IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


COISA FEIA

 

O centenário do 5 de Outubro, como é sabido, foi de extrema utilidade cultural e política, já que, pelos interstícios das laudatórias comemorações passaram muitas verdades, verdades que proporcionaram a muita gente a percepção do monumental “barrete” que tal e tão infausto acontecimento foi, a todos os títulos. Em larga medida foi desmistificada e desmitificada a I República e vieram ao de cima cruas e duras verdades, que até o salazarismo tinha mantido a bom recato, para não envergonhar muita gente de quem dependia ou que ia tolerando.

O tiro saiu pela culatra aos agentes de tais caríssimas comemorações. Ainda bem.

 

O corte do feriado do 5 de Outubro veio pôr tal gente em alvoroço, proporcionando-lhe a repetição de inúmeros equívocos e aldrabices e dando-lhes direito de cidade nos jornais num momento em que as pessoas sérias, estudiosas e respeitadoras da História já não andam a pensar em tal matéria.

À cabeça do coro, o inevitável Manuel Alegre (Alegre da mãe, porque o pai, que não era Alegre, não rimava pela cartilha) desdobra-se em inflamadas paspalhices e chega ao ponto de comparar o 5 de Outubro com o 1º de Dezembro, dando às duas datas similar dignidade. O ilustre escrevinhador, demagogo e socialista, tem o topete de pôr lado a lado a restauração da independência e o caminho aberto para a sua quase perda e para a sua ruína, metido este, no plano interno, em clara perda de direitos de cidadania, em refregas partidárias, em resolução de conflitos à bomba, em assassinatos políticos, numa atmosfera de repressão que faria inveja à PIDE e, no plano externo, numa guerra com a qual pouco ou nada tinha a ver. Por outro lado, esta gente, tão pronta a condenar o “colonialismo” português, não é capaz de reconhecer que a república do 5 de Outubro foi o mais colonialista de todos os regimes portugueses, de Afonso Henriques a Oliveira Salazar.

É essa enorme porcaria que esta gente insiste em comemorar com um feriado, dando-lhe a mesma dignidade que ao 1º de Dezembro. É a cultura republicana, a moral republicana, o respeito republicano pela história e pelo país.

 

Coisa feia de ouvir e ver.

    

28.1.12

 

António Borges de Carvalho



10 respostas a “COISA FEIA”

  1. O Irritado parece ainda confundir a I República com a realidade de hoje, CEM ANOS depois. Que se celebre ou não a data, tanto me faz, mas o que raio temos a ver com as bombas de há 100 anos, e com o regime corrupto de então, se hoje temos o nosso próprio sistema corrupto, com responsáveis até incensados pelo Irritado? Faz-me lembrar os que ainda lamentam a queda do Estado Novo, saudosistas de Salazar como o meu avô: o regime tinha méritos? Sim, tinha alguns, mas ainda mais deméritos. E Salazar morreu há 42 ANOS. Caiu da cadeira, ou da banheira, ou do raio que o parta, o certo é que morreu. Foi-se, acabou. E o Portugal dele, morreu com ele. Que diabo, não será altura de avançar? Ao olhar constantemente para trás, acabamos por espetar-nos no que está mesmo à nossa frente. É este, parece-me, o caso do Irritado. ——————– O Irritado critica o envolvimento de Portugal numa «guerra com a qual pouco ou nada tinha a ver», a I Guerra. Muito bem. E com o Afeganistão ou o Iraque, que temos a ver? Será por sermos capachos dos “seus” compinchas americanos, que já temos tudo a ver? O que ganhamos com estas guerras? Não vê que o que mudou, foram as moscas? O resto é o mesmo. ——————– A acabar-se com feriados, como já alguém aqui escreveu, que seja o 25 Abril: foi uma FRAUDE. A suposta “revolução” apenas mudou uma ditadura saloia, para uma partidocracia podre. Já o 5 de Outubro é quase irrelevante, excepto para certos mamões instalados, ou para saudosistas da Monarquia, como o Irritado, que se recusam sequer a ver o choninhas real que lhes calhou na rifa. A eliminar-se outro feriado, e custa-me admiti-lo, seria o 1º Dezembro. Porquê celebrar a independência de Espanha, se a maioria dos portugueses, e falo por mim, já prefere Espanha a esta choldra sem rei nem roque, a SAQUE por mamões e trafulhas?

    1. V. passa a vida a queixar-se da minha falta de resposta às suas invectivas, que agradeço e aprecio. Tem razão, e não tem razão. Tem razão porque não respondo a tudo, sobretudo não respondo a repetições de repetições. O Filipe é tão ancho a culpar este mundo e o outro, como a não dizer como ultrapassar os problemas de que fala. Ou não. O Filipe tem a solução: uma vassoura mágica que acabe com o sistema, com o poder que existe, já que tudo o que mexe é mau, corrupto, gatuno, etc. Portanto, uma revolução. Qual? A do Gomes da Costa? A do Jerónimo? Alguma salvífica religião, uma chária que ponha tudo a pão e laranjas? É verdade que a revolução necessária é cultural, isto é, uma revolução de responsabilidade, uma carta de deveres, a criação de uma sociedade em que cada um responda por si sem estar à espera do Estado para lhe resolver o problema, aquilo a que há quem chame, com pouca propriedade e nenhum sucesso, “libertação da sociedade civil”. O que significa a liberalização da política e da economia, o recuo do Estado, a redignificação da Justiça. ou seja, a criação de um Portugal que há muito deixou de existir, se é que alguma vez existiu.A revolta pura e simples contra tudo e todos não leva a parte nenhuma.Tem razão quanto ao Relvas, à sua vida e à sua obra, à sua falta de merecimento para o cargo. Quanto ao resto, acho que, ao contrário do que diz, este governo está a trilhar o único caminho que tem à disposição. Ninguém sabe se resultará ou não, não depende do governo. O que não pode fazer é desatar a fazer exigências, renegociação da dívida, prazos mais largos, mais dinheiro, etc. É verdade que a economia está a sofrer, e vai sofrer mais, com a receita. Para mim, é evidente que as tais exigências têm que vir a ser feitas, mas não podem ser anunciadas, sob pena de nada se conseguir. Parece que quem manda – a Alemanha e os credores -já percebeu que, ou toma medidas económicas ou se arrisca a dar cabo dos clientes. É uma esperança ténue, mas é uma esperança. As medidas de diversificação dos parceiros estão certas mas deviam ser mais e melhores. A mudança, como todas as mudanças drásticas, vai custar suor e lágrimas, esperemos que não também sangue. Quanto ao 5 de Outubro, tem razão. É uma data para esquecer. Por isso falei no assunto. Não fui eu quem veio levantar a coisa mais uma vez. À sua invectiva republicana respondo que as monarquias europeias, sem excepção, respondem a todas as dúvidas que se possa ter a tal respeito. Não vale a pena ir mais longe.Quanto aos feriados, acabem com eles ou não acabem com eles, não é coisa que me interesse. O que irritou o IRRITADO foi a alegre comparação entre o 5/10 e o 1/12.Acho que, a propásito de outro post, v. falou no caso Catroga. Se quer a minha opinião, acho, como já disse, que o homem é uma excelente escolha. Mas acho também que, a ser verdade o ordenado de que por aí se fala, o homem não devia aceitá-lo.

      1. “…no caso Catroga. Se quer a minha opinião, acho, como já disse, que o homem é uma excelente escolha. Mas acho também que, a ser verdade o ordenado de que por aí se fala, o homem não devia aceitá-lo.”!!! (pelo tal)!!! (evidentemente, as mais “!!!”). Qual Pilatos?

      2. Fosse um Pinto de Sousa qualquer primeiro ministro,e o irritado já subia pelas paredes,chamando-lhe o que Moisés não chamou ao toucinho.Agora dá conselhos de moderação.Mudam-se os tempos…………………….

      3. Já tentei demonstrar que o problema não está só na dívida, nem em Portugal, nem na Grécia, nem nos EUA. O problema de fundo está neste sistema monetário, no conceito de dinheiro = dívida, na criação de dinheiro pelos bancos, e na sua multiplicação impossível pelos casinos financeiros. Ou seja, a tendência da dívida já era crescer até se tornar impagável, mas o vale-tudo dos últimos 30 anos acelerou essa inevitabilidade, levando todo o Mundo ao limiar da loucura. Tentei demonstrá-lo com argumentos, com factos, até com vídeos. O Irritado encolhe os ombros. Só vê um caminho: pagar juros agiotas ad eternum, de dinheiro que nunca existiu, e não bufar. A partir daí, que posso dizer-lhe? Vai-se espatifando a Economia e a vida das pessoas, os “mercados” passam-nos de porcos (PIIGS) para lixo, e de lixo para lixo pior, num ciclo viciado e ruinoso. Volta e meia, os nossos carrascos elogiam a nossa auto-mutilação, o Governo promete piorá-la ainda mais, e o Irritado vai batendo palmas. Não espero que o Irritado resolva nada, apenas acho absurdo que bata palmas. Daí os meus desabafos neste espaço. Claro que também não ajuda, apoiar sistematicamente chulos e criminosos, da classe política à classe banqueira, gente que nos trouxe a esta situação enquanto se encheu à grande. Mas enfim, não tenho nenhuma pretensão evangelizadora. Só aqui estamos para debater ideias, e é isso que tento fazer.

  2. O Dr. Salazar tinha razão em muitos aspectos. Um deles era a preparação do povo (não é populaça) para a democracia assente em partidos políticos. E, de facto, não está porque as suas elites não estão à altura. Veja-se o comportamento dos juristas portugueses, tentando justificar o injustificável.Caminhamos para um 1580. A Grécia já está a estrebuchar.Os de cá acabaram com os certificados de aforro e quem colocar pequenas poupanças em bancos fica sem elas porque vão para despesas de manutenção.Agora só há dívida externa!Soluções? Para começar construir um estado de direito de direito. Depois, opinar menos e ajuizar mais sobre o exercício do poder.

    1. Salazar atrasou um país e estupidificou um povo!!!

  3. Certo dia de fim de semana encontrei o sr . Dr. Catroga num museu. Pessoa muito simpática. O diálogo: – Sr. dr . porque é que a renda congela e o juro não? – Como! Como! Não estou a perceber. – As rendas estão congeladas, os proprietários andam a ser roubados, os dinheiros que recebem nem para as despesas de manutenção chegam, enquanto os juros sobem e descem por decisão dos banqueiros. – Sabe, isso vem vem de antes do 25 de Abril. É um problema muito antigo. – Mas sr . dr . antes do 25 de Abril o estado era intervencionista, e duvido que o dr . Salazar mantivesse rendas congeladas com a taxa de juro e inflação superiores a 30% ao ano. Olhe que voltei do serviço militar em África e aluguei casa em Coimbra, passados alguns meses mudei para Águeda onde arranjei trabalho, no ano seguinte mudei para os Bons Dias em Odivelas e ainda no ano seguinte mudei para Oeiras. Havia uns papelinhos nos vidros das janelas e as pessoas arrendavam casas quando delas necessitavam. A Constituição de 1933 há muito que pertence à história. – Sabe, o meu pai também era senhorio, eu sei o que isso é, mas todos querem ganhar as eleições. Esta questão das rendas é a única onde Xerifes e Robins convergem. Porém essa convergência está a aproximar-se do fim. Os senhorios vão passar a chamar-se investidores, vão deixar de ser enxovalhados nas televisões como seres muito maus. Os inquilinos que não pagarem no dia exacto, serão imediatamente penalizados e terão um funcionário muito aprumado a informá-los que regras são regras e apenas cumprem ordens. É a vida.

  4. Avatar de Sebastião de Castello-Branco
    Sebastião de Castello-Branco

    Subscrevo do princípio ao fim esta reacção do Irritado. De facto, iniciada por um regicídio com requintes de barbaridade, decidido e perpetrado por malta de ignóbeis seitas, e prosseguida na mais repulsiva balbúrdia de sucessivos “governos do terror”, a República deixou Portugal, ao cabo de dezasseis anos, enterrado em dívidas e desonra. Em toda a nossa História, não vejo data mais vergonhosa do que a de 5 de Outubro. Acabar com o seu festejo é dignificar a Pátria.

    1. Da maneira de que falam sobre a primeira republica,até parece que a monarquia,nomeadamente no seu estrutor era melhor.

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