IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO SEGREDO DE JUSTIÇA OU COISAS DO GÉNERO

 

Dois dias atrás, fomos surpreendidos com uma operação digna de espanto. A televisão, depois seguida pelos jornais, rádios e tudo quanto é ratazana, fazia uma inacreditável reportagem sobre uma acção conjunta de dezenas de juízes, procuradores, polícias e mais não sei quê, destinada a entrar de rompante numa série de bancos, com a intenção de detectar se há, ou não, um tenebroso cartel bancário para acertos de spreads e taxas. Eram dezenas de magníficos automóveis, com as matrículas disfarçadas, a partir em grande velocidade não se sabe de onde, com destino aos tais bancos, a entrar em caves e corredores, carregadinhos de investigadores. A coisa era descrita com pormenor, com a clara intenção de meter nas nossas cabeças que se tratava de uma operação tão importante como a captura do Bin Laden ou a limpeza de uma favela do Rio de Janeiro.


Declaração de desinteresse: havendo indícios que cheguem, o IRRITADO não tem, em princípio, nada contra este tipo de investigação.


Mas tanta parangona, e tão bem organizada, tão bem programada, dá que pensar. Vejamos. Normalmente, as polícias dão conta das suas acções, ou fazem propaganda delas, quando têm resultados a apresentar: apreensões de droga, de dinheiro sujo, de armas, captura de redes de imigração clandestina, etc. Parece, e bem, que durante a fase de investigação o segredo é a alma do negócio. Imagine-se o que seria se se propagandeasse que a polícia andava, em Freixo de Espada à Cinta, à procura dos irmãos Cavaco. Era oferecer aos ditos uma boa oportunidade de dar à sola, não é?

Desta feita, quando a operação começou a funcionar, já não havia banco nenhum que não estivesse a a pau com o serviço. A existir o tal cartel, as respectivas provas estariam a ser eliminadas a grande velocidade.

Vistas as coisas de outro ângulo, o que se pretendia talvez fosse lançar na opinião pública suspeições improvadas, a fim de denegrir os investigados.

 

Importante é que se trata de uma operação judicial. Não sei se tal coisa está, ou não, coberta pelo segredo de justiça, mas é evidente que, pelo menos, foi coberta por uma desmedida ânsia de notoriedade, absolutamente inprópria das entidades que tomaram a iniciativa. Um tal Sebastião, segundo os jornais, mobilizou as tropas especiais.

Como não se sabe de quem é a culpa da mediatização desenfreada do golpe de mão, evidentemente preparada com a devida antecedência, legítimo é concluir que todos são culpados: o tal Sebastião, a nóvel PGR, as magistraturas, os oficiais de justiça, a judite, todos.


Depois venham cá falar de segredo de justiça, de discrição da investigação, de protecção dos suspeitos e de outras nobres instituições do chamado Estado de Direito. Tretas.

 

8.3.13

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “DO SEGREDO DE JUSTIÇA OU COISAS DO GÉNERO”

  1. Começando pelo fim: qual «Estado de Direito»? Se fala de Portugal, então falta ligeiramente mais do que isso para ser um Estado de Direito… como de S. Bento a Vladivostok, mais metro menos metro. Quanto a «denegrir os investigados», fiquei ainda mais confuso: então não falamos da BANCA? Além deste óbvio cartel – apenas um dos vários CARTÉIS MAMÕES que depredam uma população pobre e apática, com a conivência dos governos – quem raio poderia «denegrir» a Banca? Sugere que há algo ou alguém com mais poder em Portugal do que a Banca? Só se for Deus, ou o Diabo – e mesmo assim… Mais a sério, este aparato é realmente absurdo, e os moldes da investigação também: será que esperam encontrar contratos nas sedes dos bancos, a comprovar o cartel? Ou talvez uma foto autografada do Sr. Salgado a apertar a mão do Sr. Ulrich, com a legenda “Enganámo-los bem!”…? Avanço outra teoria, oposta à do Irritado: é tudo fumaça, justamente para limpar a fuça suja dos “investigados”. No inevitável final feliz, verá como sairão por cima. Como sempre.

  2. Concordo que o segredo de justiça neste país só existe quando convém a algumas personagens.Quando não convém,estão-se cagando para ele.O show foi claramente montado com uma finalidade que não antevejo,mas eles lá sabem.E o Sebastião sabe até demais.De qualquer forma,tenho a certeza que os justiceiros e os banqueiros acabaram o dia em roda de uma garrafa de champanhe.O Sócrates também montou uma farsa destas relativamente ao Santo Espírito e sabe-se como acabou,um festim.Há bem pouco tempo mandou-lhe um recado para não se esquecer do seu “amigo de Paris”.Estamos conversados!

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