Conta-se, com foros de verdade, que, num exame de um caloiro de direito, o professor perguntou ao aluno quem tinha sido o último Rei de Portugal.
– Salazar – respondeu o aluno.
– Salazar? Tem a certeza?
– Dom Salazar, senhor professor, Dom Salazar!
Tem graça, não tem?
Pois então vejam esta.
Num exame de português, destes inventados pelo governo do senhor Pinto de Sousa (soi disant engenheiro Sócrates), o texto era uma estrofe dos Lusíadas sobre a morte de Inês de Castro. Entre outras patacoadas, perguntava-se aos alunos que personagens históricas eram referidas em tais versos. Eram elas o Rei Dom Afonso IV, o Infante Dom Pedro e Dona Inês de Castro.
Pois bem, os “vigilantes” do ministério, isto é, os tipos da comissão encarregada de dizer aos professores – que pelos vistos, nada sabem – o que são respostas certas e o que são respostas erradas, do alto da sua alta competência estabeleceram que, se o aluno, em vez de Dom Pedro IV, respondesse Dom Manuel II (sic!), a resposta estava certa, uma vez que se tratava, também, de um Rei (sic!).
O Irritado, ciente da abertura intelectual e democrática que esta decisão científica representa, sugere que, de entre uma infinidade de respostas certas, o aluno poderia, com direito a subir a nota, responder: Herodes (também era Rei), o Príncipe Valente (das histórias aos quadradinhos, mas príncipe) e a Maria da Fonte (que não era galega mas podia ser).
O aluno daria, assim, uma imagem clara de universalismo cultural, com um saber bíblico, um toque de modernidade e um inegável saber histórico.
Concluindo:
Como vivemos em democracia e não tenho instintos policiais, não direi que o primeiro-ministro, a ministra da educação, os respectivos secretários de estado e todos os intelectuais do ministério devessem ser presos. Mas, se fossem todos mandados fazer serviço cívico, de borla, por exemplo a carregar baldes de cimento nas obras públicas, não se perdia nada, antes pelo contrário.
15.7.09
António Borges de Carvalho

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