IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA SUBSTÂNCIA DAS COISAS

 

Há quem não pense duas vezes, ou que quanto mais pense mais asneiras pense.

É o que se vem passando com muito boa gente aqui ao lado, no Império Castelhano, conhecido por Espanha.

Enquanto, nos termos da Constituição democrática do Reino espanhol, os deputados, por esmagadora maioria, aprovam a abdicação do Rei e, por conseguinte, a subida ao trono do seu Herdeiro (299 a favor, 19 contra, 23 abstenções e meia dúzia de cobardes que não votaram), hordas de fanáticos da república – de tão má ou pior memória que o franquismo (lá como cá…) – parecem querer reabrir as feridas da guerra e, se possível, ressuscitá-las.

Os argumentos são de caixão à cova, velhos clichés sem sentido nem ideal, folclore peudo-democrático, raiva pura e simples, estupidez q.b., etc. Incapazes de reconhecer que devem ao Rei a democracia e a liberdade, divorciados das mais elementares considerações sobra a importância da coroa para a unidade do Estado, são capazes de se agarrar a pormenores – poucos que tenham a ver com o Rei – chegando ao ponto, absolutanente falso, de dizer que a república seria “mais barata”. Tanto erro junto, é difícil imaginar.

 

Felizmente para a Espanha e os espanhóis, o país goza de um vastíssimo acordo político sobre o Regime, acordo onde se incluem os republicanos socialistas e comunistas – coisa impensável entre nós! – e de que se excluem meras franjas ultra fundamentalistas e parte de separatismos mais ou menos inconscientes dos seus próprios interesses.

O IRRITADO é insuspeito de simpatia ou antipatia pessoal por Filipe VI. O nome causa-lhe arrepios. A Senhora não será a mais indicada. Mas isso não importa. O que importa é que a Instituição mais libertadora e inteligente em vigor na Europa se manterá em Espanha, a liberdade dos espanhóis e a unidade do Estado terão um defensor que, como tal liberdade e tal unidade, enquanto substanciais, são subtraídos às circunstanciais pelejas políticas e ficarão para além delas, devida e intemporalmente representadas.

 

 12.6.14

 

António Borges de Carvalho



10 respostas a “DA SUBSTÂNCIA DAS COISAS”

  1. Sem repisar os argumentos óbvios contra a Monarquia – a injustiça, o arcaísmo, etc. – acha mesmo que essa “dívida ao Rei” já não foi paga? Acha mesmo que os espanhóis, em plena crise e com 27% desempregados, têm o dever de sustentar ad aeternum (e ad nauseam) uma cambada inútil, cuja vida inteira consiste de festarolas, caçadas, e passeatas sumptuosas? É claro que acha. Mas e os espanhóis? Também acham? Se está tão certo disso, então que tem contra um REFERENDO? Só pode ganhar, né?

    1. Não tenho medo nenu«hum do referendo. Todas as sondagens reduzem os republicanos a muito poucos.Duas coisas: em pricípio, não sou adepto de referendos, geralmente feitos quando o poder legítimo não tem coragem para tomar decisões; o referendo sobre o assunto (a chefia do Estado, não a democracia) não faz qualquer sentid, porque não é um problema, a não ser para curtos de vista.

      1. Com a excepção de direitos fundamentais ou questões triviais, TUDO pode e deve ser referendado. Os direitos fundamentais impedem abusos contra a dignidade humana, e minorias. As questões triviais impedem a banalização dos referendos, e o dispêndio de tempo e dinheiro em disputas bacocas. Para essas há os políticos. Em tudo o resto, não há qualquer razão lógica para não dar a decisão aos cidadãos – a quem PAGA o resultado das decisões. Os eleitos deviam ser meros funcionários: como um administrativo, ou um canalizador, que se contrata para executar um trabalho. Pago e mandado por nós. O limite da sua autonomia são as nossas decisões. Já os monarcas nem sequer são eleitos. São uma excrescência do passado. Que gastem o dinheiro da famelga, sem onerar o contribuinte. Se o dinheiro acabar, vendam os palácios. Trabalhem. Produzam. Como toda a gente. Isto que digo é assim tão absurdo, Irritado?

  2. Um aparte: lembra-se daquela cançoneta que aqui comentámos, “Horas de matar”, com o Adolfo Luxúria Canibal aos tiros aos políticos? Pois bem, eis que dou com o feroz Adolfo numa crónica do Sol. Sim, precisamente o jornal mais alinhado com o governo. E qual o tema da crónica? Arroz de pato. Não estou a brincar: http://www.sol.pt/noticia/107509 Aqui tem o sanguinário rebelde… porca miséria.

  3. Deve ter começado a “Silly Season” e não sabia.Fazer um referendo de cada vez que um soberano abdica ou morre. é uma coisa qualquer entre a monarquia e a republica que eu não sei o que é.

    1. Porque não fazer um referendo à república de cada vez que muda o presidente?A república, em Portugal, foi imposta “manu militari “, e não me consta que alguma vez tenha sido referendada.

      1. Avatar de XXI (militante PSD)
        XXI (militante PSD)

        Diz o IRRITADO “Há quem não pense duas vezes, ou que quanto mais pense mais asneiras pense.”Todavia, “Há quem quanto mais escreve mais asneiras escreve.”.

    2. Concordo: a Monarquia merece um referendo. Esta República é uma desgraça com pernas – um presidente mumificado, um Paralamento de bandalhos, um governo aldrabão e capataz de mamões, um esgoto partidário ao nível da América Latina. Mesmo assim, basta olhar para o choninhas D. Duarte Pio, e pensar que teríamos de levar com ele mais a sua prole indefinidamente. Creio que o assunto ficaria resolvido de vez. A Monarquia seria claramente derrotada, e os monárquicos deixariam de se poder desculpar com a I República. Mas e se ganhasse? Então, parabéns. É isso a democracia. Se a maioria da população preferisse a monarquia em referendo, quem me restaria senão aceitar isso? “Silly”, caro António, é não haver referendo nenhum. Silly é delegar todas as decisões, como agora. A chulos e bandalhos.

      1. Avatar de Antonio Castro
        Antonio Castro

        Caro FilipeConcordo!

        1. Avatar de XXI (militante PSD)
          XXI (militante PSD)

          Uma “verdade de La Palice”: “Há quem quanto mais escreve mais asneiras escreve”, ou, “Um cêntimo é um cêntimo, um cretino é um cretino”.

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