Parece que a RTP, libertada por Passos Coelho de longa servidão política, se cansou de ser livre e responsável. E voltou à nobre missão de defender o poder, maxime o poder do PS. Uma reportagem que punha em causa a credibilidade do famoso trauliteiro Galamba não foi publicada antes das eleições.
Diz-se que ficou no choco até ao assentar das águas, só depois vindo cá para fora. Como é evidente, a polémica tem sido muita, a RTP foi acusada de defender o PS, calando a reportagem a dois dias das eleições. Nada mais natural – a polémica, não o “atraso”.
O mais interessante é a indignação da RTP. Veio a lume ofendidíssima: a tal reportagem não ficou pronta antes das eleições, por isso não pode ser transmitida a tempo. O que se disser em contrário é mentiroso, indecente, oportunista, etc..
Coma disto quem quiser. É que a própria natureza da reportagem levaria o menos esperto a concluir que, se fosse publicada logo a seguir às eleições, inevitável tempestade de acusações se levantaria. De bom senso seria evitá-la, publicando-a a história três ou quatro semanas depois, com a desculpa do atraso que agora alega.
Com argumentos como os que brandiu, vitimizando-se, “à la Sócrates”, a RTP perde prestígio, havendo que perguntar se há por lá alguma perda de juízo, ou se o IRRITADO tem razão quanto à nova/velha orientação da casa. O futuro o dirá.
30.10.19

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