IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DUAS TRISTEZAS


Um rapaz de trinta anos, professor de filosofia, desempregado, mas não “resignado” disse a um jornal o que andava a fazer para ultrapassar a situação.

Assim:

– Participa em todos os protestos, dos professores e dos outros;

– Participa nas vigílias de protesto dos sindicatos;

– Participa nas vigílias da Plataforma pela Educação;

– Foi esperar o ministro Crato à TVI;

– Esteve na manifestação de 15 de Setembro;

– Esteve nos protestos em frente do Palácio de Belém;

– Participou na manifestação da CGTP.


Uma tristeza a escassez de natalidade que provocou a falta de alunos no sistema público e obrigou à dispensa de muitos professores.

Uma tristeza também a “luta” deste jovem por melhores dias. Assim, ninguém dá a volta.

 

4.10.12

 

António Borges de Carvalho



3 respostas a “DUAS TRISTEZAS”

  1. O mal deste professor foi,em tempo util não ter entrado numa juventude de um qualquer partido,agora teria os fundilhos prespegados nas cadeiras da A.R.e o tacho estava garantido.Há gente sempre disposta a levantar o dedinho acusador,só que o direcionam sempre erradamente.Vá-se lá perceber.

  2. O Mercelão às vezes tem uma caimbra na língua e diz meias verdades.Já não é mau.Esta gente acha que o Estado é pai e empregador.Se o dinheiro para lhes pagar vem de empréstimos ou não é-lhes indiferente.Com o mal dos outros podem eles bem.Imagine-se o que seria se não fossemos governados por cobardes que não têm tomates para reduzir este imenso efectivo insuportável para o país.Estes aspirantes a empregados do Estdo não estão é interessados em manifestar-se a favor nada mais que a favor da sua carteira.Só diferem dos chulos dos políticos em escala.Estes últimos levam o jackpot.

  3. Uma tristeza a «escassez de natalidade»? Mesmo que a malta desatasse a procriar à moda antiga, os calotes e os juros não desapareciam, os “mercados” não se “acalmavam”, e o Estado continuava a não ter dinheiro para mandar filosofar um professor. Ainda assim, o Irritado tem razão: há aqui duas tristezas. A primeira é passar 4 anos a ser formado para o desemprego; a segunda, e mais trágica, é passar os restantes a manifestar-se contra isso. Ao contrário do “Desmamar” que comentou antes de mim, não dou de barato que o fulano queira chular alguém. Não, ele só quer a vida certa que lhe prometeram. É por ela que ele grita. O plano era simples: foi para letras para fugir à matemática, e foi para professor porque as letras não dão para muito mais. Ao entrar na faculdade, já sabia que teria “poucas saídas”; mas as festas eram boas, as miúdas eram excelentes, o curso fazia-se com uma perna às costas, e na pior das hipóteses iria para um trabalho temporário, até uma obter posição estável numa escola. As contas saíram furadas: nem estabilidade, nem sequer cargos temporários e mal pagos – até os hipermercados e os call centers têm excesso de candidatos com alguma experiência, não precisam de filósofos. Logo, o fulano manifesta-se: contra o tempo que perdeu e perde, contra a inevitabilidade do seu desemprego, contra a crise que o ultrapassa, contra o seu futuro mais que incerto, e contra o Estado que permitiu tudo isto, enquanto paga os excessos que lê e ouve diariamente. Quase podia compreender o fulano; mas não sou capaz. A minha compreensão já transborda de gente que trabalhou toda a vida, e trabalha ainda, sem jamais se manifestar, e mesmo assim é CHULADA e ROUBADA todos os dias, por um sistema e um status quo iníquos, ao serviço de interesses tão evidentes quão inconfessáveis. A este fulano, este professor de filosofia de 30 anos, que dizer senão: se está mal, mude-se. Como bem sugere o nosso PM, EMIGRE. Dificilmente irá para pior. A outros, sobretudo a muitos mais velhos que sempre trabalharam, nunca deveram nada a ninguém, e nunca contraíram ou autorizaram os calotes que hoje lhes cobram, não se pode dizer o mesmo. A esses, que se pode dizer? O Irritado sabe?

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