IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CUIDADO, DONA ALBERTINA!

 

Cuidado, dona Albertina! Ponha-se a pau! Olhe que, no alvará do seu lugar no mercado de Arroios, não estão incluídos nem os rabanetes nem a couve-flor. A ASAE anda em cima destas ilegalidades, com pessoal devidamente treinado em operações de comandos pelos serviços secretos, pela CIA, e por dois coronéis reformados do KGB. O Irritado aconselha vivamente a dona Albertina a comprar um colete à prova de bala, não vá algum agente atacá-la, a coberto das leis do socrismo.

Não acredita, dona Albertina? Pois olhe, os tipos começaram pelo Vuitton, o Cartier e o Hermes, que foram proibidos de vender cintos, alfinetes de gravata e lenços de assoar. Vai tudo, e muito bem, parar ao Tribunal. Daqui a uns tempos, dona Albertina, a coisa vai chegar ao seu balcãozinho. E ao do Torcato, que anda a vender farinheiras estando só registado para vender chouriços de sangue.

Dona Albertina, olhe que isto é a sério! Fecham-lhe o estanco num fechar de olhos, e aplicam-lhe uma coima (multa, diz o povo, que é ignorante) por cada rabanete e cada couve-flor vendidos sem licença. Isto se não levar alguma mocada na cabeça por falta de respeito para com a autoridade, no caso de se excitar e usar a linguagem que costuma reservar aos caloteiros.

 

Mas tem alternativa, dona Albertina. Isto por cá é um Estado de Direito!, como diz o governo. Se a dona Albertina arranjar uma certidão narrativa completa do registo de nascimento, lhe juntar o bilhete de identidade, o cartão de contribuinte, duas fotocópias autenticadas do alvará da couve portuguesa, cinco fotografias tipo passe, cinco vias, devidamente seladas (com selo branco das finanças), a dizer que pagou o IRS nos últimos vinte anos, uma certidão da segurança social a atestar que está tudo em regra e o diploma da quarta classe em papel manteiga, poderá requerer ao Ministério do Comércio, à Secretaria de Estado do Ambiente, à Inspecção de Finanças, à Câmara Municipal de Lisboa, à CCR do Vale do Tejo, à PSP, à GNR e à santa Casa da Misericórdia as devidas autorizações para vender rabanetes e couves-flor. Poderá, então, ter a certeza de que, dentro de cinco anos, a Assembleia da República começará a debruçar-se sobre o assunto e que, dois anos depois, sairá o diploma autorizando a mistura de rabanetes e couves-flor com couves portuguesas e grelos de nabo. Nessa altura, como os seus requerimentos já foram arquivados por falta de cobertura legal, mais não terá que repetir o processo, o que será facílimo dada a sua experiência na matéria.

 

Não desespere, dona Albertina. Qual anjo da guarda, Pinto de Sousa (Sócrates) vela por si.

 

ABC


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