IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO SEXO E DO SÉCULO

 

Antigamente, as meninas e os meninos eram educados pelas catequistas, os professores e os pais.

O sexo era uma coisa vaga, misteriosa e, as mais das vezes, fruto de terríveis pecados.

Crescendo, os meninos e as meninas começavam a dar cada um a sua interpretação ao que lhes tinham ensinado, ao mesmo tempo que descobriam em si próprios impulsos e instintos novos, surpreendentes, que, levavam a experimentações mais ou menos lúdicas, mais ou menos felizes, mais ou menos inquietantes, mais ou menos aflitivas.

Falava-se nessas coisas à socapa, nos liceus e nas escolas. Cada um ia aprendendo, aos poucos, o que a sexualidade de cada um impunha, umas vezes tornando-se, com o andar do anos, promíscuos e libertinos, outras praticando ou exagerando as normas restritivas que lhes tinham sido ensinadas, outras nem uma coisa nem outra, algo lá pelo meio, que é o que acontecia à maioria das pessoas.

Descobria-se aos poucos esse mundo sensorial individual e a forma de se relacionar com os correspondentes mundos dos outros. No fundo, toda a gente conservava um certo recato, ou por se tratar de terrenos onde imperava o “fruto proibido”, ou por mero respeito por si próprio, ou por respeito pelos demais, ou por ter a instintiva noção de que se tratava de coisa individual e pouco comunicável.

Quem não quisesse procriar mas não se coibisse de actividades, ou comprava “camisas” aos vendedores de gillettes que pululavam no Rossio, ou ia àquela farmácia especial onde se vendiam velinhas “erbon” ou coisas do género, ou tinha relações furtivas com prostitutas desinfectadas pelo governo.

 

Não seria bonito, mas havia um gosto, um gozo inigualável na progressiva descoberta que cada um ia fazendo de si mesmo.

 

Depois, descobriu-se a pílula, inventou-se uma série de gadgets, legalizou-se o aborto, protegeu-se as relações de facto, promoveu-se o divórcio, etc., tudo acabando entre nós, para já, na “normalização” dos defeituosos sexuais.

 

Ou seja, mercê de vários “avanços civilizacionais” e “educativos”, aboliu-se a descoberta.

O sexo vai passar a ser uma coisa tipo Mocidade Portuguesa, onde as criancinhas, em vez de marchar e cantar hinos patrióticos, passam a ser “esclarecidas” sobre as várias modalidades das práticas sexuais, a todas se atribuindo o mesmo valor, e todas sendo “normais” e “naturais” desde que se não tenha filhos. Tudo na certeza que, em caso de “engano”, há sempre ou a pílula do dia seguinte ou uma raspagem à disposição com 200 euros de incentivo estatal.

 

Nesta senda, fiquem os meus leitores a saber que, no próximo ano lectivo, os vossos filhinhos, quer vocês queiram quer não, serão devidamente instruídos sobre matérias tão importantes como a reprodução e os seus perigos, o sexo “ao natural” e as suas várias posições, mais o oral e o anal, e, enfim, como não podia deixar de ser, sobre toda a necessária parafernália de instrumentos, medicamentos, artefactos e conselhos higiénicos, preventivos e curativos.

Exemplificando, as vossas criancinhas, tal como se passou com o “Magalhães”, vão levar para casa uma maleta especial onde podem encontrar literatura extensiva sobre a matéria, devidamente ilustrada, além de um preservativo feminino, outro masculino, um “modelo peniano” próprio para a higiénica prática da masturbação, um adesivo indutor de hormonas “inspirativas”, uma embalagem de pílulas, um “dispositivo intra uterino”, um “anel vaginal” e um pacote de “óvulos espermicidas”. Tudo com as devidas instruções para uma utilização prática e segura.

As vossas criancinhas vão fartar-se de fornicar em segurança. Vão divertir-se como umas doidas. Vai ser uma maravilha.

 

O IRRITADO deixa a cada um o julgamento moral, sociológico e educacional desta profunda evolução, bem como a projecção das suas consequências a curto, médio e longo prazo.

 

Mas confessa que tem muita pena que a descoberta de si deixe de ser feita por cada um, aos poucos, de surpresa em surpresa, de gosto em gosto, de inquietação criadora em inquietação criadora, de falhanços e de vitórias, nessa coisa maravilhosa que é o nascimento da consciência e da maturidade, e passe a ser o mero pôr em prática de ensinamentos recebidos nas escolas, sem que os pais se possam pronunciar, como se se tratasse de aritmética ou de inglês.

 

9.6.10

 

António Borges de Carvalho



12 respostas a “DO SEXO E DO SÉCULO”

  1. Teria muito a dizer sobre este tema, mas descobri que quando me pronuncio parece que “intimido”.Para prova…

    1. Do que nos livrámos!!!

      1. “Para prova… ” aconteceu o previsto, APARECEU A “PORCARIA”.

  2. Avatar de daniel teceçao
    daniel teceçao

    O completo delirio.Não fosse este post um hino ao obscurantismo e até nos poderiamos rir,nem que fosse pela da mocidade portuguesa|||

    1. Onde é que lhe “dói”, tecelão?

  3. Só, quem viveu mais de sessenta anos, entenderá a profundidade deste artigo do IRRITADO. Vou “correr o risco” de ser chamado “bota de elástico” para lhe dizer que aplaudo e compreendo perfeitamente a mensagem que ele transmitiu. O tempo se encarregará de mostrar ( e já começou ) que nem sempre aquilo que se entende por vanguardismo, afinal é um enorme retrocesso em termos práticos. Lá dizia o Faustino “Quem passa por elas é que sabe”…

  4. Por absoluta falta de tempo, não tenho podido botar faladura neste tão apreciado blog, que passou a fazer importante parte do pouco que me liga (por absoluto imperativo de higiene mental) à informação de como vai a nossa terra. Tirando uns apartes nos artigos lá mais para trás, para responder ao Filipe Bastos, apenas tenho tido tempo para ler e não para comentar. Deixe-me dar-lhe os parabéns pelo que nos contou da sua entrevista com Rosa Coutinho, essa lêndea de Abril, que Deus perdoe. Foram na verdade tempos revoltantes de vil traição e absoluto desacerto, afinal não muito diferentes dos de hoje, que a férrea vontade de errar (mais e sempre) continua por aí a campear entre nossos homens públicos, apenas já não há muito para dilapidar. Também fiquei a saber do carinhoso encontro da maricagem em S. Bento, esse momento memorável e acto de grande alcance; tem toda a razão quando diz que como essa gente persegue o impossível anti-natural, a cada dia surgem novas exigências de legislar de acordo com a sua irrequieta insatisfação. Não me quero repetir, mas brevemente estaremos aqui a discutir uma nova promessa eleitoral, uma proposta de lei que designe todos os cidadãos masculinos como “gays” e as mulheres como “lésbicas” para eliminar mais uma feia discriminação entre os que são e os que não o são. E teremos o gosto de ver o nosso Tecelão arvorar embevecidamente o seu novo bilhete de identidade cor-de-rosa em que estará escrito com todas as letras (são só 3) a sua progressista orientação sexual. Já tinha uma certa saudade dos truísmos tecelónicos, que me dão o pulsar do eleitorado que escolheu este tal inimputável que conhece umas coisas mais formalmente que outras (logo por azar “desconhecendo” as que são importantes), pelo que ficamos todos a saber que umas vezes fala verdade e outras mente – informalmente, é claro.Contavam-me no outro dia de uma sondagem feita a mais de uma dezena de países, em que perguntaram aos cidadãos quanto estariam dispostos a desembolsar para que a selecção de futebol do seu país ganhasse o campeonato mundial. Os alemães, ingleses, etc. falaram numa média de 20 euros. Mas cá o portuguesinho valente, eleitor, opinioso, finório, pimpão e prafrentex, entendido em tudo e mais alguma coisa (estamos todos a ver o estilo, não estamos?), teso que nem um barrote – pois esse largaria 300 e tal euros para que pudéssemos soprar vitoriosamente as tais vuvuzelas (coisa de que nunca tinha ouvido falar) extasiados com a Sagres, a Galp, o Ronaldo, a crise e até o governo.Depois desta gente ter conspurcado o passado decidiram agora arrostar o futuro, e logo pela sua obsessiva vertente sexual, sempre com o mesmo comportamento sordidamente compulsivo. Sempre a ambição de extirpar às famílias o direito (esse sim, devia constar na constituição) de educarem os seus filhos como desejam e não como estes perversos possidónios entendem. A Mocidade Portuguesa, que o Tecelão boloniamente invectiva sempre que dela ouve falar, cultivava sobretudo a vida saudável, o desporto e camaradagem. Só sei falar do tempo que lá andei: fiz uns quantos acampamentos, aprendi equitação e em momento nenhum vi “lavagem ao cérebro” ou tentativas de condicionamento como este projecto de educação sexual nas escolas, de que não alimento a menor ilusão depois de ter visto, há uns dois anos, os manuais para a “disciplina” ou saber como foi feito o projecto Magalhães. Afinal o que se poderia esperar destes ignaros desenraizados?

    1. Se montava, na mocidade portuguesa já era pelo menos comandante de castelo.A juventude hitleriana,assim como os pioneiros,nunca foram com o meu feitio.Praga idêntica é esta trampa do futebol que está por todo o lado a atazanar a paciência!!!

      1. Não quero soar condescendente mas se me permite uma sugestão, o muito apreciado Tecelão só ganhará em pautar as suas opiniões pelo conselho de François Villon, espécie de D. Francisco Manuel de Melo e Cervantes lá das Franças – que dizia nada ter por certo, a não ser que existem coisas incertas.A sua convicção de que fui comandante de castelo não tem qualquer razão de ser. Não passei de lusito, que era o posto mais raso. O ambiente era alegre e despreocupado como hoje a juventude socratiana não pode fruir, os instrutores tinham paciência mas sabiam do que falavam e exigiam disciplina, o que se situa nos antípodas da maior parte dos actuais professores. Nunca lá ouvi a palavra “Salazar”, ao contrário dos alemães, cubanos ou chineses – pelo que considero infeliz que pondere como idênticas coisas absolutamente diferentes.Sobre o futebol, ouvi dizer que somos dos países que mais perde em produtividade á conta dos remates à baliza (bem raros, por sinal). Ou seja, quer ganhemos ou não o tal campeonato, acabaremos sempre a perder. Há uns anos o pantanoso Guterres dizia que Portugal estava na moda. Agora estamos noutra coisa, com semelhante viscosa textura, que começa e acaba com as mesmas letras mas tem mais uma e é menos elegante. O que vale é que, como reza a constituição, estamos “a abrir caminho para uma sociedade socialista”.Recebo diariamente de um site 3 frases ou pensamentos que apelam à meditação. Um dos de hoje é de Platão e fala das cidades-estado de então, como hoje concebemos os nossos países:“We see many instances of cities going down like sinking ships to their destruction. There have been such wrecks in the past and there surely will be others in the future, caused by the wickedness of captains and crews alike. For these are guilty men, whose sin is supreme ignorance of what matters most.”E depois digam que a história não se repete.

        1. Não consta que exista uma juventude socraniana.Poderiam não falar de Salazar,mas traziam-no no cinto.Apesar da ignorância não constar no menu de pecados,concordo que o é de facto!!!

          1. “…Há uns anos o pantanoso Guterres dizia que Portugal estava na moda. Agora estamos noutra coisa, com semelhante viscosa textura, que começa e acaba com as mesmas letras mas tem mais uma e é menos elegante…”Só um verdadeiro génio seria capaz de assim “retratar”.

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