IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA VERDADE HISTÓRICA

 

Há verdades históricas que, sendo duvidosas, são universalmente aceites como irrefutáveis.

Outras, irrefutáveis, há quem ponha em dúvida.

O senhor Colombo foi à procura da Índia. Aportou a uma ilha das Caraíbas e voltou dizendo que tinha descoberto o que procurava. Desfeito o engano, a ilha e o resto passaram a “Índias Ocidentais”, o senhor Colombo foi promovido a Almirante do Mar Oceano, e passou à história como descobridor da América – nome, aliás, dado a partir de posteriores navegações de um senhor, Américo de sua graça. Os seus descendentes ainda hoje são podres de ricos à pala disso. Uma verdade duvidosa da qual ninguém duvida.

O senhor Adolfo mandou matar uns milhões de judeus, ciganos, maricas, etc. Passou à história como culpado, mas continua a haver quem ache que não foi bem assim e que o fulano era um patriota doce e esclarecido, que Auschwitz é uma lenda e que o gueto de Varsóvia foi tão giro como a Feira Popular. Uma verdade irrefutável que há quem refute.

 

Uma coisa é haver historiadores que coonestam falsidades ou fanáticos que negam evidências.

Outra é transformar opiniões em crimes. Onde vai parar a liberdade de pensamento e de expressão, se as verdades passam a ser oficiais? Não será uma maneira de “excitar” o negacionismo, ou o seu contrário?

Há já um bom par de anos que os franceses transformaram em crime a descrença no holocausto nazi. Para quê? Crime é o que os negacionistas usam fazer por conta das suas ideias, não as ideias em si.

Mas os franceses insistem. O holocausto dos arménios pelos turcos não só é, há muito, uma verdade oficial como, agora, a sua negação passou a crime.

O IRRITADO visitou, em tempos, o museu do holocausto, em Erevan. Não tem dúvidas sobre tão horrenda carnificina. Ouviu os argumentos turcos sobre o assunto, todos um tanto falhos de justificação. Mas não sabe – há tabelas para tal – em que conceito se enquadra, se no de crime de guerra, se no de genocídio, se no de holocausto, se em legítimo acto, se quê. Nem lhe interessa saber.

Seja como for, a verdade histórica é uma para os arménios, outra para os turcos.

Sendo certo que duas verdades opostas não cabem no mesmo saco, não o é menos que a atitude mais sensata seria que cada um ficasse com a sua.

Não se pode perceber esta provocação francesa, puramente política, a um seu aliado na NATO, a um candidato muito sério à UE, a um país que, sendo muçulmano, é uma democracia cada dia menos discutível enquanto tal, um elemento de inegável importância na estabilidade possível de uma das regiões mais instáveis do mundo e uma incontornável potência económica. Por outro lado, se é verdade que há uma importante comunidade arménia em França, não o é menos que aquele país do Cáucaso, mau grado a proclamada vontade de ocidentalização, é fiel seguidor e admirador da Rússia e vive numa democracia gritantemente oligárquica e muito menos digna de consideração que a turca.

 

Os franceses perderam uma bela ocasião para ficar quietinhos.

 

27.12.11

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “DA VERDADE HISTÓRICA”

  1. De facto, como disse Lao Tsé «quem se coloca em bico de pés não se firma com segurança». Os franceses têm muito essa mania. Penso, relativamente a qualquer das situações, que aconteceram dois genocídios. Penso que é a palavra indicada, que ambos foram acontecimentos de horror e sofrimento, que nos deve fazer pensar sobre a nossa condição e daquilo que poderemos ser capazes de fazer. Se se fizer uma lista de povos que andaram a fazer tropelias e chacinas em terras alheias, os franceses terão lugar de destaque. Por isso vou terminar, de novo com palavras de Lao Tsé « O homem virtuoso não tem segurança nas suas virtudes e, só por isso ele é virtuoso …» É sempre preciso ter muito cuidado com os puros e os moralistas.

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