resolveu ir ler um papel onde uns tipos provam à saciedade que o desemprego em Portugal não é de 13, nem 14 por cento, mas sim de… 29!
Os tipos em causa são o intragável Boaventura Sousa Santos e o bolchevista Carvalho da Silva, altíssimos dirigentes de um organismo (mais um!) pomposamente intitulado “Observatório Sobre Crises e Alternativas da Universidade de Coimbra”. Estes dois assalariados do Orçamento do Estado produziram um relatório no qual provam por a+b (na cabeça deles) a veracidade dos tais 29 por cento. Assim, começam por, em título, sublinhar esta pergunta: Estará Portugal a, maquilhar os seus dados do desemprego?, desde logo se percebendo a resposta.
Pegam nos números do INE ou coisa parecida. Vai daí, acrescentam-lhes os “desempregados ocupados”, os “inactivos desencorajados”, os “activos migrantes”, e o emprego a tempo parcial, a que chamam “subemprego”. Não se sabe onde foram buscar estas categorias ou se, simplesmente, as inventaram bem como aos respectivos números. O que se sabe é que somaram tudo, e chegaram aos tais 29%. É de louvar a honestidade intelectual desta gente. É que, se não fossem tão “independentes”, juntavam à coisa os reformados e as criancinhas e passariam, à vontade, dos 50%. Se se acrescentassem a si próprios, por exemplo na categoria de “trabalhadores inúteis, fingidos e contraproducentes”, ainda chegariam a maior percentagem.
Para além do nojo que esta gente causa, acrescentemos que há uma Universidade que lhes dá cobertura, os sustenta (deve ser para isso que anda sempre aos gritos por mais dinheiro) e, pior, suja o seu histórico prestígio com “observatórios” como este.
Ninguém terá ilusões sobre a qualidade moral e intelectual de fulanos como o Boaventura e o Silva. Mas, que diabo, dar-lhes o direito de, em nome da UC, produzirem esterco deste calibre, vai, ou devia ir, alguma distância.
Com a devida vénia a João Miguel Tavares, que motivou estas linhas.
2.4.15

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