IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DECISÃO

Alguns comentadores têm vindo a estranhar que o Irritado esteja a considerar a hipótese de vir a votar nulo nas eleições para a Câmara de Lisboa.

 

A esses, os interessados, e aos demais, com a devida vénia, por esta via se comunica que o Irritado decidiu votar Carmona. Olaré. Nem mais nem menos.

 

Os problemas de Lisboa são graves. Há que evitar que os seus inimigos tomem conta dela, os agravem, e criem outros. É esse o primeiro objectivo do eleitor que se preza e preza a sua cidade.  

O maior inimigo de Lisboa é o Fernandes. Pelo que faz, e pelo que pensa. O homem que mais caro custou a todos nós (catorze processos contra a Câmara, todos improcedentes, monumentais prejuízos causados com a paralisação das obras do túnel, onze assessores, totalmente inúteis mas bem pagos…), que, de parceria com o governo, restaurou o espírito da bufaria, da denúncia, da abordagem policiesca das questões, da não aceitação de decisões democraticamente tomadas. É, provavelmente, o maior inimigo que Lisboa e os Lisboetas já conheceram. Mas o que representa como perigo não é acompanhado por força eleitoral que o possa pôr no alto do poder.

O mesmo se não pode dizer do candidato Costa. Esse, para nossa desgraça, junta a força eleitoral do PS ao ódio profundo e visceral que nutre pela cidade. Que outro sentimento pode justificar que defenda o aeroporto da Ota e que se proponha governamentalizar, via garrote financeiro e não só, a gestão da cidade? Que postura de inimizade, de desprezo e de monstruoso cinismo pode ser mais forte do que a de quem, dizendo defender a intervenção da CML na área ribeirinha, mete um dos seus áulicos, o repugnante Júdice, como agente do governo para o efeito? Se é para meter o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) na frente Tejo, então deixem lá estar a APL! Eleger Costa representará integrar a cidade no universo persecutório, concentracionário, aldrabófono e rasca do Partido Socialista.

Por isso que, com ou sem esperança, seja tão importante votar contra ele.

Como?

Se olharmos as sondagens, é fácil ver a brutalidade da traição (estupidez?) do senhor Mendes ao seu partido e ao seu eleitorado. A soma dos votos dos dois candidatos da sua área dá, à vontade, para deixar de fora o Costa. Mas, para o senhor Mendes, valem mais as raivinhas, as intriguinhas palacianas, as denunciazinhas patetas, as moralidades chochas e zarolhas, que os interesses do partido, dos eleitores e da cidade. Vamos deixar-nos sacrificar no altar destes estúpidos desmandos? Não! Vamos eleger o candidato inventado para salvar a face, se é que ela existe, do homem que desgraçou e continua a desgraçar o PSD? Não! Vamos eleger um fulano, que talvez seja boa pessoa mas que, evidentemente, não percebe patavina daquilo que se propõe gerir? Não!

 

Para evitar o Costa haverá que tentar concentrar os votos dos segundos classificados num só deles. É difícil, mas vale a pena. Excluído o Negrão pelas razões acima, resta Carmona. É o ideal? Talvez não. Foi capaz de dominar o saco de gatos da sua câmara? Não foi. Meteu na ordem o Fernandes e a Pinto? Não meteu. Mas é um homem sério, bem intencionado e sabedor. Aprendeu muito nestes anos. É inteligente. Sabe com quem vai estar metido. Ficou claro, no miserável debate da RTP, que é o único que se não fica por patacoadas, mas que conhece, no concreto, as questões concretas. Sabe que há problemas de tesouraria, que não tem, no curto prazo, meios para os colmatar, mas não se mete em demagogias de “fundos” ou de “contratos”. Não esgrime com a origem do mal (o consulado social-comunista do senhor Soares), não acena com desculpas, diz a verdade: financiar a dívida de curto prazo, reestruturando-a e usando, nos anos subsequentes, com parcimónia, o saldo positivo (existente) dos exercícios. Continuar a política de redução de despesas, melhorar a gestão do património e do pessoal, pôr a malta a trabalhar. Será difícil, mas é fazível e não é demagógico nem aldrabão.

Carmona, de entre o infeliz leque de personalidades que nos é proposto, é a escolha. A única possível.

 

E Roseta?, perguntar-se-á. Roseta tem o handicap da sua gestão em Cascais, que devia chegar para nunca mais querer ser autarca na vida. Desta vez, após uma viagem desde PSD até à esquerda do PS, a senhora entrou no paroxismo da demagogia bem-falante. Já viram o que seria os bairros sociais em auto-gestão? Já viram o que seria, em vez de reestruturar a divisão administrativa da cidade subdividi-la numa miríade de interessesinhos de moradores (des)organizados? Esta paranóia de “democracia” directa, de menosprezo pelos eleitos em favor de activistas que nada representam., é um perigo mortal, tanto para a gestão da cidade como para a democracia propriamente dita.

 

O resto dos candidatos… para quê falar deles?

O Carvalho tem os votos do PC, e acabou-se.

O do MRPumpum não interessa. O do PPM (como é que o tipo se chama?) é um analfabeto, uma besta quadrada. O skin head, valha-me São Pancrácio. Quem são os outros? Já não sei.

Ah! É verdade! Há o Correia. Coitado, não é mau rapaz, mas, se queremos fazer mal ao Costa…

 

E se se conseguisse juntar os votos desta malta toda no Carmona? Não seria possível? Não há esperança? Sei lá.

 

António Borges de Carvalho

 


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