IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CONVENIÊNCIAS

Para não falarmos de guerra (sobra quem fale nisso), façamos  uma viagem até coisas que, não sendo propriamente faits divers, têm a sua piada.

Por causa do senhor Abramovitch, rios de tinta correm por aí, a fazer concorrência ao Putin. Dona Constança anda irritadíssima por haver uns arquiduques lá do partido que não querem que ela altere a lei dos sefarditas, lei que ela aprovou, mas acha má. De acordo. Isso de dar passaportes à balda devia acabar.

Bom, adiante. O que excitou o IRRITADO foi uma pequena frase, julgo que da dona Constança. Reza assim, mais ou menos: o processo tem que ser “bastante mais rigoroso”… para reduzir os casos de (pedidos de) nacionalidade “por conveniência”.

Então há casos que não são por conveniência? Porque é que um tipo pede a nacionalidade sem ser por conveniência? A ver: um cidadão, digamos, do Bangladesh, descobriu que tinha um vigéssimo quinto avô que foi corrido pelo Dom Manuel I há 500 anos, ou seja, umas vinte cinco gerações atrás. Mas, coitadinho, tinha tantas saudades do avô (ou da avó, que os judeus gostam mais de avós do que de avôs) e que era tal saudade e o amor que o o coração do nosso bangladeshiano vivia angustiado. Como diz a dona Constança, o homem, prenhe de sentimentos pátrios em relação ao rectângulo, que nem sabe onde fica, é um tipo desinteressado, não age por “conveniência”. Ele não quer um passaportezinho para ir fazer compras a Paris ou abrir uma continha em Londres, ou comprar uns prédios na Reboleira. Não, é tudo fruto de sentimentos não “convenientes”, ou seja, desinteressados. Estão a ver? Como é que a dona Constança sabe que um tipo destes não tem “conveniência”, e só pede a nacionalidade para pendurar na parede? Não sabe, nem pode saber, porque não há disso. Pode haver conveniências mais convenientes e menos convenientes. O que não pode haver é ausência delas.

Como é natural, estas manias de mexer no passado (bom ou mau, não há outro) e andar a pedir desculpa do que, há 500 anos, fez a política do tempo, é um disparate de todo o tamanho, não remedeia o irremediável e só aproveita às conveniências de cada um.

Note-se que o IRRITADO se está mais ou menos nas tintas para que haja mais uns passaportes ou menos uns passaportes, mais uns sefarditas ou menos uns sefarditas. O que lhe parece é que o critério de concessão, seja ele qual for, será sempre uma manta de retalhos, dará sempre várias raias, e não tem nada a ver com nacionalidades, só com as conveniências (legítimas ou ilegítimas, boas ou más) de cada um.  

 

28.3.22



4 respostas a “CONVENIÊNCIAS”

  1. O Irritado sempre com grandes irritações, esta é mesmo daquelas boas, que até a D. Zefa perdeu a cabeça e nem quis saber o que se passou no faustoso pequeno almoço da telenovela. E nós, ou melhor eu, também aqui estou como mais um visitante do irritadíssimo blogue. Ora então a D. Constança e tal, passaportes de sefarditas, um bangladeshiano e D. Manuel I. Mas porquê um bangladeshiano e não um goês cristão novo que para Goa fugiram ou deportados foram bastantes? Ignorância ou armou-se em engraçadinho?E fugiu da guerra com um ‘sobra quem fala nisso’ para não assustar a D. Zefa e algumas criancinhas, seria? Não seria antes por causa da viagem dos pombinhos portas e adolfo, que o outro perdeu o avião, quando foram de mão dada a Moscovo a mando do pc* entregar vistos gold a uns vitchs amigos do putin?Isso é que era uma boa irritação.*não confundir com sigla partidária.

  2. Óbvio que só se pede a nacionalidade por conveniência; é pena o Irritado não ver outras evidências. O Anónimo acima já mencionou a mais evidente delas: andamos, como outros países, a vender a nacionalidade a mamões e outros criminosos – russos, chineses, africanos… como qualquer prostituta, não somos esquisitos. Só o pilim importa. E se a ‘esquerda’ PS mama e lava o imundo pilim com gosto, a direita, a começar pelos seus caros Passos, Relvas, Macedo, Gaspar, Albuquerque, Núncio, Mesquita Nunes e afins, foi a grande promotora desta casa de passe chamada Portugal. E isto é indissociável do seu caro capitalismo, onde tudo se compra e tudo se vende. Sim: também isto é o ‘mercado a funcionar’.

  3. Avatar de Só sei que nada sei
    Só sei que nada sei

    A lógica do seu raciocínio e a validade dos seus argumentos continuam válidos e valiosos.Desde o principio deste malfadado ciclo póliticus teima em ser do tipo:Ora agora sim, ora agora não, ora agora nem sim nem não.Um estilo governativo ao sabor dos ventos em que os grandes culpados são os que votam em gente desta.

    1. ‘…grandes culpados são os que votam em gente desta.’Este princípio é tão ‘ora agora sim, ora agora não’ que até é de quem ‘sabe de tudo’ e quando lhe interessa o povo tem sempre razão. E lá vão estes gajos atirar o país para a bancarrota com aquela do aumento das pensões…..

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