IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CARTA ABERTA AO DR. DURÃO BARROSO

 

Caro Dr. Durão Barroso

 

Antes de mais as minhas desculpas por o tratar pelo nome que usava por cá. Sei que, para a estranja, o senhor passou a José Manuel Barroso, deixou o Dr. e passou a Herr, Mister, Señor, Signore ou Monsieur, para só falar das línguas que nos são mais próximas.

Dando de barato o ordenado, o lugar dourado a que se alcandorou – não duvido que, entre outras razões, por mérito próprio e bons amigos – há muito deixou de ser aquele refrigério, aquele assento etéreo, aquela suave e poderosa vilegiatura de que o acusam por cá.

Pelo contrário. O pessoal lá das europas não soube apreciar, nos bons tempos, o seu perfil discreto, e acusou-o de falta de drive, quer dizer, de força e de ímpeto. Além disso, há aquela esquerda, de cá e de lá, que não se cansa de o acusar disto e daquilo, da cimeira dos Açores, dos voos da CIA, do diabo a quatro, coisas em que se distingue o senhor Cohen Bendit e a camarada Ana Gomes.

Depois da reunião do “porreiro pá” puseram-lhe às costas uma senhora britânica de cuja obra e influência diplomática não há notícias, e um simpático (presumo) cidadão belga que nada nem ninguém, fora das reais fronteiras do Rei dos Belgas, sabia quem fosse e, mesmo lá dentro, sabe Deus.

Para cúmulo dos azares, surgiu a chamada crise. Os EUA meteram os pés pelas mãos, a Europa a cuja Comissão o senhor preside, guiada homens do gabarito de um Constâncio, é o que se sabe: uns países já falidos, outros a caminho, um par de namorados que são mais que os outros, e uma data de repúblicas, a Leste, ansiosas de pertencer à grande Alemanha, ainda por cima ajudadas por uma economia que vai andando, enquanto, mais a Oeste e mais a Sul, parece moribunda.

 

A senhora Ângela Merkel e o seu parceiro, senhor Nicolau Sakozy, tomaram conta dos acontecimentos e fazem o que está ao seu alcance para acabar com os demais quanto antes, a fim de se safar nas próximas eleições.

O senhor deixou de existir. Pior: quando resolve pôr a cabeça de fora com alguma proposta mais ou menos tímida, é objecto do mais radical desprezo por parte do parzinho.

 

Tudo razões para que o IRRITADO faça um apelo ao que lhe resta de forças e de capacidade política. Dê um murro na mesa! Não deixe que o senhor Delors, por exemplo, se adiante a dizer como é. Apareça no Conselho, no Parlamento Europeu, onde quiser, e diga que, com as receitas do “eixo” galo-tudesco não nos governamos. O que deve exigir? Deixo ao seu critério. Euro-bonds já? Federação já? Orçamento comum já? Revigorar o Euro? Desvalorizar o Euro? Acabar com o Euro? Restaurar a solidariedade (?) europeia? O que quiser.

O IRRITADO não é competente para fazer sugestões, mas tem a certeza que o senhor tem a cabeça cheia de ideias. Seja político com P grande. Deite-as cá para fora. Ponha a cabeça no cepo se for preciso. Não esteja agarrado ao lugar. Dê, ao futuro, a imagem de quem não pactuou com o fim do processo de decisão europeia em favor da informal ditadura dos dois parceiros. Use o Tratado de Lisboa, raio! Borrife nos prazos, no “presidente”, nos manda-chuvas! Se lhe cortarem a cabeça, cortaram.

Ao menos, não ficará na história como o cangalheiro adjunto do funeral da Europa.

 

19.8.11

 

António Borges de Carvalho



8 respostas a “CARTA ABERTA AO DR. DURÃO BARROSO”

  1. Como neste “sitio” não se pratica a censura, e o “visado” costuma se aqui visita, não resisto a transcrever o seguinte trecho de Miguel Esteves Cardoso (apesar do repúdio veemente do Irritado):«Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele. Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia. Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc… Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso. Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada. O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas.Ninguém gostava de um engraxador. Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu. O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu. Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu. Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing.Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo. (…) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional. O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês.»

    1. Se tiver pachorra, esclareça-me:Quem é, na sua opinião, o culambista: o Barroso ou eu?

      1. Nem um nem outro.O “culambista” é um tal de HC (que costuma “espreitar” neste sitio), apesar de (eu) “menosprezar” o Barroso.

  2. Com as devidas desculpas ao Irritado, e ainda maiores, a O’Neill: RETRATO DE UM TUGA Barroso (Zé Manel), moreno português, cabelo asa de corvo; ar canastrão, nariguete que sobrepuja de través o sorriso imbecil e o jeito morcão. Se a visagem de tal sujeito é o que vês (omita-se o olhar vazio de peixe morto) o retrato moral também tem os seus quês (marxista-leninista que nasce torto…) Tachista? É claro (ou não fosse do Centrão!) diligentemente forja os seus tachos conseguindo pela calada, com discrição, refastelada mama e subidos penachos. E ei-lo, anódino Presidente eleito com fulgor, Pois o PM luxemburguês recusou por pudor… LÁ VAI O CHERNE! Sigamos o cherne, meus caros! Apanhemos o avião para Bruxelas Digamos não! a um país de ignaros Digamos sim! às europeias gamelas. Que saudades do cherne desconhecido Calado e anónimo aspirante ao poder Tomávamos o seu silêncio por medido Afinal, só não tinha nada para dizer… Sigamos, pois, o cherne, antes que venha, Ilustre reformado de uma Comissão lerda Com as mãos ainda calosas da ordenha, Putativo candidato a Presidente desta m… —- E em jeito de remate: Seja cherne ou safio, Chicharro ou carapau, Nunca Portugal pariu Mais afortunado CALHAU.

    1. Não tem nada que pedir desculpa!Um intervenção magistral!

  3. procura emprego ? consulte a pagina de empregos em Lisboa http://www.empregosmanager.pt/emprego/lisboa#ofertas e procure o emprego de sonho!

    1. Cá está o “culambista”!

  4. Querido IRRITADO,O senhor é O príncipe do idealismo … Apelos à canalha inútil, cobarde e corrupta, verdadeira geração rasca causadora de ruína, para quê? Tristes palhaços soprados com falta de T …

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