I
Como diria o amigo banana, Segunda-feira chama-se Segunda-feira porque é o segundo dia da semana. Ou seja, o primeiro é o Domingo. No caso presente, Domingo foi ontem, 4 de Maio.
Vêm estas notáveis afirmações a propósito da secção “A Semana que vem”, do semanário “Expresso”.
Reza a coisa, anteontem, dia 3 (na semana passada) que na semana que vem, que começa a 4, se comemora o primeiro aniversário do desaparecimento da Maddie… que foi a 3. Ou seja, na opinião do “Expresso” vai passar-se na semana que vem o que já se passou na semana passada.
Faz lembrar a grande obra literária do intelectual Mendes Bota que se chama “No décimo aniversário de doze anos de poder local”, ou a conferência do embaixador Reyno (o inimigo da dona Ana Gomes), pronunciada em Madrid, sob o título “Portugal e Espanha: dois caminhos paralelos que raramente se encontram”…
Hi, hi.
II
Resulta de um académico inquérito sexual que 0,9% dos portugueses e 0,6% das portuguesas são homossexuais.
E tanto barulho se faz para meter na cabeça das pessoas a imperiosa necessidade de atender a todas as exigências destas tão significativas minorias!
Por outro lado, parece que há 70% dos portugueses que não apreciam positivamente as actividades sexuais das ditas minorias, sendo que se fica sem saber se os outros 30% apoiam activamente tais práticas mal cheirosas ou se, simplesmente, não ligam ao assunto.
Isto faz com que, aflita e indignada, a Exmª intelectual responsável por tão importante estudo diga que Portugal é um país altamente “homofóbico”.
O Irritado, que é uma besta, diria que os portugueses, à excepção do “fracturante” senhor Louça e da doutora do inquérito, se estão marimbando para o assunto.
III
Dizem para aí, com foros de escândalo, que um polícia, sozinho na esquadra, viu entrar na dita um bando de díscolos, e teve ficar quietinho para não perturbar as destruidoras intenções e ilegais práticas dos invasores.
O senhor Pereira já produziu indignadíssimas declarações sobre o assunto. Da mesma forma se pronunciaram inúmeros jornalistas, comentadores, intelectuais e propagandistas.
Numa linha de jornal, porém, pode ler-se que a esquadra em causa tem nada menos que vinte e três efectivos. O que permite ao respeitável público imaginar como se passaram as coisas. Quatro polícias estavam de folga. Outros quatro andavam a passear de pópó. Dois estavam a tomar conta de uma ocorrência. Cinco andavam em serviços particulares, pagos por fora. Um estava na esquadra. Dos outros sete não se sabe, sendo de presumir que se encontravam no gozo de merecido desenfiamento.
Consta que, para obviar a casos como este, e a fim de não perturbar o equilíbrio psicológico dos senhores guardas e do respectivo sindicato, o senhor Pereira vai meter mais sete mil e quinhentos efectivos. Procurando fazer alguma justiça, o Irritado acha que, se calhar, é exagero. Três mil devem chegar.
IV
Ainda a este propósito, cite-se a observação de carácter profundamente filosófico produzida no “Expresso”.
Reza assim:
“Um Estado incapaz de assegurar o grau zero da segurança demite-se de quase tudo”.
O Irritado curva-se respeitosamente perante a clarividência desta doutíssima opinião.
ABC

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