IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA ESTUPIDEZ CIENTÍFICO-BUROCRÁTICA

 

Fui um frequentador assíduo do Portinho da Arrábida. Tive lá um barquinho, depois outro, e ainda um terceiro. Durante uns trinta anos. Tinha a minha poita, navegava por ali com a filharada e a mulher. A coisa era fiscalizada pela Polícia Marítima, que verificava as cartas, a fateixa, os coletes, o diabo a quatro.

O Portinho tinha muitos defeitos, o sistema era primitivo, o estacionamento caótico, etc. Mas, para quem gostava verdadeiramente do Portinho, tudo era, afinal, engraçado. E não fazia mal a ninguém, menos ainda ao mar ou à Serra.

As coisas melhoraram muito quando o senhor Mata Cáceres (não o senhor Pimenta) acabou com as barracas e as casotas. Depois…

 

Vieram uns sabichões dizer que andavam a proteger a natureza. Criou-se uma “entidade” gestora dos portos de Sesimbra e Setúbal. As poitas passaram a meia dúzia e tornaram-se caríssimas. A burocracia apoderou-se do sistema. Quem quisesse ter um barco tinha que ir para hediondas paragens, perto de Setúbal. Isto depois de um processo complicadíssimo, injusto e caro. Foram abolidas as zonas de abicagem. Passou a ser proibido fundear fosse onde fosse, para “proteger os ecossistemas”, como se alguém fundeasse em cima de algas ou de rochas. Pesca submarina nem sonhar. E, mesmo a pesca artesanal, só a 450 metros da costa (quem os mede?). Os predadores invadiram as águas “libertadas”. Acabaram os linguados, os chocos e as raias. As multas começaram a chover. Todas as embarcações, incluindo canoas e caiaques a remos, foram impedidas de navegar entre o Portinho e a Figueirinha. Etc.

 

Imperam os poderosíssimos sabichões. Aqui, como em Foz-Coa e um pouco por toda a parte. E são pagos para isso.

Há uns anos que não tenho barco. Tiraram-me o Portinho, tiraram-me o gozo da navegação, do Portinho à Figueirinha ou a Tróia, de Setúbal a Cascais. Vou lá, uma vez por outra, matar saudades e comer umas amêijoas, presumo que ilegais.

Faço mal. Não se deve voltar onde se foi feliz, não é?  

 

24.8.10

 

António Borges de Carvalho



10 respostas a “DA ESTUPIDEZ CIENTÍFICO-BUROCRÁTICA”

  1. Falta o contraditório!!!

    1. Hoje vou imitar o inefável Tecelão, que quase sempre se rege e exprime pela(s) boca(s) de outros, extasiado em repetir slogans vazios inventados por cabeças devolutas – e que por isso ecoam troantemente naquelas onde há espaço com fartura. Depois de ler a justa revolta do Irritado, ocorreu-me o conselho do William Penn, que já no séc. XVII tinha percebido aquilo que o bom Tecelão do séc. XXI ainda não alcançou: “Let the people think they govern and they will be governed.”

      1. De si não esperaria outra coisa,devia ter sido sacristão.Pontifica sempre com AMENS!!!

    2. Avatar de daniel tecelão
      daniel tecelão

      Não tenho dificuldade nenhuma em admitir que grassa por aí muita burocracia estupida e ignorante, que serve para empecilhar a vida de muita gente e dar ocupação a uns tantos burocratas canhestros.Tambem percebo muito bem os amargos de boca das pessoas quando são beliscadas nos seus interesses mesmo que legitimos.Admitamos que 1% da população portuguesa decidia ter um barco no Portinho da Arrábida,percebe-se bem o que daria.Porventura estaremos perante um caso de disciplinar o uso de um espaço ecológicamente sensivel.Posto isto,não serei eu que lhe vou dar razão,sem conhecer todo o filme,daí o contraditório que cerece.

      1. O pobre Tecelão ainda não percebeu que as suas prelecções perdem sempre o efeito bombástico que ele gostaria de lhes emprestar, à conta das caneladas que dá na gramática, como um bailarino que ensaia um “jeté” e se espalha ao comprido, tropeçando nas próprias pernas. O uso do condicional na primeira premissa obriga ao emprego do mesmo tempo verbal na segunda, na vez do pretérito perfeito do indicativo de que ele se serve. Coloquialmente o erro é admissível, por escrito não.A graça (presumo que fosse para ter graça) do sacristão, não a consegui entender. Vamos portanto fingir que o Tecelão tem sentido de humor e que rimos todos muito com isso.No que respeita à estupidez e ignorância da burocracia nacional, era bom que essas duas qualidades se ativessem exclusivamente aos burocratas. Por infelicidade nossa, extravasa muito dessa parte da população. E o facto de termos o Zézito a mandar é prova cabal disso mesmo. O vigarista descobre sempre aqueles que permitem e gostam de ser enganados. O amável Tecelão não é certamente estúpido e ignorante, mas aprecia ser aldrabado por um, revê-se nele – e pior, gosta de lhe tecer elogios.

        1. “…revê-se nele – e pior, gosta de lhe tecer elogios”Os tecelões que acompanham o “chefe da quadrilha”, e nele se revêm, não lhe tecem elogios por gosto. Outrossim por necessidade de (sobre)vivência.Aliás, quando o “chefe morrer”, os tecelões serão os primeiros (na busca de outro “chefe”) a “mijarem-lhe na campa”.Ó tecelão, neste pequeno texto, usei comparações sem uso de conectivo. Ou seja, apresentei de forma literal equivalências que são apenas figuradas.

        2. Você está possuido de animismo.Só um competente exorcista o pode redimir.Exceptuando as lições de gramática.Essas,são a maneira afectada e pretensiosa de exibir o seu saber.A observância da regra é mais importante para os pedantes do que o seu conteudo!!!

          1. Ó tecelão, o ManuelB está “possuído” de superior inteligência e, sobretudo, Educação e Formação. Ao invés, o senhor está possuído de inveja, servilismo para com o “chefe” e, sobretudo, arrogância e idiotice.Assim sendo, só uma Justiça competente nos poderá livrar das “bestas”. Acredite que a Justiça está a chegar.

          2. Já pensou em consultar um canalizador?Acho que tem tripa ligada á caixa craniana.Não vá ao médico,os médicos estão vocacionados para tratar pessoas!!!

          3. Experimentou, foi? Mas, o resultado foi fraco, na medida em que mantém o mesmo problema.

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