IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO MEDO

 

Se eu achasse que o nosso governo serve para alguma coisa, diria que tal organização já devia ter percebido que a solução do “estado de emergência” é capaz de não ser a solução. Por um lado, acabou a liberdade, a polícia é mandada perseguir quem mais não quer que ir dar uma voltinha. Por outro, a economia entrou em quarentena, ninguém é capaz de, sequer, imaginnar as consequências da paralisia social e laboral em somos levados a viver. É evidente que não há medidas dos governos que possam funcionar sine die para compensar o descalabro dos que são privados de rendimento. Todos somos privados de rendimento, uns já, outros a curto prazo. O Estado também, sem rendimento não há impostos, sem impostos não há saúde, nem educação, nem segurança social, nem segurança tout court. O Estado, tantas e tantas vezes tão justamente acusado de se meter onde não é chamado, vai atirando dinheiro à cara das pessoas (quantas, quem, como?) verá o dinheiro acabar, e será o caos que já é multiplicado por n.

Há muito quem esteja a ver um bocadinho mais longe que o Estado que temos. Há muito quem veja as estatísticas e o que elas mudaram, coisa que o Estado se recusa a ver. Mudaram tanto quanto diz o governo? É claro que não, não são tão assutadoramente diferentes do que na meia dúzia dos últimos anos. Pelo menos no que diz respeito aos óbitos, ora atribuídos, todos, ao vírus. Então porque será tão útil e tão indispensável a paralisia geral decretada com foros de guerra à liberdade?

O medo é mais contagioso que o vírus. Não será essa a mais perigosa das epidemias? O turismo acabou, mas tudo o resto também tem que acabar?

Começa a haver reacções violentas, em Itália e Espanha já as há, e vai haver muitas mais, e mais graves. Valerá a pena? O medo começa a ter consequências, já há quem não tenha que comer, quem não tenha pão para dar aos filhos. Valerá a pena?  

Há sítios, como a Suécia, onde se tenta ultrapassar o medo, onde ainda se trabalha e se estuda, onde só se proteje quem precisa mesmo de ser protegido. Nos países do medo quem precisa de mais protecção não a tem, os hospitais abarrotam de constipados e engripados, com vírus ou sem ele. Será sustentável? Que Estado, que sociedade resiste a isto duravelmente sem colapsar?

Tudo questões que nos vamos pondo, sem resposta certa mas com certíssimas inquietações, sendo que a mais grave é a que me faz perguntar: como acabar com o medo se ele é instilado todos os dias na cabeça de cada um, sem remédio nem esperança?

 

 30.3.20



3 respostas a “DO MEDO”

  1. Avatar de outro anónimo
    outro anónimo

    Há quem comece a ver as coisas de modo diferente… como se se acendesse uma outra luz, uma luz com um brilho diferente a iluminar esta nossa realidade com outros tons e a fazer sobressair aquilo que antes parecia escondido, aquilo que antes não se queria ver. O engano torna-se evidente e o que parecia essencial torna-se agora um peso carregado na consciência. Como foi possível acreditar?! Como foi possível cair na lengalenga?! Os motivos eram bons mas… não são sempre? E agora? Afundamo-nos numa distopia, gramamos com a quarentena e continuamos cobaias desta experiência social ou buzinamos enfurecidamente da próxima vez que nos impedirem de ir a banhos lá para terras do sul? (“Quarentena vai durar até final de junhohttps://www.noticiasaominuto.com/pais/1445407/hoje-e-noticia-quarentena-ate-junho-bancos-suspendem-credito-do-carro ) Falinhas mansas são contagiosas… já devíamos estar vacinados. Não estamos. Não é a primeira vez que nos apanham a pretexto de um bem maior… algo amolece cá dentro e aceitamos tudo, uma e outra vez. Quantas vezes mais? Parcos recursos a serem despendidos a tratar toda gente por igual como se fossemos todos iguais, todos com as mesmas fragilidades… e a perseguir todos os que ousam sair da linha. Como pode assim sobrar para quem mais precisa? Mais uma para o medo: não era esta uma boa ocasião para fazerem testes de stress aos Bancos? Surpreendentemente é isto que está a acontecer: «17.03.2020 às 8h12 – Os bancos podem falhar o cumprimento de exigências, têm mais tempo para entregar relatórios e não terão, este ano, de enfrentar os temidos testes de stress.»https://expresso.pt/coronavirus/2020-03-17-Bancos-tem-regras-mais-suaves-por-agora.-Objetivo–Poder-financiar-empresas-e-particulares

  2. Avatar de outro anónimo
    outro anónimo

    Continuando a fazer uso dos dotes de (alguma) adivinhação que revelei aqui https://irritado.blogs.sapo.pt/ha-de-ser-o-que-calhar-1126103 prevejo agora que muito boa gente que tem por hábito ou necessidade conduzir até ao emprego, finda esta quarentena de três meses e meio e se já não estiver permanentemente desempregado, vai chegar com várias horas de atraso ao seu local de trabalho ou possivelmente faltar a todo o primeiro dia e ver-se-á obrigado a utilizar transportes públicos ao longo dos dias seguintes, quem sabe se semanas. Porquê? Por uma simples razão… as baterias dos seus carrinhos estarão descarregadas! A enchente que haverá nos transportes públicos nesses primeiros dias… se já era mau para muitos passará a ser pior que sardinha enlatada! Portanto, vamos lá espalhar a mensagem: ponham os carros a trabalhar durante pelo menos 15 minutos, de preferência todas as semanas.

    1. Obrigado. Já arranjei quem ponha os motores a trabalhar!

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