IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DIÁLOGOS DO PODER

– Não sei porque me fazes essa cara, pá!

– É que eu julgava que tratava de outras coisas…

– Pois é, pá, mas desta não podes fugir. És membro do gabinete de crise, pá, além disso tens palheta e, como sabes, a ordem é aparecer, os tipos das televisões estão todos ao serviço… e nós mobilizados, à altura da oportunidade, a alimentar a coisa! Temos que ter pelos menos dois ministros 24 horas por dia em cada televisão, pá, somos o único concorrente aos teóricos da bola!

– Tens razão, pá, mas eu, de gasolina, gasóleo e camiões não sei nada…

– Que se lixe, pá. Faz como os outros, diz coisas. Tu até gostas de dizer coisas. A malta da informação está atenta, nos intervalos dos ministros põem uns choferes a dizer umas tretas e uns tipos nas bombas que está tudo OK, que o governo tem autoridade, que o problema não é grave porque o PS está mobilizado e que tudo vai correr pelo melhor, estás a perceber? Olha, só o camarada ministro do emprego ou lá o que é já deve ter várias horas de antena, o barbaças dito do ambiente não se cala, ninguém está de fora…

– E o Pardal?

– O Pardal é parvo. Ainda não percebeu que está a trabalhar para nós. É burro que nem um comboio. Cada vez que fala aumenta os votos cá na malta.

– E os tipos dos partidos? E dos sindicatos?

– Os camaradas da geringonça não podem deixar de meter a viola no saco, o Arménio está à rasca com as greves a sair-lhe do controle, o comité central aperta com ele, os patarecos da direita não contam.

– Pois é, no fundo achas que tudo está a correr pelo melhor, mais uns dias de greve e temos a maioria absoluta no papo, não é?

– Vês como percebes, ó Silva? E, se as nabiças começarem a faltar no supermercado, arreamos a giga, ainda não sei como mas cá me arranjarei. Como PS não se brinca, como tu gostas de dizer. Quem brincar leva, não é? Eu sei que já não é fácil pôr as culpas para as costas do Passos Coelho, mas a camarada Catarina em boa hora  veio dar uma ajudinha quando disse que a culpa era da troica, portanto… o que é preciso é inculcar.

– Inculcar?

– Sim, filho, inculcar na cabeça da gleba que o problema vem de trás, e que nós, mais uma vez, somos os salvadores da Pátria, olaré. Comunicação, camarada, é tudo comunicação. Por isso estamos a meter ministros, todos são precisos para a comunicação. Não sei se reparaste que já comecei a meter secretários de Estado ao barulho. Pessoal não falta. Jornalistas também não.

– Tenho visto pouco o camarada Pedro Nuno…

– Esse é como o Adamantir.

– Queres dizer Adamastor?

– Pois, é isso, é como esse gajo que queria o mar do Dom João. Mas o Dom João sou eu e quem se afoga é ele.

– Boa imagem, pá. És um tipo culto.

– Só agora deste por isso?

– …

– Bom. Vai mas é reservar uns minutos na TV, mete-te na escala quanto antes. Até logo.

 

14.8.19      



Uma resposta a “DIÁLOGOS DO PODER”

  1. Avatar de cidadão urbano
    cidadão urbano

    Final de um texto de opinião de uma tal de Raquel Varela publicado no Público:«(…)Os motoristas estão a defender a democracia porque estão a defender o emprego com direitos. Estão a defender a democracia porque estão a defender o direito à greve.É uma tarefa colossal para um punhado de homens, mesmo que determinados. A sociedade portuguesa, e à cabeça todos os sindicatos democráticos, não os devem deixar sós. Não estamos a debater o carro de um advogado, mas os destinos de um país.»

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