IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CAVACO E A TRAIÇÃO POLÍTICA

 

Quem, ao longo dos anos, tem feito o favor, ou a asneira, de ir acompanhando as opiniões do IRRITADO, talvez se lembre da forma pouco entusiástica com que acompanhou as presidenciais e como, com uma mão a tapar os olhos, foi votar no Doutor Cavaco Silva – como o Cunhal fez com o camarada Mário Soares.

O objectivo era, evidentemente, evitar a subida ao poder do intragável Alegre. Não há lugar a arrependimentos. Se o candidato da aliança BE/PS fosse eleito, a estas horas estaríamos mergulhados sabe-se lá em que águas, certamente num charco de paspalhices pseudo-democráticas, que muito caro nos custariam.

Visto, porém, o que se tem passado, haverá que concluir que, fosse o challenger alguém merecedor de uma ponta de credibilidade, o IRRITADO, a estas horas, arrepelava os cabelos por ter votado como votou.

O IRRITADO conhecia o Professor e sabia qual o seu estofo. Mas jamais imaginou que pudesse ir tão longe, por omissão, primeiro, por acção, depois.

 

Durante o primeiro mandato, diante do indiscutível descalabro nacional para que a “gestão” do senhor Pinto de Sousa nos arrastava, dizia o IRRITADO, como muita gente e com carradas de razão, que o Doutor Cavaco sacrificava tudo, mas tudo, inclusivamente a viabilidade da Nação – o que veio a verificar-se – às suas hipóteses de reeleição.

Assim foi. O PR aturou, aguentou e coonestou o inaturável, inaguentável e incoonestável sem tugir nem mugir. Se excluirmos a guerra com os Açores, em que, ainda que com razão, falou desproporcionadamente alto, bem como a ridícula história da “espionagem” em que meteu os pés pelas mãos e se ia tramando, nunca Sua Excelência incomodou a fímbria das vestes do senhor Pinto de Sousa. Deixou passar tudo o que lhe puseram à frente sem um gesto, sem uma palavra, sem uma sugestão de desacordo ou de protesto. Precisava de votos na área dos flutuantes entre o PS e o PSD, não é? Pois é.

Agora, tudo mudou. Mal o governo diz uma coisa, aí vem ele, armado ora em moralista ora em técnico, dizer o contrário. Além disso, dedica-se a fazer guerra à dona Ângela – longe do IRRITADO defender a criatura! – e a tudo que anda por aí – na Europa – como se o que anda por aí se incomodasse com as suas tristes bocas.

No fundo, o Doutor Cavaco nada tem contra a dona Ângela. Mas, como o governo não tem outro remédio senão ir fazendo o que os mandatários e associados dela, bem ou mal, exigem, o Doutor Cavaco, a bem do espelho onde orgulhosamente se mira e admira, serve-se da dona Ângela para atacar o governo.

A coisa vem atingindo níveis absolutamente imorais. Chega ao ponto de mandar a dona Manuela morder as canelas do governo, o que não teria grande importância se não se percebesse que a senhora outra coisa não faz que não seja aviar receitas de Belém.  

Tudo pelo lado mais fácil, mais imediato e mais populista, o que torna a cruzada particularmente imoral. É o recurso permanente à revolta dos “mais fracos”, tipo maquinistas da CP, é, quer se queira quer não, quer se diga quer não, o apoio aos vascos, aos otelos, aos “indignados”, aos silvas, aos carecas da UGT e a quejandos. Tudo o que há de mais imediato lhe serve, tudo o que pode fazer vir à crista da onda o seu incomensurável ego, com todos os defeitos humanos e políticos, tantos!, que as pessoas, sobretudo as mais velhas, lhe conhecem de longa data.  

 

Que saudades, meu Deus, de um futuro sonhado em que o Chefe do Estado, um Rei, ou até um Presidente, pudesse representar a Nação, como acontece na esmagadora maioria dos países que nos são próximos!

 

Nada de bom pode a traição cavaquista (traição, mais que ao partido que chefiou, a todos nós) vir a trazer-nos. Cada dia que passa o homem acelera, sedento de primeiras páginas – como, sem as responsabilidades do PR, vai fazendo o camarada Soares.

 

Les bons esprits se rencontrent. Não é?

 

27.11.11

 

António Borges de Carvalho



11 respostas a “CAVACO E A TRAIÇÃO POLÍTICA”

  1. Eles não perdoam,Cavaco está-lhes a borrar nas botas!No fundo não passarão de lutas intestinas.Cão não come cão.O que os possa dividir é circunstancial,no essencial estão do mesmo lado do muro.Deixem-se de tretas,já não enganam ninguem!!!

  2. 50 anos para arrancar uma oliveira, e ainda lá ficou um cavaco…

    1. Creio que é a 2ª vez que ouço (neste caso, leio) essa piada. A 1ª vez foi há mais de 20 anos, era eu um adolescente, e ouvi-a do meu avô. Mal sabia ele que tanto tempo depois o mesmo Cavaco ainda cá andaria, duplamente boçal e arrogante, às costas da mesma carneirada fiel. E se na altura lhe dissessem que o mesmo Soares também cá andaria hoje, ainda em bicos de pés, teria certamente duvidado (Soares era pouco mais novo do que ele). A sua piada recordou-me disto, e do pouco que mudou nestes 20 e tal anos. Na altura eu pouco ligava à coisa, hoje ligarei mais – mas os dois maiores protagonistas de hoje, são exactamente os mesmos de então. Os Coelhos e os Seguros da vida, não passam de figurantes transitórios. Estas eminências pouco pardas da nossa “democracia”, que foram acumulando tachos e penachos, e que ainda hoje mandam no país, são o retrato fiel do espectacular falhanço da “III República”.

  3. O Irritado votou Cavaco para evitar a eleição de Alegre. É assim como servirem-nos um prato de cocó de gato, outro de cocó de vaca, e nós optarmos pelo de gato (sempre é menor…), em vez de sairmos porta fora do bizarro restaurante. Enfim, trata-se da boa e velha lógica do MAL MENOR, em que esta “democracia” é pródiga, e que tão bons resultados tem dado ao país. Só que Cavaco é uma besta quadrada, sempre foi, e parece piorar com a idade. Posso imaginar a estima que o Irritado lhe tem, só à conta da “má moeda” com que brindou o “seu” PSL. Vê-lo agora armado em defensor dos oprimidos, em vez de dizer ámen às sacrossantas medidas do “seu” Governo, deve ser o fim da picada. É aguentar, Irritado, é aguentar. Com muito “Eno”.

    1. A velha lógica do “MAL MENOR” é a lógica do “BLOCO CENTRAL” (agora mando Eu e “Seguto-te a TI”; aagora manda Tu e “Coelhas-me” a Mim).Cinismo da merda! Para quando o “pau de marmeleiro”?

  4. A OPERAÇÃO FACE OCULTA COM RABO DE FORAA operação Face Oculta com Rabo de Fora destinava-se, de facto, a fazer o máximo de ruído possível para desviar as atenções do tenebroso folhetim BPN. Ainda hoje visa em parte isso mesmo, apesar de estar um pouco descaída para robalos e alheiras… Com a face oculta, valia tudo! Até escutas ilegais ao primeiro ministro – o que, num estado de Direito, deveria ter resultado no julgamento dos responsáveis pelas gravações. A páginas tantas, a operação Face Oculta foi redireccionada, passando a visar principalmente Sócrates e o seu governo. Era preciso derrubar Sócrates e mudar de governo, porque havia gigantescos interesses em jogo e, em particular, o caso BPN prometia dar completamente cabo do PSD. Do folhetim BPN ignoram-se ainda hoje numerosos episódios. Aquilo é uma torrente de lama inesgotável. Que eu me lembre, o agora falado caso IPO/Duarte Lima, de que Isaltino também foi uma peça fulcral, não foi sequer abordado durante o Inquérito Parlamentar sobre o BPN – inquérito a que o PSD se opôs então com unhas e dentes, como é sabido. A táctica então escolhida pela quadrilha laranja foi desencadear um inquérito parlamentar paralelo, para averiguar se Sócrates estava ou não a asfixiar a comunicação social!! Mais uma vez, uma produção de ruído para abafar o caso BPN e desviar as atenções. Mas é interessante examinar como é que o negócio IPO/Lima foi por água abaixo. Enquanto Lima filho, Raposo e Cia. criavam um fundo com dezenas de milhões amigavelmente cedidos pelo BPN de Oliveira e Costa, Isaltino pressionava o governo para deslocar o IPO para uns terrenos de Barcarena, concelho de Oeiras. Isaltino comprometia-se a comprar os terrenos (aos Limas e Raposo, como sabemos hoje) com dinheiro da autarquia e a “cedê-los” generosamente ao Estado para lá construir o IPO. Fazia muito jeito que fosse o município de Oeiras a comprar os terrenos e não o ministério da Saúde, porque assim o preço podia ser ajustado entre os amigos vendedores e compradores, quiçá com umas comissõezinhas a transferir para a Suíça. Duarte Lima tinha sido vogal da comissão de ética (!!!) do IPO entre 2002 e 2005, estava bem dentro de todo os assuntos e tinha óptimas relações para propiciar o negócio. Além disso, construiu a imagem de homem que venceu o cancro, história lacrimosa com que apagava misérias anteriores. O filho e o Vítor Raposo eram os escolhidos para dar o nome, pois ao Lima pai não convinha que o seu nome figurasse como interessado no negócio. Em Junho de 2007 Isaltino dizia ainda que as negociações para a compra dos terrenos em causa estavam “em fase de conclusão” (só não disse nunca foi a quem os ia comprar, claro). E pressionava o ministro da Saúde: “Se se der uma mudança de opinião do governo, o cancelamento do projecto não será da responsabilidade do município de Oeiras.” Como assim, “mudança de opinião do governo”? Na verdade, Correia de Campos apenas dissera à Lusa que o governo encarava a transferência do IPO para fora da Praça de Espanha e que estava a procurar um terreno, em Lisboa ou fora da cidade, para esse efeito. Nenhuma decisão tinha sido tomada, nem nunca o seria antes das eleições para a Câmara de Lisboa, que iam realizar-se pouco depois, em Julho de 2007. No decorrer do ano de 2007, porém, a Câmara de Lisboa, cuja presidência foi conquistada por António Costa, anunciou que ia disponibilizar um terreno municipal para a construção do novo IPO no Parque da Bela Vista Sul, em Chelas, Lisboa. Foi assim que se lixou o projecto Lima-Isaltino: o ministro Correia de Campos não cedeu às pressões de Isaltino e a nova Câmara de Lisboa pretendia que o IPO se mantivesse em Lisboa. Com Santana à frente da autarquia e um ministro da Saúde do PSD teria tudo sido provavelmente muito diferente. E os Limas e Raposos não teriam hoje as chatices que se sabe. E Duarte Lima até talvez já tivesse uma estátua no Parque dos Poetas do amigo Isaltino. Sabemos como, alguns meses depois deste desfecho, Correia de Campos foi atacado por Cavaco no discurso presidencial de Ano Novo, em 1 de janeiro de 2008. Desgostado com as críticas malignas do traiçoeiro Presidente, Correia de Campos pediu a sua demissão ainda nesse mês.

    1. Caríssimo TecelãoNão sei onde foi você buscar este brilhante artigo. Como é seu hábito não referir os autores que copia, não acho estranho.É possível que tenha razão nalgumas das coisas que repete.Se olharmos um pouco mais a fundo, porém, faltou dizer que os autores das diversas conspirações que o seu copiado refere estão todos a contas com a Justiça. Se a Justiça falhar, peça contas à Justiça, não ao PSD ou ao CDS.Já agora, como termo de comparação, peça ao plagiado que refira o que (não) aconteceu ao Pinto de Sousa, as histórias da TVI, do Freeport, a trafulhice universitária, e tantas outras, que refira onde estão os seus capangas, os quais, à excepção do Vara, coitado, se sentam todos no Parlamento, e continuam a aldrabar quanto podem, etc., etc., etc.

      1. Sr Irritado,não mencionei o autor porque o desconheço,recebi esse texto por mail e reencaminhei-o.Eu concordo consigo,Sócrates não será propriamente um santinho,mas você admitirá certamente que os piratas laranjas têm sacaneado bem mais este país!!!

  5. Não sabemos nem podemos saber o que terá levado o PR a visar dessa maneira um ministro do governo Sócrates, por sinal um dos mais competentes. Que Cavaco queria a pele de Correia de Campos, foi bem visível. Por causa do fracasso do projecto do IPO/Oeiras e dos prejuízos causados ao clan Lima e à mafia laranja? É bem possível!

    1. O PR encontrou no populismo tecno/social o seu terreno de eleição. Deu um ou outro sinal disso no primeiro mandato. Agora, anda imparável, com o freio nos dentes.Acrescento que quem demitiu o ministro não foi o PR, foi o Pinto de Sousa, não porque o PR tenha mandado ou porque o ministro não prestasse. Borrou-se de medo, foi o que foi.Só é estranho que o dito (ex) ministro tenha aceite um tacho depois de ser miseravelmente posto na rua e continue a andar para aí com bocas socrélfias. Afinal era igual aos outros.

      1. Absolutamente de acordo. Aliás, quando surge a oportunidade de EUROMAMAR, ninguém se faz de rogado – da esquerda mais radical à direita mais conservadora, passando pelos supostos “sérios e independentes”, é uma festa de todas as cores. É bonito de se ver.

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