IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DINAMIZAÇÃO CULTURAL

No dealbar dos abomináveis tempos do PREC, hordas de militares, uns de inspiração marxista outros simplesmente ignorantes, espalharam-se pelo país a fim de explicar ao povo o que era a democracia. Chamou-se à coisa “dinamização cultural”. A democracia era o socialismo, sem socialismo não havia democracia, quem não fosse socialista era, objectivamente, inimigo da democracia, ou seja, fascista, inimigo figadal do povo e da revolução libertadora. O socialismo, explicavam os militares, tinha exemplos notáveis de sucesso e de liberdade em países como Cuba, a Rússia ou a China.

Esta gente, ano e meio passado, foi vencida. Mas o socialismo ficou por aí, ora explícito, como na Constitução, ora por diversas formas implícito na noção de democracia. Tudo o que não tenha, evidente, um cheirinho de socialismo, continua a ser objecto de anátema.

Assim, quarenta anos depois, o socialismo “propriamente dito” voltou a fazer parte do poder. Mas, como há dificuldade em fazer passar as suas magníficas ideias, desta feita sob forma orçamental, teve tal poder necessidade de o explicar às gentes, ainda atónitas perante a bastardia em vigor. Orgulhosamente sós perante a Europa e o mundo, os nossos novos donos espalham pelo país fora uma nova “dinamização cultural”, agora levada a efeito não por militares de cérebro lavado ou vazio mas por representantes do poder apostados em exercê-lo custe o que custar e a quem custar, nem que para tal seja preciso dizer que dois e dois não são quatro.

A História tem coisas que, mutatis mutandis, são a mesma coisa.

 

15.2.16

 

ET. Depois de aniquilado o twitter que dizia mal dele (não foi ele!, diz ele), Costa entra na net, em dinamização cultural, como os ministros, que, à moda do PREC, mandou em pessoa. Como é natural, este blog não publicará o endereço do dinamizador-chefe.



Uma resposta a “DINAMIZAÇÃO CULTURAL”

  1. Bom Dia,Circulava na net em busca de elementos sobre “Dinamização Cultural”. O seu post com o título Dinamização Cultural, chamou-me a atenção por outra coisa não revelar senão oposição discorrente às políticas de sustentação do actual Governo. Curioso, para mim, é que as suas palavras parecem necessitar de uma dinamização histórica, ou seja, uma reactualização de contexto. Claro, além de uma clarificação de circunstâncias que só aparentemente são coincidentes no discurso..Não deveríamos centrar o desagrado sobre a propaganda governamental pelo cerne da questão, i.e., “esta não é uma política cutural, é uma acção de “agitprop”? E nem sequer lhe pergunto em qual exactamente estaria a pensar em contrapor, porque pelo teor, e disso peço-lhe desculpa se me enganar, não tem nenhuma. Ou seja, a que se consubstancia na ausência da anterior.Mas não faz mal. Com barbudos a trote por Trás-os-Montes ou distintivo na lapela de merceeiros em São Bento, o país segue o seu caminho. Com ou sem ministro da Cultura, torna-se evidente que mantemos o nosso carácter indómito de resistência ao centralismo e, por isso, até o velho botas poderia ressuscitar, ourvirmos por mais 40 anos a coqueluche dos seus discursos de sacristia, e iríamos resistir para … depois o fazermos cair com ajuda de cadeira ou não. E continuarmos sem saber o que queremos para além de sermos.Portugal é maior do que qualquer uma das nossas visões que dele temos. Isto não tem mal nenhum. Mal é não termos outra coisa a visionar senão o desfoque daquilo que é importante para além dos umbigos cheios de teias de aranha.CumprimentosMário Santos

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