Se os excelentíssimos magistrados olhassem durante um minuto que fosse a opinião que os portugueses têm deles, espressa em sondagens várias, todas apontando no mesmo sentido, talvez pudessem vasculhar nos confins da consciência, se a têm, e chegar à conclusão de que talvez não fosse mau adoptar uma atitude um pouco menos arrebitada.
No entantro, fazem o contrário, ou pior.
Fingem que não percebem que pouco há quem tenha por eles um mínimo de consideração ou de respeito.
Recusam-se a perceber que, por injusta que considerem a opinião popular a seu respeito, não pode deixar de haver nela qualquer coisa que tenha com o seu, deles, comportamento.
Entretêm-se a criticar o legislador em vez de fazer a mínima auto-crítica ou de pensar no papel que lhes cabe na qualidade da justiça.
Declarando com orgulho que não são funcionários públicos, comportam-se como as mesnadas de descontentes que pululam nas repartições do Estado e que fazem os possíveis por tornar ainda pior a situação que todos vivemos, ao mesmo tempo que clamam pela gratidão que lhes é devida pelos altos serviços que nos prestam.
Comportam-se como os estivadores dos portos ou os motoristas dos transportes publicos. Olham o próprio umbigo e pensam que estão a ver o universo.
Não percebem que o poder que têm, dado por via académica e administrativa, não por eleição, devia começar por ser respeitado, por excepcional, pelos próprios, antes de por quem quer que fosse. A paga é não ser respeitados por ninguém, o que é grave para o Estado, para os cidadãos e para a Justiça.
Consideram-se órgãos de soberania , coisa que não são. Órgãos de soberania são os Tribunais, não os juízes.
Alargam indevidamente o conceito de independência própria, quando, mais uma vez, independentes são os Tribunais e não os juízes, e mesmo os tribunais só o são no acto de julgar.
Sendo mais bem pagos que a generalidade da população, acham-se acima da crise e reclamam mais dinheiro.
Tendo-se em tão alto conceito, eximem-se a agir em conformidade, ao ponto de avançar com sindicatos, greves e outras atitudes absolutamente impróprias.
O IRRITADO, ciente da inutilidade do desejo, sonha com um tempo novo, em que os magistrados tomem consciência da sua posição na sociedade e a respeitem, como se deviam respeitar a si mesmos.
14.11.13
António Borges de Carvalho

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