IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA FELICIDADE

 

O inigualável Júlio Isidro, frequentador de almoços da Associação 25 de Abril, pôs inúmeros generais e coronéis a chorar baba e ranho ao ouvi-lo ler um texto, pelos vistos genial, texto que, diz-se, é hoje “viral” nas chamadas redes sociais.

É comovente ver os duros homens, em perigos e guerras esforçado, se calhar heróis, a lacrimejar impotentes perante a isidral verve.

Exactamente porquê? O IRRITADO não sabe, nem vai perder tempo à procura de tal oração. Mas, ao que o Júlio diz nos jornais, deve ter-ser tratado de coisa celestial.

 

Segundo ele, a felicidade é a liberdade, não se é livre sem se ser feliz, nem feliz sem se ser livre. Mais ou menos assim:

O que é ser livre, ou feliz? É ter “bem estar, as necessidades básicas garantidas, a ideia de um futuro risonho, de um Estado que vela por cada um de nós… isso… são valores da liberdade.” Hoje em dia, as pessoas vivem angustiadas, não dispõem de “uma sociedade que as protege  e as respeita”, as pessoas vivem “a incerteza, a desesperança, a tremendíssima angústia do dia de amanhã… As pessoas não são livres”.

 

Andam, há milénios, filósofos, psicólogos, ascetas, psiquiatras, sacerdotes, sociólogos, profetas, a tentar definir o que seja a felicidade.

O Isidro resolve a questão em duas penadas: quem não tem um Estado a tratar de tudo (quem paga é outra coisa), não é feliz e, não sendo feliz, não é livre. E vice versa, etcetera, paralelamente. O Estaline e o Hitler diriam a mesma coisa, não é? Todos iguais, o Estado a resolver o que é preciso, saúde, alimentação, educação, transportes, empregos, cultura, fraldas para os meninos… e todos seremos felizes e livres, ou livres e felizes.

 

O IRRITADO imagina a raiva que estas palavras devem provocar em inúmeras almas bem intencionadas, eventualmente infelizes e escravizadas. Imagina também onde pode levar o estilo de “raciocínio” dos nossos inumeráveis isidros. Imagina mais, o mal que a postura de ideal comodidade deles pode fazer à sociedade. Demitamo-nos da nossa vida, da nossa luta por ela, das nossas responsabilidades! Há, ou tem que haver, um deus chamado Estado que nos trata do essencial, mais não nos competrindo que ir tratando do acessório. Se não tratarmos, que se lixe: lá estará o deus dos isidros para nos dar o que é preciso. Seremos felizes e livres, os generais chorarão de comovida alegria, o paraíso afinal está ao nosso alcance.

 

Gaudeamus.

 

18.2.14

 

António Borges de Carvalho



7 respostas a “DA FELICIDADE”

  1. Vou confessar uma coisa. Como qualquer homem sabe, ter uma erecção num momento inoportuno, geralmente em público, pode ser embaraçoso. Para tentar combatê-la, cada um tem o seu truque. Um dos meus é pensar no Júlio Isidro. A sério. Para mim, poucas coisas neste mundo são tão devastadoras para a líbido como a criatura. O Isidro não chega a causar repulsa como o Baião, desprezo como o Jorge Gabriel, ou irritação como o Goucha; é simplesmente, anodinamente, deprimentemente, isidralmente patético. A comparação mais próxima que me ocorre é um sedativo em forma de supositório. Não obstante, fui ler o tal texto. E não encontrei NADA do que o Irritado cita. Apenas algumas banalidades compungidas, e também algumas verdades: – Há terras do interior sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, mas os festivais de Verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros. – Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, por que é que se vendem? – Há carros topo de gama para sortear e autoestradas desertas. – Aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável”. O tom geral é: a crise é uma farsa, e os que mais ganharam com ela continuam a encher-se à nossa custa, impunes e de braço dado com o poder político. Ou seja, nenhuma mentira.

    1. Quanto à sua admiração pelo Isidro, sou levado a concordar. Quanto ao texto que refere, não o li, como, aliás, digo no post. As minhas aspas referem-se a uma entrevista que o referido senhor deu ao DN, edição de hoje, ultima página.

      1. Nem o leia… eu também não consegui!

    2. Ahahahah… fantástico!!!Parabéns.

  2. O tal Isidro deve ser muito feliz.É um dos que conseguiu chegar a ,bilionário como empregado de televisão estatal.Deste parasita hipócrita cuidou bem o tal Estado,que saca quanto pode aos mais humildes e aos que algo produzem,para que os partidos políticos possam fazer uma festa de 4 anos a distribuir pelos amigos e pelos “empresários amigos”

    1. Assino por baixo. Trata-se de um abrilino espertalhão… um bom fdp…

  3. Estou faro de vigaristas e mentirosos. O sr. não está?

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