IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


COSTA, O INOCENTE MOR

 

Costa devia estar com sono quando disse, às duas da manhã de ontem, o chorrilho de asneiras a que já nos referimos. Já bem dormido, porém, por volta das oito da noite, solenemente, com cenário montado na residência oficial, excedeu-se: bem acordado é ainda pior que com sono.

Diz o fulano que a “reforma florestal” foi aprovada em Junho de 2016. Qual reforma? Ninguém deu por nada porque nada foi feito, a não ser um turista político que se diz ministro ter declarado que o Dom Dinis não lhe chega aos calcanhares. Costa não sabe disso. O sistema da “protecção civil” foi concebido e montado por Costa. Costa não se lembra. Os respectivos dirigentes foram, nas vésperas dos incêndios, postos na rua e substituídos por boys. Costa não estava cá. O sistema SIRESP, na sua forma actual, foi obra do Costa, obtida à pala de cortes na despesa. Costa ignora. Pedrógão foi há quatro meses. Daí para cá, o que aconteceu? Aconteceu que governo de Costa decidiu administrativamente que a saison dos incêndios estava encerrada, retirou meios do terreno e encerrou torres de vigilância. Costa estava distraído. Os tipos da meteorologia anunciaram nova onda de calor. Costa, nesse dia, tinha a televisão avariada, ou equivalente. Conclusão, Costa, na sua angelical inocência, não passa de uma vítima de hordas de inimigos que se acastelam por aí.

É por estas e outras que Costa se apresenta, importante e poderoso, à Nação. E justifica-se: esteve quatro meses à espera do relatório da comissão de sábios. Antes disso, que havia ele de fazer? Demitir a ministra? Coisa ”infantil”, nem pensar. A ministra é o seu escudo de protecção, isto é, enquanto a malta andar distraída com ela, ele fica de fora. O relatório da tal comissão, esse, mais do que um escudo, funciona como muralha. O governo estava à espera dele, boa razão para não fazer nada. Na sua miserável arenga, Costa falou da muralha umas cinquenta vezes, iludiu questões incómodas, repetiu à exaustão e a despropósito a mesma cassete, bailou, deu a volta pelo lado.

Não pediu desculpa, nem aos vivos nem aos mortos, não aceitou responsabilidades, não admitiu falhanços governamentais: os falhanços são todos de outrem que não ele. Bailou num mar de inanidades, de fantasias, de palermices repetidas ad nauseam.

Há quem ande a chatear o Costa com este fait divers dos incêndios, e logo no momento em que ele estava, com os colegas e camaradas da geringonça, a tratar da clientela, a segurar as sondagens com uns tostões. Que injustiça!

Sem sombra de ironia, quem devia ser demitido era o governo em peso, porque o povo sofre na carne a incompetência e a desonestidade do primeiro ministro, do seu partido, dos seus apoiantes parlamentares, do infame esquema que Costa montou. Mas, sendo de esquerda, não é “demitível”. A moral republicana funciona.

 

17.10.17  



16 respostas a “COSTA, O INOCENTE MOR”

  1. sr antónio, a sua “ALEGRIA” é deveras contagiante! Oxalá outros devotos de Santa Ana …

  2. E o pior, Irritado: se fosse demitido, ia a eleições… e ganhava outra vez. Sei que custa ouvir isto. Eu repito. O PS ganharia outra vez as eleições. O Bosta ganharia outra vez as eleições. Desta vez, provavelmente com maioria absoluta. Nesta Partidocracia, a demissão com que v. sonha seria inútil. E isto não tem nada a ver com “moral republicana”. Os ingleses chamam a isto “reality check”.

    1. Carradas de razao. Mas e uma chamada de atencao…Se me refiro a moral republicana e porque esta gente passa a vida a referi-la. Deve ser a moral do Marat ou do Robespirre em versao sec. XXI.

      1. Certo, mas não se esqueça da questão central: como evitar que os privados lucrem com a desgraça? Como evitar, neste caso, que os meios de combate aos fogos sejam do Estado? Como evitar, noutros casos, que farmacêuticas lucrem com doenças, ou lobbies do armamento lucrem com crimes e terroristas?

      2. O sr António (vulgo IRRITADO) mais parece, agora, a “alegre” Charlotte de Corday!!!

        1. O anónimo 17.10.2017 20:19 sou eu – XXIP.S. – A Charlotte de Corday, em versao sec. XXI, corresponde à Cristas.

          1. Ó XXI, Alice, etc.: corrido o Passos, qual será agora a sua desculpa para (só) atacar o PSD e branquear o Partido da Sucata? Ou já percebeu que, como quase todos os xuxas, disfarça muito, muito mal?

          2. A obsessão do Filipe é confrangedora, porquanto o transforma num “cego”!Reiteradamente tenho dito que não suporto malfeitores, mentirosos e vigaristas. Aqui se incluem todos, quer sejam do PS, CDS, PCP, BE ou PSD. Nunca me viu branquear quem quer que seja, muito menos branquear Varas ou Sócrates.Ora, acontece que, como o sr antónio defende os seus “artistas” com unhas e dentes, batendo forte e feio nos outros todos (incluindo Rui Rio, de quem eu sou apoiante), tenho sido, neste sitio, especialmente verrinoso para o sr antónio, face à sua parcialidade. Porém, tal não legitima o Filipe a dizer que sou “xuxa”. Em boa verdade, lembro que o PS de Sócrates obteve uma maioria absoluta porque do outro lado estava Santana e, entre este e o outro, o Povo também votou num para afastar o outro (Santana, o tal que agora quer “regressar” – quiçá para dar nova maioria ao PS?).Espero que o filipe fique esclarecido e abandone essa sua “superioridade” moral de que faz alarde.

          3. Parece que continua, certamente por experiência própria, a tomar os outros por lorpas. Vi-o branquear o 44 durante anos; até o facto de lhe chamar “Sócrates” já o denuncia. Não defendeu o Vara, porque qualquer xuxa sabe que não vale a pena: é um embaraço que tentam ignorar. A obsessão aqui sempre foi o seu ataque ao medíocre Passos como se este fosse o Anticristo, primeiro omitindo o desastre mafioso herdado do 44, depois louvando o Bosta e este governo de sucateiros recauchutados. Uma coisa é contrariar a parcialidade direitista-laranja do Irritado, outra é ser um óbvio piaçaba xuxa. Se julga ter a subtileza para fazer a segunda parecendo a primeira, lamento desenganá-lo.

          4. o sr filipe demonstra ser um parvo. O meu erro, reconheço, é perder tempo com parvos. Passe bem

          5. Ah, o bom e velho estilo toca-e-foge do XXI. Sempre é melhor do que negar o óbvio, poupa tempo. Olhe, para tornar isto útil: já não há pachorra para o seu “porquanto”. Porque, pois, visto que. Ou não use nada: quando a relação entre as coisas é evidente, dispensa muleta. E tente deixar de abusar das aspas.

          6. “Sempre é melhor do que negar o óbvio”? Não neguei o obvio, porquanto és parvo. Não entendeste o óbvio, parvo?

          7. Primeiro: este anónimo não merece que se perca tempo com ele. Se não lhe der troco, pode ser que a criatura se cale.Segundo: a sua fixação com a excelência da “gestão pública” não é digna da sua inteligência. Olhe o pinhal de Leiria… olhe o buraco das empresas públicas, olhe a CGD…

          8. Lá vem o Rok defender a amiga.

  3. Responde o Irritado: “a excelência da gestão pública”. É fugir à questão. A questão não é o Estado (que é obviamente péssimo, muito graças a quem o “gere”), é o conflito de interesses dos privados. Os fogos são um exemplo claro, mas há outros. Se o negócio de um privado depende de calamidades – fogo, doença, guerra, etc. – então porque não as provocaria? Moral? Consciência? Nem uma criança acreditaria em tal bondade. No mínimo, se não causa activamente as calamidades, colabora e compraz-se com elas. Sem elas vai à falência, ou ganha muito menos. E ao seu caro capitalismo só interessa crescer, crescer sempre, maximizar lucros, não há meio-termo. É para isto que não tem alternativa ao Estado, Irritado. Ou tem?

    1. o parvo continua a bater no capitalismo

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